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  • 10/17/15--08:46: Vampiro angustiado!



  • Por: Marcio Alves

    Ontem à noite, bem dizer de madrugada, na calada da noite, me venho pela segunda vez a sensação como uma ideia súbita que ganha cada vez mais força, de uma metáfora para minhas angustias: de um vampiro, mas não um simples vampiro...um vampiro angustiado...e isso no sentido de ver as horas da madrugada passarem rapidamente, de perceber meu quarto aos poucos estar sendo invadido pela intrusa luz do sol, desejando ardentemente, por não ter dormindo nada, que o dia se transformasse em noite, e que a noite fosse eterna.

    Ultimamente não tenho conseguindo entender e suportar a ver a alegria e bom humor das pessoas, desejando muitas vezes sugar tais sensações ou aparências, como um verdadeiro vampiro que chupa se alimentando como se isso fosse sangue. Me sinto como se estivesse em uma corrida indo na contramão da multidão, me sentindo um verdadeiro patinho feio, dançando uma música diferente do que as pessoas estão dançando. Talvez isso porque o que dizem é a verdade: de que a beleza está nos olhos de quem vê...com meus pobres olhos de angustia só consigo ver angustia ou como um vampiro que só tem uma única necessidade: de beber sangue! Sangue de alegria, bem-estar e saúde mental.

    Aliás, a alegria e a luz do dia são duas coisas que para mim são pesadas, indigestas, “escuras” por assim dizer, de serem olhadas e percebidas a minha volta. Que me ferem, me machucam. Assim como a luz cega o vampiro, a luz tem me “cegado” de dormir...ou de tentar dormir mais...sempre um pouco mais...a vontade que tenho as vezes é de me trancar no quarto, apagar todas as luzes, fechar as janelas, e com uma pesada cortina fazer escuridão no lugar da claridade do dia, pois o pior momento nas 24 horas é justamente o dia, mais especificamente, de manhã, e com ela a dura realidade que me convida a sair da cama e encarar mais um dia literalmente.

    Voltando ao tentar e se esforçar por apreender – literalmente “apanhar, pegar” –  toda essa alegria a minha volta, das pessoas que me rodeiam, estava ontem mesmo na faculdade – sim, estou numa verdadeira luta comigo mesmo para voltar a minha rotina, a me reerguer – e na sala, quando o professor fazia gracinhas, contando o que me parecia ser uma piada, e meus colegas davam boas e gostosas risadas, eu lá, no meu canto, serio, em silencio tenebroso, contemplativo, observando e pensando nessa alegria e bom humor das pessoas.

    Foi nesse momento que me veio pela primeira vez a metáfora da angustia como vampiro - a segunda de madrugada. Me imaginei sendo naquele momento um vampiro pulando no pescoço das pessoas e sugando de suas almas que me parecia vivas, essa alegria e bem-estar, para assim, quem sabe, conseguir literalmente introjetar (“colocar para dentro”) – jargão psicanalítico – essa vibrante e colorida alegria. Como gostaria que essa alegria fosse contagiante, que me pegasse de jeito...mas me parece ultimamente, que a alegria de vez em quando, me pega, assim “do nada”, de repente. Adoraria que essa alegria toda fosse possível de ser “mordida”, “chupada”, “comida” e “engolida”, como um verdadeiro liquido sagrado, um elixir da vida que me desse vida.

    Sei que é triste viver assim – prefiro pensar “estar assim”, no sentido de ser por um momento – mas também não posso negar essa vivencia, essas sensações, por pior que sejam, por mais assustadoras, mesmo que me dê a angustia de se ver como um vampiro. O “não posso” aqui não quer dizer que não queira. Por mim já estaria junto com as pessoas rindo não sei do que, feliz não sei para que, principalmente o dormir bem e acabar de vez com essa insônia...ah isso sim eu sei para quê e porquê rsrs. O sono verdadeiramente é um alimento para o corpo, mente e a alma. Uso, inclusive aqui, o sangue como metáfora para o sono.

    O pior de tudo não é a angustia em si, nem a inveja daqueles que dão risadas e dormem bem a noite, pois não sei o quanto e em que grau pode ser verdadeiro, principalmente essa necessidade de se mostrar feliz – necessidade esta, não apenas em ter que parecer feliz para os outros, mas principalmente, por as vezes, tentar se auto enganar. Mas como estava dizendo...o pior de tudo quando se sente um vampiro angustiado é se sentir frio, indiferente a vida, a alegria e beleza de viver. É ver justamente a alegria nas pessoas e ficar tentando adivinhar se aquela alegria existe mesmo e por qual razão ou se é apenas aparência.

    Na verdade, falei da pessoa que muitas vezes, alegre, dando risadas, que poderiam estar se auto enganando-se, mas no fundo o meu medo como novamente angustia é por pensar que o auto enganado nessa história toda seja apenas eu, que mergulhado na angustia que me faz ver tudo “preto e branco” não consegue perceber o colorido que o mundo também tem e que as pessoas muitas vezes conseguem vislumbrar e se alegrar com tal beleza colorida.

    Nesse caso, o doente sou eu, quem está com defeito nos olhos sou eu...ou será que o “único” com visão lúcida e clara da vida seja eu nesse momento de angustia? Sinceramente não sei...essa é uma pergunta difícil de responder ou que talvez nem tenha uma única e verdadeira resposta...pode ser – e que agora em quando escrevo esse texto é que me saltou de repente essa ideia, como um pássaro livre que voa, pois assim também são as ideias as vezes: livres – retomando...pode ser que a vida tenha vários lados e significados, como se fosse um tapete ou uma moeda que haja lados opostos e diferentes.

    Bem, na verdade essa metáfora é muito pobre para a vida que acabo de se chegar... uma frágil e temporária conclusão que pode me salvar desse pessimismo e angustia de enxergar a vida: a vida é muito mais complexa e rica, e está para além dos óculos que usamos para a enxergar. Quem sabe o vampiro angustiado aqui, ainda tenha salvação e consiga ao invés de querer sugar, roubando das pessoas – como se isso fosse possível rsrs – a alegria delas, consiga enfim voltar a se transformar em um ser humano, no sentido complexo e completo...mas quem disse que o vampiro também não é gente? Não sei também...o que sei é que quero voltar a ver o sol como o poeta e dizer como ele é lindo e desejado, sem medo de que com a luz venha morrer!

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  • 10/19/15--13:17: Sobre bexigas



  • Por: Marcio Alves

    Você com toda certeza deve já ter ido a uma festa que estava repleta de bexigas...de todos os tipos, cores e tamanhos. Principalmente em aniversários de crianças...pois é dessa forma – para usar uma metáfora – que sinto minha angustia...como se dentro de mim fosse igual a uma bexiga que lentamente fosse ficando cada vez mais cheia, só que de angustia. Começa bem devagar, e vai enchendo aos poucos e quanto mais vai enchendo mais sofrimento vai me causando.

    Até que de repente...estou cheio que nem essas bexigas. Cheio de angustia. De pensamentos de angustia. Pensamentos de angustia são pensamentos que precisam ser esvaziados igual a uma bexiga. A questão é: como esvaziar os pensamentos de angustia? Escrevendo? Falando a respeito? Tudo isso tenho tentado em vão...ou quase em vão...a sensação que me dá e que não tem jeito, preciso esperar o tempo passar...em quanto isso vou escrevendo e falando a respeito, talvez como forma de transformar de uma forma criativa esses pensamentos angustiantes.

    “Digo-lhes: é preciso ter caos dentro de vocês mesmos a fim de dar à luz uma estrela dançante”. Não é essa a celebre frase de Nietzsche? No meu caso...uma bexiga que insisto ainda em tentar transformar ela numa bexiga, quem sabe, colorida e alegre igual as de festas de crianças.

    Ou quem sabe estourar para no lugar ser enchido por outras bexigas...bexigas mais alegres...quero esvaziar minha mente como meu ser dessa angustia...as vezes sinto vontade de vomitar...quer algo mais simbólico do que essa vontade de vomitar que sinto quando sou invadido, cheio de angustia? É um jeito prático e sintomático que meu corpo encontra de por pra fora essa angustia.

    Outro jeito é escrever e falar...como falar tem momento que é na terapia e como minha terapia é só na sexta, preciso escrever para ver se consigo esvaziar meu peito dessa angustia...é foda! Procuro ver pontos positivos nessa angustia, mas na verdade não é possível ver bexigas alegres na angustia quando se está tomado ou afogando no mar da angustia...talvez quando estiver na praia do sossego e do alivio de respirar sem ser invadido por essa angustia.

    Pensar em suicídio? Não, não penso mais. A bexiga da angustia que já me fez pensar em suicídio me fez pensar em querer e como viver...como viver é talvez mais importante do que viver...o suicídio como ato final, como um jeito de sair da cena do palco da vida, mas com a preparação e rituais seja um “privilégio” – talvez, quando chegar o momento, isto é, se chegar, quero tentar escrever nem que seja em papel com pouquíssimas palavras...palavras essas que serão as mais importantes do que as todas que já falei em vida.

    Mas voltando ao assunto do suicídio como ato final seja bem mais honesto e precioso do que os pequenos suicídios que vamos cometendo ao longo de nossa trajetória de vida...isso mesmo! A bexiga da angustia como aquele ponto de interrogação que insiste em nos interrogar sobre a vida que estamos vivendo é justamente uma forma de se livrar de vez dos pequenos suicídios...quando digo “pequenos suicídios” me refiro a vida vivida de qualquer maneira, sem razões para viver.

    Vida vivida sem angustia é vida vivida sem o peso de se questionar e colocar-se na balança do suicídio, que pesa nos pratos a vida e a morte, que questiona o sentido e o valor de nossas vidas...o pior da vida é uma vida cansada, farta, cheia de inutilidades e despropósitos, cheia de angustia de viver que é pior do que a angustia de morrer...talvez por isso a angustia tenha se tornado cheia para mim...porque até aqui tenho vivido sem me dar conta de que viver é uma aventura responsável, no sentido da importância em que estar em viver e não apenas viver para não morrer.

    Sinto que agora já começo me alucinar um pouco...mas também, com essa angustia dilacerante, que parece anestesiar como dar choque no meu corpo inteiro...não aguento mais viver assim...em quanto isso vou escrevendo em quanto tiver a ilusão de que com isso me ajuda a superar...talvez, ter o destino de ver que no final a angustia serviu para alguma coisa...para reflexões...meu Deus! Quanta angustia! Se existisse uma agulha para furar essa bexiga feita de angustia já teria a muito tempo estourado, esvaziado.

    Esvaziado para tornar a encher, mas dessa vez encher com vida, com significado, com sentido, com prazer, com alegria...igualzinho as de festa de crianças.

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    Por: Marcio Alves

    A grande batalha que tenho travado solitariamente, no sentido de mesmo que esteja acompanhada de pessoas que me amam e as quais amo – e que muito tem me ajudado a carregar esse peso das constantes crises de pânico – estou só por apenas eu estar vivendo mergulhado “dentro” inteira e totalmente essas crises e por saber mais do que qualquer outra pessoa como tenho vivenciado, no sentido de que maneira, com qual grau de sofrimento. Nesse aspecto é algo que a própria pessoa em si (ou torna-se) é a autoridade máxima sobre sua própria experiência, sentimentos, percepções, dores, medos e angustias, ou seja, ninguém, por mais mestrado, doutorado ou Ph.D. que seja pode saber mais do que você mesmo meu leitor sobre você mesmo!

    No meu caso, essa batalha tem se dado dentro da minha própria mente contra um inimigo invisível, mesmo que tenho tentado todos esses dias nomear tal inimigo. Contra um inimigo visível, de “carne e osso” ou uma situação concreta, você acaba tendo mais controle e segurança, mas contra um que além de invisível mora dentro de você se torna bem mais complexo de lidar, de enfrentar, de combater mesmo, até porque é como se meu inimigo intimo fosse nada mais nada menos que “Marcio Alves”. Isso mesmo! Eu mesmo sou meu próprio inimigo, uma vez que a batalha dessa doença mental de constantes crises do pânico e depressão se desenrolaram no campo da peleja da minha mente.

    Realmente a mente humana é o que a de mais complexo no universo...penso até que o universo em si, que o cosmo, que as galáxias, são bem mais “simples” por assim dizer, de desvendar e lidar do que o mundo da mente humana...cada mente humana é um universo particular, singular em sua história, experiência, percepções, valores, conflitos e entre outros. Mesmo gêmeos tem mentes singulares...talvez por isso, mesmo com as classificações para as doenças mentais não podermos colocar o ser humano e sua singular existência e experiência dentro de nossas caixinhas (pré)-conceituais.

    Mas a mente não pode ser isolada do corpo do sujeito, pois embora seja na mente que se dá a batalha entre doença e saúde mental, ela produz os sintomas sentidos, sofridos e carregados no corpo. É como se na mente se desse o estopim, o gatilho acionador das crises que quem paga a conta é o corpo, pois é ele que vai ser o deposito de todo sofrimento e angustia enfrentada pela mente humana.

    No meu caso – mais uma vez escrevo de “dentro” do que de “fora” da reflexão – a crise do pânico se inicia lentamente com uma “leve” sensação de ansiedade. Digo leve, porque ela não se compara com a magnitude em número, gênero e grau da angustia. Inclusive, o que pude sentir na minha mente como corpo é que o processo se inicia com alguma ansiedade, que no início é possível de ser controlada, mas à medida que vai aumentado ela me leva para o campo de batalha mais sangrento que um ser humano possa enfrentar: a angustia com seus medos irreais.

    Vou usar a metáfora da “bola de neve” para tentar se aproximar de uma possível explicação da minha parte para você leitor: ela começa bem pequena, mas à medida que essa “bola de neve” da ansiedade começa a se desenrolar e ganhar mais corpo, forma e gelo, ela vai aumentando a sua proporção chegando ao ponto de se tornar uma verdadeira avalanche da angustia.

    Na verdade, tenho tido duas constantes – quando digo “constantes” me refiro que passados mais de 1 mês do início dessa crise, todos os dias tenho tido ela ou ela tem me tido – crises do pânico: a primeira sempre a tarde, mais forte é verdade, mas como ela vai aumentando e subindo de intensidade consigo me preparar melhor meu corpo e mente. A segunda, tem sido a noite, para ser mais claro, de madrugada, quando finalmente, depois de horas e horas de insônia, consigo fechar meus olhos e entrar no mundo dos sonhos – no meu caso “pesadelos” – que surge de forma repentina.

    Para novamente me fazer ser entendido, vou lançar mão do recurso que mais gosto de usar para expressar aquilo que as palavras ditas não conseguem tocar a experiência que é as metáforas: metáforas além de ser belas estão para além das letras frias e racionais. Não que seja contra a escrita, até porque, estou escrevendo esse texto usando a escrita, mas quando a experiência se torna muito singular e complexa, prefiro recorrer as metáforas.

    Pois bem...vou usar agora a metáfora dos sintomas como “bicicleta” para explicar essas duas experiências de crises parecidas, mas diferentes: imagina que você está andando na rua é que bem na sua frente a pessoa que está dirigindo a bicicleta perca o controle e venha direto na sua direção, chocando com seu corpo. O que acontece? Naquela mesma hora a sua mente manda sinais para o seu corpo o qual ele irá na mesma hora interpretar como uma ameaça iminente contra sua vida, e ai é que entra a parte mais fantástica: ele se enrije-se todo, recebe uma espécie de descarga elétrica, se preparando para o impacto que te impulsiona a agir ou a se travar todo para se proteger. Talvez, para alguns, essas reações fisiológicas alternem diferenciado um pouco, pois como diz o ditado “cada um é cada um”.

    Agora tente imaginar a mesma cena só que dessa vez você está de costa para a bicicleta, distraído, andando sem se preocupar que daqui alguns instantes seu corpo será atingido em cheio por essa bicicleta. O que acontece? Ele não teve tempo de se preparar, e talvez por isso o impacto como as consequências sejam maiores.

    Quando meu cérebro se sente ameaçado seja interna ou externamente por algum estimulo aversivo ameaçador, ele na mesma hora manda uma mensagem para o meu corpo dizendo: “se prepara que ai vem um grande e ameaçador impacto contra a sua vida...se proteja!”, levando meu corpo a uma resposta ou várias respostas fisiológicas, que no meu caso de crise de pânico, não são nada bons as sensações fisiológicas produzidas pela minha mente que vão desde literalmente choques elétricos, sensações de tremores, de que meu corpo está ficando todo anestesiado, de que estou perdendo controle sobre meu corpo, de sentir meu coração disparar como se fosse ter um ataque cardíaco e outros sintomas menores.

    No segundo caso descrito por mim – de madrugada – quando estou começando a relaxar e a dormir, meu corpo sofre o impacto da “bicicleta” sem me dar qualquer tipo de prévio aviso, e com isso, o susto é maior, como também as consequências fisiológicas. Agora, a pergunta que tento responder por mim mesmo – fiz todo esse texto baseado nas minhas experiências, portanto, cientificamente não sei se o que escrevi até aqui é validado pelo mundo acadêmico, mas foda-se, estou aqui com o propósito de “rasgar” minha alma, de me desnudar através do meu texto. Voltando a pergunta que me surgi ontem a noite é: se a batalha se dá na mente, se a mente é responsável direto por produzir os sintomas físicos no corpo, como pode minha mente que está entrando no estado de sono, literalmente adormecida, produz tal fenômeno fisiológico?

    O que passo agora é responder a partir da minha própria experiência e não de um manual psiquiátrico, portanto, pode ser que minha tentativa de responder meus próprios questionamentos não sirva para você meu caro leitor...o que (me)acontece é que penso que mesmo que a mente esteja dormindo ela está de alguma forma ainda trabalhando, se não fosse assim não teríamos sonhos, principalmente com aquilo que mais nos marcou durante o dia.

    Outro ponto dessa minha frágil percepção de “dentro” do “olho” do “furação” da crise é que o próprio corpo que sofreu as descargas elétricas durante o dia por advento das crises, ainda é um repositório dessas sensações, como se no corpo ficassem marcas invisíveis dessa batalha na mente, e que, por tanto, ele apenas está tendo reflexo do impacto da “bicicleta” do pânico que me veio durante o dia.

    Na verdade, comecei e desenvolver todo esse meu texto sobre a base da batalha ser no campo da mente contra um inimigo invisível que apenas tem nome, identidade, mas que não tem forma corpórea, porém, tenho que confessar que por estudar a mente humana de olhar mesmo sem ver tal inimigo, tenha um certo controle sobre ele. Talvez por isso explique o desespero das pessoas quando acometidas por alguma doença mental buscar de medico em medico um diagnóstico que funciona como uma roupagem para identificar esse inimigo invisível, e assim tornar mais “igual” essa batalha sangrenta!

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  • 10/21/15--11:30: Crises de pânico e flores



  • Por: Marcio Alves

    Afinal você pode me perguntar? “Qual a razão desse título? O que crises de pânico tem a ver com flores?”. Com maior prazer respondo: tudo! Pelo menos tudo de mais importante...tendo a crise passado agora pouco, deitado no sofá de casa, olhando pelas minhas janelas com grades, que mais se parecem com uma prisão, pensei: quem dera se tivesse agora mesmo um carro, pegaria ele e dirigir-me-ia até um parque mais próximo de casa, só para passar a crise contemplando as flores, arvores, natureza, respirando o ar puro, sem me sentir numa verdadeira jaula.

    Acho que com essa pequena, mas profunda reflexão-percepção regada com aguas do sentimento-sensação, cheguei a uma seria conclusão: vou me embora daqui! Não quero mais viver nessa selva de pedra que é São Paulo, ainda mais morando numa favela, tendo como único horizonte contemplativo o olhar prisioneiro de dentro de uma casa com janelas com grades de ferro, casas amontoadas, tendo como única vista possível paredes feitas com blocos e cimento.

    Melhor é ter essas crises passeando por uma pracinha com arvores do que fechado dentro dessa casa. Já algum tempo minha esposa deseja ir embora para o Espirito Santo...lugar esse que visitei ano passado e cuja memorias me levam de volta para lá, desejando que nesse momento estivesse deitado não no sofá de casa, mas num banco da pracinha que conheci ano passado.

    Nesse momento de intensa dor, sofrimento e pânico, as imagens invocadas pelo poder da minha memória são mais fortes do que qualquer ideia e pensamento. Nesse momento permito ser invadido por uma saudade do passado, da alegria de passear por meio das arvores...me recordo agora, que lá, no Espirito Santo, numa cidadezinha pequena e pacata, chamada de Montanha, percorri por algumas horas uma trilha cercada por intenso mato, flores, arvores, até a chegada de uma pedra que parecia a distância, uma montanha...daí o nome da cidade ser Montanha, pois é cercada por algumas montanhas.

    Como foi prazeroso, alegre e belo andar por aquelas trilhas até chegar aquela imensa pedra, e, depois, subir e chegar até o topo e de lá de cima contemplar a cidade bem pequeninha, que mais se parecia com um brinquedo de criança...acho que vou deixar de ser filosofo para me tornar poeta...ver um mundo na sua beleza sem tentar aprisiona-lo a uma corrente de pensamento, e viver não mais cercado por casas, muros, prédios, mas pela beleza da natureza.

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    Por: Marcio Alves

    Acho que foi num verso poético de Rubem Alves que li que o objetivo máximo da vida são os prazeres. Para mim os prazeres são como arco-íris que nos levam até as mais altas nuvens da alegria. Mesmo passado o prazer, você continua nas nuvens toda vez que você traz a memória a lembrança da sensação, do voltar a sentir, desses prazeres. Nesse sentido, entendo que haja dois tipos de prazeres: os prazeres úteis e os prazeres “inúteis”. Prazeres úteis na minha percepção são os prazeres que nos dão prazer indiretamente, que não necessariamente existam com esse fim, mas que acaba por ser acompanhado do prazer.

    É...mas não é sobre esse prazer que quero ter o prazer de conversar com você meu caro leitor. Quero falar sobre apenas o prazer “inútil” que é o prazer como próprio meio e fim em si mesmo, ou seja, é o prazer por ele mesmo, sem qualquer outra finalidade que não seja o próprio prazer como meio para se atingir o próprio final do prazer. Para isso recorro as metáforas como belas “poesias pensantes”.

    Imagina uma bela viagem em que o viajante enquanto caminha sem rumo, sem direção, caminha pelas estradas cercadas de verde, de mato, de flores, arvores e frutas. Enquanto caminha ele vai se deliciando com as delicias do caminho. Delicias essas que são as muitas delicias da vida, todas elas estando no próprio corpo, como as delicias dos olhos que contemplam a linda paisagem, o belíssimo pôr do sol, o encantador anoitecer, a lua e os brilhos das estrelas que iluminam o caminho do viajante.

    Enquanto caminha, o prazer dele está no próprio caminhar por esses caminhos do seu e com o seu corpo. Falei das delicias que nossos olhos podem contemplar, mas há também os prazeres do descansar debaixo de uma sombra de uma linda arvore. Do prazer de pegar a fruta direta do seu pé e provar ela mais pelo prazer de saborear do que de matar a fome necessariamente, embora o matar a fome também seja um prazer, mas que entra nos prazeres uteis da vida.

    Digo comer com a intenção não de encher a barriga, para ter forças para continuar caminhando, mas sim com a finalidade de saborear na boca cheia de “agua” enquanto se prova da fruta ou de outras delicias de comida, sem ter a intenção de estufar o estomago, com aquela gula feroz de quem precisa comer porque está literalmente morrendo de fome, mas sim, focando nos prazeres do corpo, corpo este como instrumento das maiores delicias da vida, como o próprio sexo.

    Nesse caminhar em (re)descobrir os prazeres da vida, confesso que sou novato, que estou (re)aprendendo agora, a “duras penas”, no sentido de ter passado – estou no finalzinho – por grande angustia, sofrimento, dor, tristeza, depressão que pode ser resumida em uma frase: perda de mim mesmo, para que me encontrasse – encontrasse meu corpo – como uma delícia de caminho para o prazer.

    Então, pude finalmente ter meus olhos “abertos” não para o mal, como no caso do mito profundamente rico e significativo de Adão e Eva, mas para os prazeres da vida. Sinto como aquela criança que está começando a aprender a dar os seus primeiros passinhos na vida, e, se alegra com a descoberta, novidade, que pode não ser novidade para os adultos, mas que para ela é.

    Com o meu corpo pude perceber que comer de olhos fechados, em pequenos pedaços, demorando para mastigar, usando a língua para levar de um lado a outro o alimento, intensifica muito mais o prazer de saborear, de sentir com os sentidos do paladar uma delícia de comida que pode variar desde frutas até os pratos mais saborosos. Detalhe é que o prazer de comer algo delicioso começa muito antes de se colocar na boca: começa com os olhos, pois se os olhos são as janelas da alma, a comida precisa primeiro ser provada e aprovada por nossa alma gastronômica.

    Usando a metáfora do viajante que caminha sem rumo pelo simples prazer de estar caminhando por entre uma bela paisagem, percebi que usar meus olhos para apenas olhar a paisagem das ruas e avenidas, principalmente aquelas com arvores e monumentos, como as catedrais das igrejas, mesmo viajando de ônibus é muito mais prazeroso do que usar os olhos nesse mesmo momento para ler um livro e mil vezes do que para mexer no celular.

    Interessante mesmo...enquanto a cabeça adoece os olhos são curados...curados para ver o que antes não se via ou não se permitia ver com os olhos por estar com a cabeça literalmente em outro lugar. Ler como uma meta a se chegar é horrível. Gosto é ler sem ter o fardo de ter que ler para aprender. Dica: por isso estude o que você mais gosta de ler – parafraseado um ditado popular: leia e estude o que te mais dá prazer e você não terá a obrigação e peso de ter que estudar!

    Percebi numa alegria de uma nova (re)descoberta o quanto é gosto, saboroso, prazeroso, uma verdadeira delicia, ir numa viagem ao mundo dos sonhos deitado numa cama, enquanto se ouve o barulho da chuva caindo lá fora de casa. Mesmo com insônia ou apesar ou ainda por justamente estar com insônia, pude saborear por mais tempo esse delicado prazer de que é ouvir o barulho da chuva caindo do céu, com seus raios e trovões, como se isso fosse uma melodia...bela melodia da natureza.

    Nosso corpo realmente é um verdadeiro mapa para o prazer. Pena que não temos tempo de parar para dar ouvidos a ele e escutar não somente suas necessidades, objetivos e pensamentos, mas principalmente seus prazeres, das coisas que nosso corpo mais gosta...como é bom tomar banho num chuveiro bem quentinho em um dia de frio...como é bom também tomar banho gelado num calor insuportável.

    Hoje, graças não a Deus, mas digamos ao “diabo” (risos) das minhas constantes tormentas, encontrei prazer até onde jamais pensei em encontrar: prazer em mijar quando se está apertado. Rubem Alves é uma autoridade em falar sobre o prazer do xixi. Hahaha...estou falando sério! Fazer xixi – vou usar essa palavra bem infantil, gostosa – é sim um prazer necessário, mas quando se faz sentindo ou permitindo sentir aquela sensação de que no começo um ardo gostoso para depois um alivio prazeroso é muito bom e “sagrado”.

    Isso mesmo! Os prazeres “banais”, “inúteis” são tão bons (melhores?) que os uteis. Beber um copo de agua geladinho no calor é bom demais...transar pelo prazer da transa, ainda mais quando se ama pelo prazer também de amar e não apenas por uma necessidade fisiológica é divino. Na verdade, descobrir tarde demais – o que meu corpo já sabia ou sempre carregou em si mesmo – que na verdade são os pecados que são os mais gostosos de se fazer...desejo pra você meu leitor um mundo de pecados, delicias e prazeres...desejar um céu enquanto se vive é uma verdadeira blasfêmia contra nosso corpo carnal – e por isso suculento – talvez, seja por isso que falamos de “comer” literalmente a outra pessoa! rsrsrs

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    Por: Marcio Alves 

    Puxa! Como sou azarado! No meio do meu caminho tinha uma pedra mesmo! Fui obrigado por essa “pedra” a parar de andar, porém, ela não parou os passos do meu pensamento que continuaram marchando em passos firmes, as vezes veloz, as vezes devagar. Recorro ao poema do Drummond – que ele me perdoei por estragar o belo poema dele rsrs – como uma metáfora para o que passei esses dias.

    Já falei o quanto a metáfora é rica e bela para mim em outros textos que escrevi aqui. Ela é para mim como uma imagem: vale mais do que quaisquer mil palavras que eu possa dizer aqui. Só que com vida própria, ou seja, a metáfora fala por si só convidando o leitor a viajar por ela, nesse sentido é mais do que uma imagem, porque a imagem é estática, já a metáfora é ondas que nos convidam a surfar enquanto curtimos seu belo pôr do sol.

    Voltando a metáfora da “pedra”, poema de Drummond, especificamente, se você ler meus textos anteriores que estão aqui postados (vide "marcadores da postagens"), perceberá que estou saindo literalmente do inferno do sofrimento de uma crise muito forte, que trouxe sérios prejuízos para minha vida no geral, paralisando-me em todas as áreas da vida – social, afetiva, profissional, acadêmica e etc.

    Chamo de “pedra” a tendinite que me acometeu por uma semana inteira, em meu braço direito, desde os dedos da mão até meu ombro. Tudo ficou doendo demais. Precisei usar a famosa tala como único pequeno alivio momentâneo. Digo isso, porque, embora usei remédios para aliviar também a dor, sinto que o que realmente me ajudou a aliviar a dor como também o processo de cura dessa maldita tendinite foi a tala.

    Mesmo assim ela (a tendinite) me condenou de vez: me condenou a talvez, um dos maiores sofrimentos: ao silencio do universo da escrita. Isso mesmo! Precisei parar no caminho da escrita o qual estava trilhando e tendo certo prazer e alivio para minhas crises, por causa dessa “pedra”. “Pedra” e não montanha, essa talvez tenha sido minha sorte...pouco sorte na verdade.

    Falo em “sorte” porque ela pode ter impedido de eu continuar escrevendo, mas não impediu meus pensamentos de continuar o processo de caminhada. Mas foi “pouco sorte” porque a dor as vezes era tanta, que até meus pensamentos as vezes tinha que ficar em um breve silencio. E o que eu ouvia? Ou o que meus pensamentos em silencio me falava? Me falava da terrível dor.

    Valorizei como também aguardei o momento da minha reabilitação para voltar a escrever novamente. Valorizei no sentido de por ter ficado no vazio do não escrever, percebi o quanto o escrever meus pensamentos me ajudavam a superar as crises, pois era como se canalizasse meu sofrimento rumo a criatividade. E por isso fiquei no aguardo, como um poeta que ama a chegada bela e poética do pôr do sol. Como é prazeroso escrever! Mas não escrever pelo escrever, mas antes escrever os meus pensamentos, pois escrever por escrever não traz tanta alegria e prazer. As vezes quando preciso fazer um trabalho da faculdade e preciso escrever sobre um tema que não me toca, ainda mais tendo que seguir todo aquele rigor acadêmico, sinto meus pensamentos acorrentados.

    Não tenho prazer de sentir e pensar pensamentos aprisionados pelas correntes do rigor acadêmico. Prefiro a leveza do fluir do rio pensante a correr entre pedras do meu pensamento. O pulmão do meu pensamento gosta de sentir e respirar o ar puro e leve da liberdade, do escrever o que quiser escrever, da forma que quiser escrever, quando quiser escrever. Sem o peso da obrigação de ter que seguir um único caminho. É isso! O prazer não está em trilhar apenas o mesmo chato caminho, mas de descobrir novos caminhos quando justamente nos perdemos pelos caminhos da reflexão.

    Para isso se há de ter a liberdade das montanhas, vales, florestas, de voar como um águia que faz se voo pelo céu em plena liberdade. Arranque suas asas e veja se pode ao menos ser ainda chamada de águia em sua plenitude. Sou como um peixe que precisa dos rios e mares para nadar com prazer. Odeio aquários que me limitam e me prendem num mesmo fluxo de agua sem movimento, sem novidade. Vida, mesmo a vida dos pensamentos a de se ter espaço, vazio, a leveza e a beleza do movimento e da novidade.

    O ato criativo do pensamento para dizer “haja luz” precisa haver a escuridão e o vazio. O pensamento para ser criativo em seu ato de pensar, de criar, de escrever, precisa estar solto das amarras e dos grilhões muitas vezes da faculdade. É uma pena que o lugar que deveria favorecer a criatividade, liberdade e autonomia seja conduzido por “normas acadêmicas” (ABNT). Nesse sentido prefiro a “pedra” no meio do caminho, porque assim o que continua a andar livre são os meus pensamentos, pois tenho que parar, nem que seja por um breve tempo de escrever os trabalhos da faculdade...por isso posso dizer – parafraseando Drummond – que “no meio do caminho tinha uma tendinite, tinha uma tendinite no meio do caminho”. (risos)

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  • 11/09/15--18:36: Lealdade
  • Por que são assim as pessoas? E esta pergunta não é retórica. Gostaria mesmo der ter a resposta. Num mundo tão densamente habitado, tantas singularidades entre cada um de seus mais de sete bilhões de moradores, e mesmo assim, plural em outros pontos. Talvez plural não seja nem o termo correto, diria que é mesmo uma unanimidade. 
     

    Insistimos em tentar mudar, ou mesmo moldarmos as pessoas que nos circundam, mas quando achamos que estamos tendo sucesso na empreitada, um balde da mais fria água nos é jogado ao corpo nu e quente, exacerbando a sensação de dor, aquela dor que nos dá vontade de gritar os mais inapropriados palavrões, como se só isso bastasse para amenizar o sofrimento.

    Quando foi que a lealdade deixou de ser importante? Outra pergunta que ficará sem resposta. Ao que me parece, o homem não abandonou seu estado de natureza, e contínua acreditando que não se deve acreditar no outro, que a melhor defesa é sempre o ataque prévio. Não estou falando de guerra bélica, mas sim, uma guerra que se trava constantemente nos recônditos de cada um de nós. Não sou diferente, por mais que reflita a respeito do assunto.

    A decepção com o outro ficou, creio eu, cicatrizada em nosso DNA por milhares, para não dizer milhões de anos, e assim ficará, sempre, como uma lembrança inconsciente de que não devemos baixar a guarda nunca. Há mal nisto? Talvez sim, talvez não, a tragédia é que por mais que nos protejamos, a dor virá inexoravelmente, e pegará de jeito até o melhor e mais preparado de todos os lutadores.

    É tudo uma questão de adaptação aos tempos modernos, aceitação de um mundo extremamente competitivo, onde aquele que puder oferecer mais será o escolhido em detrimento de um outro que não se dispôs a dar o máximo do máximo de si. E o perdedor contemplará a vitória de seu adversário talvez vislumbrando um futuro onde o campeão também será substituído por um outro melhor. Alto engano? Talvez, mas faz cessar parcela ínfima da dor.

    Lealdade existe? Não sei! Pelo que acabei de escrever acima, depreende-se que não. Aquela lealdade que fez com que pessoas morressem uns pelos outros. Uma fidelidade de um tempo em que não era necessário exigir a cabeça à espada do algoz, simplesmente ela era oferecida. Mas será que era lealdade ao outro ou à si mesmo e suas convicções filosóficas ou religiosas? Tantas perguntas faço, e sem respostas continuo.

    É provável que seja ingênuo, me comportando como uma criança que não cansa de perguntar porque realmente não sabe a resposta. E é isso mesmo! Eu não sei responder às minhas próprias questões. Isto é filosofar? Acho que sim. Filosofar é viver, e viver não tem sido muito fácil para quem pensa, e sofre por não entender as coisas que gente grande não quer explicar. Talvez porque não saibam também.

    Já disseram “eu sei que nada sei”, mas sabia sim, e muito, a verdade é que não queria ver ou não queria que notassem que sabia. Eu ainda não desisti de confiar nos outros, mesmo sabendo que são eles o inferno que habita em nós, e certamente é por saber disso que não desistirei de encontrar respostas para as perguntas que faço hoje, agora.

    Quero muito o conforto de um aliado que morra comigo numa luta que nem seja nossa, ou seja apenas nossa. Quando procuro nas expressões, na linguagem corporal, ou facial uma pessoa que esteja disposta a pensar como eu penso, algo me manda parar em frente um espelho a admirar meu achado, o reflexo de um rosto que coadune das minhas ideias e das minhas expectativas para um futuro tão incerto. Nem sempre gosto do que vejo.

    Apenas sei que esta pessoa ali, parada em minha frente, nunca traiu a si mesmo, nunca foi contra sua consciência, por achar que não era saudável fazê-lo. Esta pessoa vê o mundo pelas mesmas lentes que eu vejo. E o melhor, há uma reciprocidade entre eles, pois ambos sofrem as mesmas dores e têm as mesmas perguntas….todas sem resposta alguma.

    Edson Moura

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  • 11/10/15--07:36: Melhor dia da minha vida



  • Por: Marcio Alves

    Foi na quinta-feira passada. Resolvi arriscar e ir aonde considero como um verdadeiro “templo”, lugar “sagrado” para mim. Fui a livraria. A uma baita livraria diga-se de passagem. Com música ambiente e tudo o mais que uma boa livraria tem direito. Peguei um livro do Rubens Alves e outro do meu escritor e filosofo favorito: Nietzsche. E o livro que mais gosto no mundo: “Assim falava Zaratustra”.

    Mas antes de ter escolhido esses dois livros para ler, percorri a livraria inteira, me deliciando com todos aqueles livros. Parecia até um “banquete” de tão gostoso que estava. Digo gostoso em todos os sentidos: visão – de olhar todos aqueles livros nas prateleiras, por ordem de assunto que ia desde as poesias que aprendi com a alma me refrescar até os mais indigestos que era os acadêmicos.

    Tato – como foi prazeroso poder pegar nos livros, folhear as páginas com todos os seus capítulos, de sentir com o tato o contato com as capas dos livros. A quem diga que os livros em papel estão condenados a acabarem por conta de todo avanço na tecnologia, mas eu digo: para mim os livros em papeis são “eternos”, claro, enquanto eu viver, pois o prazer de pegar, sentir e folhar entre os dedos as páginas de um livro é muito maior do que ler em Pdf ou Word no computador, tablete, celular ou qualquer outra tecnologia.

    Olfato – isso mesmo que você leu! Como é prazeroso sentir o cheiro das páginas de um livro. Eu particularmente gosto muito de sentir aquele cheiro subindo das páginas novas de um livro. Audição – como gosto de ler em voz “alta” para que eu consiga ouvir meus pensamentos enquanto leio o livro. Claro que por estar em uma livraria, procurei um canto mais isolado, e como era dia da semana, à tarde, estava vazio a livraria, pude ler em voz baixa, mas audível, de mim para mim mesmo.

    Mas você pode perguntar: você falou dos sentidos que você utilizou e nos prazeres advindos dele de ir na livraria e estar em contato com os livros, mas faltou o paladar...onde entra o paladar? Aí meu amigo vou ter que ser bem criativo e me valer do poeta Rubem Alves quem disse que era antropófago, que devorava os livros, pois segundo outra poeta Murilo Mendes o material que é utilizado para se escrever um livro é nossa própria carne e sangue, e com ele, há de concordar Nietzsche – na verdade eles é que concordam com Nietzsche, pois ele foi o primeiro a dizer isso.

    Então, por tanto, sou também antropófago, pois os livros são para mim verdadeiro alimento e verdadeira bebida, e as livrarias, são oásis em meio ao deserto da angustia da vida. Nesse dia, ao saborear e ler os livros com todo meu corpo, alma, mente e coração, foi como se um balsamo caísse sobre mim me curando e aliviando a minha ferida mortal. Fiquei por umas 5 horas consecutivas. E nesse dia, não fui visitado pela “dama” da angustia, do pânico e depressão.

    Como já estava vivendo no inferno a quase dois meses, tendo todos os dias crises muito forte, naquele dia não ter nada, apenas o prazer da companhia dos livros, não tive a crise, e isso foi para mim como um verdadeiro refrigério na minha alma tão sofrida. E isso tudo ouvindo uma música muito boa ao fundo. Em umas das canções foi tocado Tim Maia e a música que meus ouvidos consideram uma verdadeira poesia e obra de arte: “Azul da cor do Mar”.

    Quando chegou na parte da letra dessa música que ele faz uma verdadeira poesia, onde ele diz que:
     “Mas quem sofre sempre tem que procurar
     Pelo menos vir achar razão para viver
    Ver na vida algum motivo pra sonhar”.

    Eu me desmontei, e as lagrimas vieram, pois, essa música conversou diretamente com a minha alma sofrida. Nesse momento pensei: achei algo que me ajuda a viajar, pois os livros, principalmente de literatura e as poesias são verdadeiras viagens, me tirando por um momento dessa realidade nua, crua e sofrida, me levando diretamente ao universo dos sonhos.

    Na verdade, na vida, precisamos e temos muitas ilusões, verdadeiras alienações – não vou alongar esse assunto aqui, porque daria outro texto – para anestesiar um pouco o sofrimento, sendo que para mim, um dos mais sublimes encantamentos é a música e os livros. Juntando esses dois para mim se tornou naquele dia o “Melhor dia da minha vida”!

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    Por: Marcio Alves

    Não acredito em Deus. Então como faço para lidar com a angustia? Simples: tomo remédio, faço terapia, leio livros, busco forças na amizade, procuro sentido na família, nos filhos, nos prazeres e alegria da vida. Também não creio que se cresse em Deus não teria angustia. Explico: a angustia me acompanha desde os tempos em que era crente fanático. Aliás: conheço vários crentes que tem problemas psicológicos, que precisam tomar o tão “temido” e “discriminado” remédio.

    Isso não faz com a pessoa – crente ou não – seja menos humano, mas justamente pelo contrário! É no sofrimento que se faz o humano, pois o mundo não é e nunca foi um conto de fadas, mas um lugar incerto, perigoso e sofrido de se viver, e o sofrimento uma escola, não desejada, mas necessária para se fazer o humano ser “demasiado humano”. Claro que há beleza, prazer, alegria e sentido no mundo. Mas para quem – como eu – que não consegue acreditar que existe um Deus-pessoa-humano lá no céu olhando e se comovendo conosco, o sentido, como tudo que é belo, prazeroso, alegre, é justamente extraído das pedras!

    Essa expressão de “tirar sentido das pedras” foi construída pelo filosofo Pondé, mas para mim faz todo sentido, principalmente para quem não consegue acreditar em Deus. Sempre dizem que a pessoa que é ateu é ateu até o avião cair com ela dentro, mas o meu “avião” caiu faz tempo e nem por isso apelei aos céus e a Deus por ajuda. Muito pelo contrário! Vivi como vivo o que tenho que viver, no sentido de vivenciar o sofrimento em sua forma mais crua, mas nem por isso deixo de ter esperança e fé na vida, no futuro, em mim, nas pessoas e no mundo!

    Cada vez mais o que sobra de quem não acredita em mundo paralelo, em um céu cor de rosa, em um Deus humano ou Deus-Deus – não importa a definição que dê para Deus, continuo descrendo – é o mundo tal como é que precisa ser construído e resinificado, e que seja dado um sentido para ele. Pelo mundo justamente não ter sentido pré-dado por um ser espiritual é que precisamos nos erguer como homens, no sentido de humanos “demasiados humanos” – com suas ambivalências e imperfeições –  e fazer nosso caminho enquanto caminhamos.

    Acabou minha fé em Deus celeste, mas não foi por isso que me veio essa maldita angustia, e nem por isso ela continua...ela veio e continua em mim e eu nela, porque sou humano e como tal imperfeito, fraco e doente...doente de uma doença mortal chamada finitude em que todos nós um dia vamos morrer. Não preciso de Deus, embora como futuro psicólogo respeite a importância da religião na vida das pessoas.

    Contraditório? Sim! Mas quem disse que não somos seres contraditórios? Sei a importância e valor milenar da religião e respeito quem faz uso dela para na vida encontrar sentido para levantar da cama todos os dias, mas para mim hoje ela não faz mais sentido. Digo hoje, porque um dia fez sentido, e mesmo assim, lá estava ela: a angustia do ser que é angustia mergulhado na angustia de viver.

    Deus como a religião e toda sua crença, sistema de fé, de sentido, de organização do mundo, não foi suficiente para impedir de que a angustia tenha vindo me visitar. Crente que diz que por eu ter perdido e abandonado a fé foi a causa da minha angustia não merece ser por mim levado a sério. Crente por ser crente não deve se fazer de máquina e abandonar o humano que é, e tal qual, a angustia que faz parte de sermos humanos.


    Minha mais sincera admiração, para quem mesmo com a fé consegue ainda ser humano que reconhece que ser humano é isto: passar por sofrimento, por crise, as vezes por angustia e tudo o mais que a vida nos reserva como humanos que somos e no mundo como tal vivemos. Com Deus ou sem Deus na vida teremos sofrimento, mas cada qual encontra forças e sentido de lutar e viver, seja com Deus ou sem Deus, com angustia ou sem angustia....eu encontrei o meu sem Deus e com angustia e você?

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    Por: Marcio Alves

    Mais um “dia de merda” nessa “merda de dia” que preciso encarar. A bem da verdade não é bem um “dia”, mas um momento no dia que se dá de dia. Entendeu? Não? Explico: todas as manhãs é a mesma sensação que me acompanha de muito medo de sair da cama para encarar o meu dia que parece ser “eterno” pelo tamanho do sofrimento que nesse momento sinto.

    A expressão “dia de merda” é porque não aguento mais todo dia acordar de manhã com essa sensação de que o dia vai ser longo e que preciso desesperadamente encontrar coisas para distrair minha cabeça nessa luta monstruosa e constante que tem sido enfrentar essa angustia de viver. Suicídio em um (por um) “dia de merda” não vale a pena. Mas e uma vida com vários “dias de merda”? Hoje digo que “não”, mas já disse “sim” algumas vezes, quando o “dia de merda” era também “noite de merda”.

    Encontrar, criar ou reinventar buscando coisas para fazer que venham construir uma espécie de “escudo psicológico” para que essa angustia de mais um “dia de merda” não vir me pegar, tem sido uma tarefa inglória e desprazerosa, pois já entro numa luta com a sensação de já estar derrotado, de já estar literalmente derrubado na lona da vida, boxeado pelo absurdo da falta de sentido da vida.

    Essa sensação dolorida de perder uma batalha antes de lutar se dá pelo fato do peso angustiante que é buscar o prazer e a distração a qualquer custo, como se isso fosse um caso de vida ou morte. Pois é justamente essa sensação que a angustia me deixa: com um angustiante pavor, com um medo irreal como se minha vida estivesse em risco de morte mesmo.

    Escrevi ontem um texto que falava de criar sentido, que a vida não é só sofrimento, intitulado de “Com Deus e a angustia – sem Deus e a angustia”, onde falo que há beleza, prazer e alegria na vida sim ou “apesar de” ou ainda “também, mesmo que”...pois é...menti? Claro que não! Porque é que escrevo me contradizendo agora? Parecendo que a vida é uma merda? Simples: O Marcio de ontem no momento que escrevia o texto de ontem não é o mesmo Marcio de hoje, mais precisamente de agora – as 8 horas da manhã em que acabo de despertar e escrever esse texto.

    Bem-vindo ao meu universo que tenho vivido ultimamente...universo de contradições, de sensações, pensamentos e emoções contraditórias...assim sou eu...talvez a tarde escreva um texto completamente diferente deste? Pode ser...tenho aprendido na pele, corpo e mente que não somos os mesmos, que sempre estamos em constante mudança...meu problema (doença?) é que as minhas são velozes e intensas, como uma verdadeira “montanha russa” que mais parece desgovernada, e, por isso essa angustia tão dilacerante.

    Motivos para estar assim? Você pode me perguntar. E eu respondo honestamente: não tenho nenhum...pelo menos se compararmos com aquelas pessoas que sofreram aquela fatídica e desumana tragédia da enchente em rejeitos das barragens da Samarco no Espirito Santo, que perderam família, casa, emprego e tudo o mais...mas, talvez por isso a angustia seja tão foda de suportar: Aparentemente não tenho motivos para estar vivendo esse “dia de merda” – ou “momento de merda”, para ser mais exato – é irracional, eu sei, meu estado...mas essa não é a vida e o humano? Racional e irracional como sendo dois lados opostos de uma mesma moeda? Como diz o ditado que para morrer basta estar vivo? Pois é...para ter angustia, sofrimento, falta de sentido, basta nascer.

    Meu Deus me ajuda! Esqueci que não acredito em Deus. Meus amigos vêm me ajudar! Mas eles não podem estar comigo fisicamente 24 horas. Eles têm a vida deles e eu a minha e esse “dia de merda”. Talvez por isso Deus seja a ilusão mais forte, e que é a mais recorrida na vida pelas pessoas? Um ser espiritual projetado e introjetado na psique humana como pai que está conosco sempre em todos os momentos? Que nos ama incondicionalmente?

    Pensar assim ajuda quem acredita, mas para quem não crer é preciso se levantar com suas próprias pernas e continuar insistindo teimosamente em viver mesmo que a vida esteja tendo “dias de merda”...mas a certeza e esperança que tenho é que essa sensação é só por algumas horas, pois logo, logo, hoje ainda mesmo, vou ter instantes de leveza na alma, de prazer e alegria, como, por exemplo, escrever este texto mesmo sentindo que estou caindo no abismo da angustia.

    Mesmo assim, reconheço e tenho a consciência que me ajuda a superar a todo dia essa angustia em sair da cama buscando sentido para além da vida que estou vivenciando no momento, é que estou cada dia melhor, pois mesmo mergulhado no oceano da angustia, consigo a todo momento e por mais tempo cada vez mais, colocar minha cabeça para fora d'água, respirar um ar mais esperançoso e otimista, e recuperar as forças para continuar nadando mesmo contra as correntezas da vida, rumo a praia ou pequena ilha do alivio, do encontrar/construir sentido mais uma vez.

    Infelizmente certo das incertezas de que na vida as ondas do mar da angustia podem até novamente tentar me arrastar para o fundo desse mar tenebroso ao mesmo tempo encantador que é a vida, mas tenho experiência e forças suficiente para sempre tentar sair novamente de lá, transformando minha vida de “dia de merda” em uma vida que tenha também diamantes, mesmo que estes ainda estejam sujos pela “merda de dia do dia de merda”.

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    Por: Marcio Alves

    O corpo carrega marcas nunca totalmente apagadas de vidas vividas. Vidas belas como vidas sofridas. Vidas em angustias. A sabedoria no corpo vem dos sentidos aguçados pelo provar da vida. Mel e azedo, eis o que o corpo prova. De tudo o que fica no corpo fica a sabedoria da existência da vida pela vida.

    Parafraseando o poeta: o corpo tem razões que a própria razão desconhece. Nascemos com um corpo, somos corpo, a mente pensante vem depois misteriosa e complexamente através do convívio do corpo, da experiência do corpo, embora já nasçamos com a semente da arvore pensante em nós, ela brota e se desenvolve num corpo.

    O corpo sabe mais e a mais tempo o que a razão depois tenta entender com seu limitado conhecer. Corpo é uma esponja que absolve a vida. Vida no corpo, mente no corpo, alma no corpo? Alma sem corpo é fantasma, assombração, dessa vida se não poder levar o corpo para que serviria ainda o viver?

    Com o corpo vem o sofrer, mas vem também o prazer. Pelo prazer é que vale a pena a vida mesmo com sofrer. E a memória no corpo que registra mesmo com o passar do tempo o que deu alegrias no seu viver. A mente tenta entender a sabedoria do corpo que sabe mesmo sem entender o que é a vida em seu viver.

    O corpo prova e conhece o mundo através dos seus sentidos. A morte do corpo é a morte eterna de uma mente presa em um corpo com memorias e lembranças de saudades de alegrias e tristezas, prazeres e sofrimentos. Vivencias de angustias são pelo corpo superadas numa vida que vive a existência sem medo do sofrimento que embeleza uma vez superada.

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  • 11/13/15--07:18: Medo!



  • Por: Marcio Alves

    Medo! Palavra esta que mais me causa medo nesses últimos dias! Mas, medo do que afinal de contas? Talvez você me pergunte. E eu respondo: medo que sei ser irreal...irracional...mas que por isso mesmo é incontrolável...desesperador. Medo do medo já é em si mesmo medo. Medo de sentir medo é isso! E esse medo sem razão aparente é uma doença. Por isso ela é uma doença. Doença do medo. Se tivesse razão do porquê de ter, de ser possuído por esse medo, não seria uma doença, pois teria justificativas racionais, logicas e coerentes para tanto medo.

    Medo angustiante. Avassalador. Assustador. Parece até um monstro. Monstro este que me dá a desesperadora sensação de que está à espreita, como se eu estivesse em uma escura floresta e ele, o medo, estivesse lá, atrás de uma arvore, se preparando a qualquer momento para aparecer e me pegar, dando aquela sensação de arrepio, de frio subindo na espinha. Medo que me consome por dentro. Que rouba, suga todas as minhas energias psicológicas e físicas. Haja energia para dar conta de me proteger desse medo!

    Medo invisível, sem forma, cor e cheiro. Medo interno. Medo não palpável, não concreto. Se houvesse um inimigo externo causador desse medo seria mais fácil para que eu me defendesse, pois poderia também atacar. Não dizem por aí que a melhor defesa é o ataque? Como o inimigo mora dentro de mim, minha única arma é minha mente. Mas como atacar se minha mente está doente?

    Por isso nesse momento agudo dessa fase da depressão e síndrome do pânico, é fundamental a ajuda dos remédios. Remédios esses que são coadjuvantes na minha recuperação, porque, o protagonista decisivo sou eu mesmo com a minha mente! Isso é terrível! Pensar que os remédios, terapia, amigos, distrações são importantes, mas continua sendo “apenas” muletas, me dá mais medo de que o medo venha – e esse medo do ter medo é o convite, a porta aberta para que o medo entre! – porquê depende principalmente de mim que estou vulnerável nesse momento.

    É foda viver assim. Sem ver o inimigo. Sem saber quando será seu próximo ataque. Viver assim se sentido fraco, vulnerável, desprotegido, sentindo que você não detém o controle, mas que está sendo justamente controlado, como se o meu eu fosse uma simples marionete nas mãos do Sr. medo. Medo esse que para mim é uma consequência sintomática da angustia, que por sua vez, em minha frágil e temporária autoanalise, advém do medo do abandono, do estar justamente sozinho.

    Nesse sentido – do medo do abandono, do estar só – o pior medo é quando justamente tem alguém contigo e mesmo assim o medo surge. Surge de onde? Da sensação de que por mais que as pessoas que me amam verdadeiramente estejam juntas comigo, elas não podem dividir essa minha carga da angustia da sensação de desamparo, que por sinal, é explicado pela psicanalise como expulsão do primeiro paraíso uterino, ou seja, o primeiro desamparo que nós seres humanos sofremos é o desamparo de sair da barriga de nossa mãe.

    Uma das coisas mais terríveis de sentir esse medo avassalador e incontrolável é a reação no meu corpo. Vou usar uma metáfora para explicar os sintomas do medo que sinto: é como se meu corpo fosse uma lagoa onde um menino atira uma pedra, e a lagoa faz aquelas ondas, pois da mesma forma é assim que sinto, quando a crise de pânico atira a pedra do medo na minha mente, o meu corpo fica tremendo, como se tivesse levando choques.

    Sinto ele fraco e dolorido, como se tivesse levado uma surra. Surra do medo. Como se não bastasse isso, sinto também em decorrência desse “gatilho” disparador que sempre inicia com uma pequena ansiedade, uma anestesia na minha face, um formigamento nas minhas mãos, pernas e pés. Então isso é que é o ataque de pânico que tanto estudei nos inúmeros compêndios da psicopatologia?

    Lá nos livros é muito menos assustador e sofrido do que na vida real. Uma coisa é ler sobre o medo outra muita além é ter, e mais do que ter é viver e ser totalmente puxado para o abismo do medo. Todo dia vem esse medo que quer tirar minha esperança. Mas alguém já disse que coragem não é ausência de medo, mas justamente o contrário! A única coragem que reconheço é de ter o medo e mesmo assim o enfrentar

    É como se o que me desse medo fosse pular de paraquedas e mesmo assim eu criasse coragem e pulasse! Só que nesse meu caso tenho a consciência de que “estou doente” – “estou” e não “sou”, no sentido de ser momentâneo, porque se não tivesse a certeza que o conhecimento como a pratica da vivencia me dão, de que esse transtorno pode ser sim controlado e muito bem cuidado, amenizado e até as vezes eliminado – não para sempre, porque pode haver recaídas se não manter o tratamento como prevenção, até porque na vida não temos garantias de nada mesmo – com certeza cometeria suicídio!

    Sendo sincero como até aqui tenho sido – diga-se de passagem, não apenas honesto, mas visceral, no sentido de rasgar minha alma nesses meus textos – não sei bem se é coragem o que tenho, pois para mim é muito mais uma questão de sobrevivência. Ou eu tento aprender a conviver e vencer todos os dias esse medo ou então acabou a vida para mim literalmente! Por isso mesmo, preciso primeiramente por mim mesmo, depois por minha família e amigos que me amam que estão me ajudando a sair do fundo desse poço, a continuar dia após dia sobrevivendo, até porque isso não é viver a vida.

    Tenho a (ilusão?) esperança de que vou sobreviver até que um dia volte a viver novamente a minha problemática vida, mas sem essa doença do medo. Não o medo, como reação natural e normal do nosso organismo que como instinto faz com que nós venhamos reagir a uma situação concreta de vida ou morte, mas antes, da doença do pânico que gera medo que vem da angustia que vem do abandono que vem do desamparo...será o desamparo o “chão do abismo”, o “fim da linha” da falta de sentido?

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  • 11/16/15--10:49: "mea maxima culpa"
  • "Quando um cientista, ou um químico cria algo e este algo acaba gerando efeitos colaterais causando algum mal, esta pessoa é punida pela comunidade científica e mais ainda pela sociedade. Vê seu nome arrastado pela lama e dificilmente conseguirá acabar com o preconceito ali estabelecido. Pois bem, partindo desta lógica, esta aplicação deveria ser regra de vida para todos, ou seja, quem erra assume seus erros e a punição não deveria passar da pessoa do condenado.

     
    Mas aí é que começa a discussão filosófica. E vocês entenderão depois de eu apresentar os fatos. Partindo do pressuposto religioso de que deus criou todos os homens e concomitantemente todas as coisas que existem fica impossível não fazer uma analogia. 

    Está mais do que provado que o homem é um ser falível seja biologicamente ou moralmente. E quando paramos para pensar que um ser perfeito como deus deu origem a um ser imperfeito como o homem, como poderíamos jogar a culpa nos ombros da criatura? Ora, é sabido que se um sujeito cria um Pit Bull desde filhote e este se torna um cão agressivo e em determinado momento ataca alguém, esta pessoa responderá pelos crimes de lesão corporal cometidos pelo animal.

    Então é correto afirmar que chegamos à conclusão de que as falhas do homem não são culpa sua e sim daquele que o criou cheio de defeitos. Este é o primeiro golpe que a divindade leva nesta luta no campo das conjecturas. Ele falhou! 

    Mas há quem diga que ele se redimiu, enviando um salvador para a humanidade. Um ser que, este sim, seria perfeito, sem máculas, sem pecados, totalmente ético e moral, e este inocente será punido por todos os males que a humanidade causou. Novamente, nada mais repulsivo do que tentar consertar um erro com outro erro. Punir um inocente pelo erro de outrem. Isto sim nos afeta moralmente, ora, por sabermos que alguém já foi punido por um erro que cometemos e pelos erros que possivelmente cometeremos, creio eu, geraria uma deformação no caráter de qualquer pessoa minimamente inteligente.

    E se este raciocínio dialético é de certa forma uma capacidade dada por este ser criador, novamente a criatura não poderia ser punida por pensar de forma tão distorcida, neste contexto fático, a culpa regressa a Deus, num ciclo vicioso interminável.

    Então surge a pergunta: "Será mesmo que ter Fé, e atribuir nossos erros a outro, nos guarnecendo de uma graça advinda dos céus não seria uma fuga da responsabilidade de nosso atos?"

    E outra pergunta tão importante quanto esta outra é: "Por que seria o ateu considerado uma escória na sociedade? Quando geralmente a única atitude que ele toma é assumir seus erros e arcar com a responsabilidade de suas ações, sem atribuir as vitórias a Deus e as derrotas ao diabo?"

    Ser ateu, antes de mais nada, não tem nada a ver com a negação do Deus dos outros. Via de regra o ateu pouco se preocupa com o quê ou em quê os demais creem, ele simplesmente aceita que no processo evolutivo foi desprovido de algo que o permitiria encaixar-se no mundo ideal dos que acreditam. assumindo assim um fardo que terá que carregar até o fim de seus dias. é possível que neste processo ele sofra uma metamorfose e que passe a entender que mudar é preciso, e que por mais que não haja alguém o vigiando todo o tempo, alguns atos não devem ser praticados, pois feririam os outros, e ele teria que aceitar na hora que a punição viesse.

    Ser ateu é ser responsável! Não só por si mesmo, mas também pelo outro, pelo mundo. Este mundo que segundo dizem os que creem, pertence ao maligno, o que na minha opinião já é por si só um contrassenso, uma vez que todos negam a este esperando por um outro melhor, descido dos céus, mas eu pergunto: "Alguém quer deixá-lo?"Óbvio que não. Todos querem ser curados de seus cânceres, inclusive pedindo a cura a Deus, para viver no mundo que pertence ao Diabo, rejeitando assim o convite natural de viver com o Pai que os criou. 

    Difícil entender, quando nos dispomos a refletir sobre o tema,

    Edson Moura

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    Por: Marcio Alves

    São os lugares que mais despertam as minhas memorias e lembranças adormecidas.  Memorias boas como as más. Depende, claro, de como você lidou com as situações passadas e agora lembradas do que apenas da situação em si. O sentido que quero dizer é que você pode mesmo em meio as memorias doloridas extrair delas coisas significativas, aprendizagens construtivas. Embora nesses últimos meses tenho tido memorias terríveis, memorias de total angustia e desespero, quero nesse momento lembrar das memorias deliciosas da vida mesmo em meio as memorias de angustia.

    Como é uma sensação agradável, prazerosa e alegre poder voltar as suas próprias origens. Como é bom relembrar as histórias vividas que foram marcantes: Sensação de ter vivido a vida e não apenas de ter visto ela, como um mero observador, a passar, sendo por ela vivida (ou “engolida” pela angustia) – ou ter que apenas a sobreviver dia a pós dia.
     
    Estava indo em direção a Itapecerica da Serra quando passei pelo bairro do Valo Velho. Olhando as lojas reconheci duas que ainda estavam lá, e um mercado de anos atrás permanecia o mesmo. Com a mesma marca, formato e pintura. Que alegria quando voltamos a um lugar que durante anos vivíamos e ver que algumas coisas e lugares, ruas e casas, continuam o mesmo!
     
    Quando era criança, na fase de transição para a adolescência, ia quase todos os dias para uma igreja que lá tinha e que ainda tem! Passei muitos anos indo para lá. Frequentei até mais ou menos aos 20 anos da minha vida, ou seja, durante uns 10 anos. E como mexeu com minhas emoções quando recordei através daquelas imagens de lugares, ruas e lojas, tudo que passei e vivi.

    Lembro de uma em especial: costumava ir ao monte da Luz chamado “Irmãos Menonitas” passando perto do Valo Velho. Como era assombroso e belo subir aquele monte de madrugada para orar. Dava para ver de lá as estrelas no céu brilhando de forma magica – hoje procuro na imensidão do céu, estrelas, para mostrar para o meu filho, mas é difícil de encontrar morando numa cidade como de São Paulo, cheia de arraias céus e luzes. As estrelas para brilharem mais intensamente precisam da escuridão, da mesma forma é a vida: parece que quanto mais tenebrosa e escura for a noite de sua vida, mais estrelas a brilhar terão.

    Lembro com uma triste alegria que em uma das vezes que saia do monte, estava caminhando com uma menina de quem eu gostava muito, também crente, estávamos bem atrás do grupo do qual fazíamos parte, e dei um delicio beijo em seus lábios! Que pecado mais belo e gostoso! As lembranças pertencem ao mundo encantado da magia, tendo o poder de nos transportar e elevar para além do presente, retrocedendo o tempo de nossa história. Essa é uma das formas mais incríveis que conseguimos de voltar ao nosso passado.

    Que vontade e aperto no peito de voltar a viver o que lembrei! Ah se pudesse voltar ao passado de minhas histórias, faria uma visita a mim mesmo. E o que eu próprio me diria? Diria a mim mesmo que a vida é feita muito pouca de momentos bons e felizes, e que por isso, devem ser vividos de maneira intensa como se nunca mais fossem voltar a se repetir – como nunca se repetem mesmo!

    Diria para eu aproveitar mais a infância que é o momento mais belo, alegre e leve da vida. Diria para não me preocupar tanto com o futuro, para viver mais os momentos do presente. Diria que chegaria o momento em que o presente “futuro” em que vivo hoje seria muito sofrido, com muita angustia, que um dos meus poucos consolos no futuro “presente” seria lembrar do passado, principalmente da infância.

    Diria que naquele dia do meu “pecado mortal” na crença em que eu acreditava, em que beijei minha “irmã” crente no caminho na volta das orações no monte, que justamente aquele doce, belo e inocente beijo era a vida na sua forma mais plena e viva! Diria para beijar naquele dia a minha “irmã” e cumplice do meu “pecado” com mais volúpia sem medo e culpa de um deus que me mandaria para o inferno por causa disso.

    Diria para naqueles dias de maior desespero e angustia, para não pensar e desejar o suicídio. Que a vida infelizmente não é segura, que o mundo não é um conto de fadas, que não vivemos em uma fortaleza de aço, que não temos garantias de que não vamos sofrer, mas que nem por isso a maior parte das pessoas se matam, mas pelo contrário!

    Embora o suicídio exista e sempre haverá pessoas em total desespero que busquem acabar com seus sofrimentos acabando com suas vidas, vale a pena continuar vivendo. Diria ontem o que sei e creio hoje e que levarei para o resto da minha vida: que a essência da vida está justamente nas crianças e no seu brincar, sem preocupações, falsas morais, vivendo intensamente o “aqui e agora”, como brilhantemente desenvolveu esse pensamento Nietzsche.

    Que justamente Jesus disse que “das crianças é o reino dos céus”, não no sentido religioso, de que precisamos imitar algumas características da criança para entrar num céu literal sem graça de ruas de ouro e cristal. Diria para me desfazer dessa crença absurda que carreguei por muito tempo na vida. De que hoje, pelas lentes Nietzschianas, compreendo que Jesus aponta para a essência da vida que está nas crianças, e, que, o reino dos céus é um reino no aqui e agora, das bem-aventuranças de viver a vida e nada além disso.

    Enfim, diria que com o tempo conseguiria e aprenderia conviver suportando a angustia. De que ela não mata. De que ela foi necessária para que eu valorizasse realmente aquilo que na vida é o mais importante: Uma vida vivida com prazer, alegria, amor, inocência, liberdade, criatividade, espontaneidade e amizade, e que depois daria para viver uma segunda vez relembrando alegremente desses momentos significativos através das memorias!

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    Por: Marcio Alves

    A TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) tem estratégias (técnicas) que ensinam como lidar diariamente com a depressão e a angustia decorrente dela. Entre as técnicas, existe aquela que é chamada de "Planejamentos de Atividades Diárias". Um dos objetivos dessa técnica consiste na pessoa que está com depressão planejar organizando todas as suas atividades para o dia seguinte ou até mesmo semana.

    Essa técnica é realizada por um psicoterapeuta da TCC com o cliente, onde ambos vão trabalhar em conjunto. O objetivo é que a pessoa que está passando por um momento delicado de depressão consiga – vou usar a expressão do “povão” mesmo, como também vou me valer de poesia, até porque isso aqui não é um trabalho com rigor acadêmico – se distrair, sair um pouco de seu cinzento, sem cheiro e cor, triste mesmo, mundo interno que está afundado em depressão. Não. Esse não é mais um texto daqueles “chatos” com palavras cientificas. Também não é meu proposito aqui falar detalhadamente sobre essa técnica, nem muito menos da TCC.

    Vou escrever – como tenho escrito até aqui – dentro de um “túnel” escuro e angustiante, para justamente ver se mesmo lá dentro, encontro alguma luz, ainda que seja só no final desse túnel. Eu como ultimamente tenho vivido em dois lugares, polos diferentes, o de ser estudante em psicologia que está terminando a graduação – falta agora menos de um mês para me formar – e o de paciente – estou com depressão e transtorno do pânico – tento em uma luta a me “obrigar” a fazer as coisas que planejei seguindo essa técnica por mim mesmo me auto aplicando.

    Até aqui isso não é o problema. Vivemos em um mundo que constantemente temos várias obrigações. O problema, no meu caso, na verdade são dois: A pessoa com depressão grave não consegue ver sentido nas atividades e o mais importante: não dá para se obrigar a sentir alegria nessas mesmas atividades, pois alegria é uma sensação da qual não temos o controle.

    A alegria é "livre", ela vem de repente, assim como que do "nada" da experiência humana, como se fosse uma obra do “acaso” dos acontecimentos da vida, como em um passe de mágica, ela te pega e arrebata, te levando para o céu de uma emoção única e transbordante.

    Muito embora, para que isso possa ter a possibilidade de ocorrer (ou acontecer mais vezes) é necessário que o seu “portador” (da alegria) esteja em condições psicoemocionais – como no meu caso que já perdura 2 meses, onde a depressão acompanhada da angustia e medo, tem morado dentro de mim, não dando espaço para a alegria ocupar, pois onde uma está a outra não pode estar ao mesmo tempo, sendo que o que sinto são instantes como se fossem relâmpagos de alegria que me pegam por alguns segundos.
     
    Então as vezes me canso de ficar lutando me “obrigado” a fazer as coisas por distração, com medo de que o monstro da angustia apareça para pegar. Fora que a momentos do meu dia que sinto que a angustia da depressão fica mais intensa a medida que tento justamente enganar ela, passando por cima, engolindo-a, ignorando mesmo, fazendo atividades que naquele momento de maior angustia não tem sentido para mim e com por isso sou engolido e consumido por ela (angustia).

    O que faço então nesses momentos mais intensos de angustia que não dá para a enganar? Simplesmente sento no sofá ou deito na cama, no lugar e posição que mais for confortável para mim naquele momento – se tiver muito forte preciso, não tem jeito, urgentemente deitar para descansar o meu corpo – tento relaxar, deixando a vir, me acalmando, buscando controlar minha respiração. Nesse momento é pior tentar lutar resistindo, o melhor a se fazer (única coisa?) é esperar 2 ou 3 horas para que ela diminua, para que ai sim, volte fazer alguma atividade.

    Uma experiência que me ajuda a aliviar o peso dessa angustia – claro, além de tomar os ansiolíticos para literalmente “apagar o incêndio” que queimam minha alma, auxiliando na diminuição sintomática da angustia e desespero – é ficar olhando para alguma arvore ou flor tentando relaxar não movendo o máximo que puder o meu corpo, ou seja, repouso total e absoluto, tanto para o meu corpo, como para minha mente.

    Não estou aqui desmerecendo e nem desprezando a tal técnica psicológica da TCC – até porque como psicólogo sei dos seus bons e efetivos resultados – pois como paciente, também tenho utilizado o planejamento. O que procuro refletir aqui nesse meu texto, sempre partindo da minha experiência é que a alegria é como o vento – para usar outra metáfora – ele escapa de nossas mãos. Mais importante do que qualquer atividade é a alegria, pois esse é um dos mais belos sentidos da vida.

    Percebo agora falando a partir do lugar de paciente é que a noite quando estou bem – sempre fico melhor a noite, tenho algumas frágeis percepções na tentativa de entender esse momento, mas isso fica para outro texto – faço minha lista de atividades me programando para o dia seguinte. O que tem ajudado a planejar minhas atividades para outro dia é que nesse momento estou mais disposto, animado – ou como sempre digo para os meus amigos que estou nesse breve momento "com" o bem-estar – sendo que as construções das atividades fazem sentido e me dão certo prazer de imaginar fazendo nesse momento de maior e único alivio.

    Mas no dia seguinte, no momento mesmo da vivencia mergulhado na angustia, depressão e até pânico, tudo que imaginei, planejei e até desejei para aquele dia, perdem o sentido e prazer, sendo que a alegria então nem se fala...parece que ela é um sonho distante e irreal. Se insisto em continuar mesmo assim fazendo as atividades, a sensação da angustia aumenta e sou obrigado a dar uma parada literalmente.

    Claro que antes, como depois da angustia mais intensa, eu faço algumas atividades que as vezes me dão pequeninos prazeres e, de vez enquanto relances de alegria. A também aquelas que mesmo não me dando certo prazer e alegria imediata, me dão outras sensações também importantes – como autonomia de sair de casa e resolver um problema, por exemplo – e que em decorrência dessa autonomia vem um prazer e alegria: o de sentir que estou melhorando a cada dia, como se fosse e é uma vitória dia após dia, momento após momento.

    Posso muitas vezes perder algumas lutas para ganhar outras (poucas), mas são justamente essas que eu ganho – até mesmo as pequeninas conquistas – que me dão esperança de um dia poder sair de uma vez do fundo do poço do sofrimento, mesmo que esteja ainda em passos de formiga!

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  • 11/19/15--07:44: Minha crise de “Leão”



  • Por: Marcio Alves

    De todos os pensadores que li durante toda minha vida até agora, meu predileto, indiscutivelmente é Nietzsche. Para mim Nietzsche é o maior de todos não apenas por sua filosofia, capacidade intelectual aguçada que se encontra acima de nós meros mortais, mas por ser o mais poético justamente dos filósofos. Tem a metáfora e parábola como armas do seu pensamento.

    Principalmente naquele que é considerado como seu último livro "Assim falou Zaratustra" que alguns dizem que ele já se encontrava "louco" nessa fase de sua vida quando escreveu esse livro. Mas não dizem por aí que a “genialidade anda lado a lado com a loucura”? Pois para mim Nietzsche foi louco justamente por ser gênio ou será que gênio por ser louco?...tanto faz: Na minha concepção Nietzsche é o que dizem na expressão popular "O cara".

    No livro "Assim falou Zaratustra" Nietzsche se vale da metáfora (ou parábola) das "três metamorfoses do espírito", onde, de acordo com minha frágil interpretação, de forma bem resumida, claro, – não é a minha intenção aprofundar nessa explicação e nem muito menos desenvolver uma biografia de Nietzsche – ele diz que todo ser humano ao nascer é um "camelo", onde sobre seus ombros é posto todo bagagem e peso cultural, familiar, social e grupal de valores e crenças. Depois muitos podem vir ou não, a se tornar leão no sentido de lutar confrontando esses mesmos valores, crenças, costumes e etc.

    Finalmente, pouquíssimos são os que consegue chegar aonde Nietzsche considera o suprassumo das metamorfoses: O transformar-se em criança. Isso mesmo! Não sou especialista em Nietzsche, mas um mortal pensador livre que arrisca a dizer que todo pensamento filosófico de Nietzsche esta alicerçado no pressuposto de que justamente na criança é que está o sentido máximo, puro, inocente e belo da vida, ou em suas palavras:

    "A criança é a inocência, e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação” (Nietzsche)

    Fiz todo esse processo – necessário – preparando o terreno para o que escrevo a partir de agora mergulhado na minha própria experiência de usar “meu sangue como tinta” (expressão Nietzschiana). Partindo do pensamento Nietzschiano dessas "três metamorfoses do espirito", quero me deter na fase que considero a que estou vivendo nesse momento de transição na minha vida: A de leão lutando para me tornar criança!

    Daí o título desse meu texto ser "Minha crise de Leão". Crise de "leão" no sentido de ter desconstruído valores que não foram meus. Que na verdade foram jogados nas minhas costas e eu como "camelo" acabei não tendo a liberdade de escolher, tendo que carregar, me arrastando pela vida a fora. Muito embora reconheça que até hoje há sim alguns (pouquíssimos?) valores que são “meus” no sentido de ter os desconstruído num primeiro momento, para novamente serem reconstruídos, mas agora, da minha forma, do meu jeito singular de ser, pensar, viver e de sentir.

    Hoje depois de muita analise considero ser essa desconstrução de ter dito “não” a muitos dos valores e crenças herdados sem ter colocado outros no lugar é que tem sido um dos gatilhos disparadores dessa minha crise que posso dizer ser também (porque não?) existencial.  Claro que não sou reducionista ao ponto de afirmar categoricamente que tem sido apenas isso, porque como estudante praticamente já formado de psicologia, sei muito bem que há múltiplos fatores que devemos levar em conta em toda crise.

    Todo transtorno – como toda vida humana por ser complexa – envolve aspectos que são chamados de "biopsicossociais"– pela antiga ciência moderna – e de “Eco-antropo-social” – pela ciência nova paradigmática. Não vou novamente me deter na explicação desses conceitos, porque aqui meu foco é outro, mas não dá para falar do humano sem abarcar a totalidade da qual ele faz parte e é ao mesmo tempo “atravessado” por ela, seja biológica, social, psicológica, neurológica, ecológica, antropológica e tudo o mais que nossos saberes buscam compreender, mas que nem de longe “arranha” essa espécie que considero ser a mais espetacular de longe no universo inteiro: o “humano, demasiado humano”.

    Enfim, são diversos fatores, sendo que a ideia de encontrar uma única causa numa visão linear caiu a muito tempo por terra. Hoje já se fala de causalidade circular. Mas não quero como não vou enveredar também por esse caminho – porque não tem sido esse meu propósito em meus textos e também, para ser sincero, não domino tais pressupostos ainda. Meu objetivo em todos esses textos é justamente fugir do academicismo que mais acorrenta o pensamento do que o liberta. 

    Voltando ao tema proposto, minha crise se deu de duas formas: Crise pelos valores desconstruído e crise por ausência de novos valores. Imagina a vida inteira você como “camelo” carregar nas suas costas montado – só para citar apenas um exemplo, para não ficar muito extenso esse meu texto – um Deus que me ensinaram ser dono de mim e digno da minha existência, adoração e servidão eterna, e que numa “bela” (trágica?) manhã você acorda não mais dirigindo suas orações para esse Ser que foi por toda sua vida seu sentido ultimo e supremo? Crises nesse momento de transição de valores sem ter o que substituir não surpreende.

    Agora o que me resta e o que tento fazer todos os dias quando acordo em meio as crises constantes de medo, pavor e desespero é caminhar em meio a todas essas tormentas diagnosticadas pela medicina psiquiátrica como transtorno de Depressão, de Ansiedade e Pânico, lutando para que os pensamentos suicidas que já sinistramente me visitaram por diversas vezes, não venham, e que se ainda tiverem algum “folego” de brotar dentro de minha alma, não vençam a guerra que é: minha busca diária para me tornar criança – de acordo com o conceito Nietzschiano exposto acima – porque afinal, como o próprio Jesus disse que "dos tais pequeninos são o reino do céus”!.

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    Por: Marcio Alves

    Uma vez, em um filme, escutei uma daquelas frases memoráveis que ficam registradas em nós. Daquelas que levamos para o resto da vida. Daquelas que são escritas em nossas almas como que escritas em granitos, que nem mesmo o tempo consegue apagar. Não recordo infelizmente o nome do filme, nem dos atores principais ou nem outra informação que ajude a descobrir o nome de tal filme. Apenas lembro da frase em si que já fez valer ter assistido aquele filme anos e anos atrás.

    A frase vinha de um personagem que dizia mais ou menos assim – não lembro da frase em si, mas o que importa, no final das contas, é a essência do que foi dito – que na vida gostamos de apenas duas ou no máximo três coisas, que morreríamos por elas, pois são as que dão sentido para nossas vidas.

    No meu caso, nesse momento de muito sofrimento e angustia, o Marcio de agora, de hoje – não sei amanhã, pois sempre estamos em constantes mudanças o tempo todo, e, que, por isso mesmo dou tanta ênfase no "aqui e agora"– buscando lá bem fundo, dentro do mar da minha alma, por perolas que são as mais preciosas para mim, o que encontro?

    Quando lanço a rede de pesca das sensações, sentimentos e pensamentos, para dizer de uma forma poética e metafórica, pesco, nesse momento, apenas dois, eu disse apenas e tão somente três peixes! Um eu não sei como devo chamar, qual nome que devo dar, com que palavras dizer, como explicar, na verdade daí a "difícil arte de definir (meu) gosto" e você daqui a pouco vai entender. Os outros dois não foram, nesse momento de quase total falta de sentido e prazer, definir, porque realmente essa frase hoje faz mais sentido ainda do que fez quando a escutei!

    O primeiro e que mais merece destaque é que eu gosto muito das pessoas que amo. Repito: das pessoas que amo! Talvez o Marcio de antes podia ser indiferente até mesmo com os amigos, valorizando e colocando a profissão, carreira e estudos até mesmo acima da esposa e filhos, preferindo a solidão do silencio apenas de minha companhia do que o convívio com as pessoas que amo e que também me amam.

    Não! O Marcio de agora depois das crises, de tanto sofrer, mudou-se ao mudar seus valores, crenças e sentimentos – na verdade foi mudado por ele (sofrimento) ou ainda mudei na mudança de ser mudado pelo sofrer (parafraseando Sartre) – agora, dou total valor para minha família e amigos, pessoas das quais amo, que mais foram significativas em todo momento que estive no buraco do desespero – e que agora, felizmente, já estou quase saindo fora desse poço.

    Por isso essa crise dos infernos foi fundamental – embora indesejada e indigesta – para que eu saísse do fogo do sofrimento como o ouro que é purificado na fornalha ardente, como um ser humano em todos os sentidos: Tanto em valorizar as pessoas que amo até porque como já dizia o filosofo que "ninguém é uma ilha", no sentido de que somos animais humanos gregários – na terminologia das ciências sociais usa se a expressão "seres sociais" que é mais bonitinha – de que não podemos viver completamente em solidão sem ninguém.

    Não estou querendo dizer com isso que ficar sozinho em alguns momentos seja ruim, claro que não! Até porque, o ficar sozinho em alguns momentos é prazeroso e necessário para se entrar em contato consigo mesmo.

    A segunda coisa que mais gosto no mundo hoje, que disse que seria difícil definir, são os livros. Ou leituras dos livros? Ou devo chamar de viajar nos livros? Refletir a partir dos livros? Não sei qual nome ou definição é a mais correta de se expressar, no entanto, gosto dos livros e ponto! Meu sonho era morar numa biblioteca ou livraria. Na verdade, se Deus e o céu existirem, gostaria que Deus fosse um bibliotecário de um céu infinito com todos os livros desse mundo e de todos os outros que já foram escritos.

    E qual tipo de livros eu gosto? Gosto principalmente de literaturas como as de Dostoievski e outros grandes autores, o de poesias – não aquelas com rimas. Essas eu acho feio e entediado de ler – como as de Nietzsche principalmente, que foi um dos poucos corajosos a misturar filosofia pesada como o ressoar de suas marteladas com a leveza e magia das poesias repletas de metáforas. Leiam "Assim falou Zaratustra" e vocês entenderam o que digo.

    Gostava antes de ler livros da minha profissão de psicólogo, hoje não mais. Não sei se esse mal de perder o tesão pelos compêndios de psicologia é temporário ou permanente, mas o fato é que, me dá até calafrios quando, por causa ainda do termino da faculdade que preciso – sou obrigado mesmo – a ler tais livros.

    A última é escrever. Escrever o que? Escrever meus pensamentos pensantes pensados. Uma vez que os escrevo ganho vida e significado para além de mim, que é completado pelas pessoas que leem, no sentido  de que cada pessoa é responsável pela forma de ler e entender o texto, porque faz seu entendimento a partir do chão da existencial pessoal e singular de cada um.

    Enfim, esses são meus gostos, são aqueles que "levaria para uma praia deserta" para passar o resto da minha vida, sem os quais hoje, não conseguiria mais viver, pois são os meus (frágeis?) sentidos construídos na vida...e quais são os seus?

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    Por: Marcio Alves

    Transtorno de Pânico não mata? Depois voltarei a essa pergunta, dando minha resposta, a partir de minha experiência vivencial como reflexiva. Quando falo sobre minha própria experiência me refiro ao fato de que fui diagnostico por um médico psiquiatra como sendo portador de tal transtorno, que é classificado no CID 10 F41.0 com o nome de Transtorno do Pânico.

    E como é ser diagnosticado com o referido transtorno? Bem, o fato que não se pode mudar é que infelizmente tenho as manifestações psicológicas, emocionais e corporais de tal transtorno. Então, ter ou não, uma definição medica da doença da qual estou sendo acometido, não muda uma virgula nos meus sintomas.

    Na verdade, o ter um diagnóstico tem seus pontos positivos e negativos: positivos porque seu inimigo até então “invisível” passa a ter um rosto, uma roupagem, uma definição, e com isso, tem dá a vantagem de ter certo controle, como também, um pouco de alivio, pois na maioria dos casos, as pessoas vão ao médico porque acreditam que estão morrendo ou ficando loucas, e ao fazerem uma bateria de exames descobrem que o problema delas é de ordem psicológica, emocional e até neuroquímica, de que está tudo bem com seu coração e saúde física. Como também tem tratamento, e isso dá esperança de enfrentamento da situação.

    Os pontos negativos é que você passa a ser rotulado pelas pessoas, sociedade, amigos e familiares como uma pessoa doente, transtornada, sendo que na realidade, você (como eu) tem (ou pode vir a ter) tal transtorno, mas isso não pode colocar o ser humano que é o ser mais complexo dos seres vivos, dentro de um limitado quadro petrificado na parede. Isso pode dizer algo sobre um aspecto seu, mas não diz sobre o seu ser em sua totalidade.

    Mas voltando a pergunta que originou esse meu texto: respondo que sim, o Transtorno do Pânico pode matar sim! Não mata no sentido direto e especifico, como causa primeira, levando a pessoa a morte por causa da doença em si. Mas em outro sentido pode levar a morte indiretamente, no sentido de provocar tamanho sofrimento, que a pessoa acometida por tal doença, querendo se ver livre de tamanho dor e sofrimento desesperador, pode vir a desejar e até acabar recorrendo ao suicídio como forma desesperada de arrancar dentro de si esse mal.

    Lembrei agora de uma história real que presenciei. Na verdade, não lembrei no sentido de ter invocado essas lembranças propositadamente, mas antes, que assim como os pensamentos, as memorias também são livres, vindo como assim “de repente”. Estava há uns 3 anos atrás num consultório psiquiátrico esperando para ser atendido. Naquela época os primeiros sinais de alerta de que algo não ia bem comigo já apareciam, e fui procurar ajuda – além da psicoterapia – psiquiátrica também.

    Na sala estavam eu, a recepcionista e mais duas mulheres, uma aparentando seus trinta e poucos anos e outra, uma senhora mais velha. E como infelizmente naquele dia não estava com problemas de audição, fui “obrigado” a ouvir a conversa das duas, embora tinha pegado uma revista para passar o tempo. E elas falam sobre a única conversa que se escuta em uma sala de espera psiquiátrica: transtornos psicopatológicos.

    Uma delas falava justamente que tinha sido diagnosticada com Transtorno do Pânico, contando sua experiência de adoecimento para a outra e para quem mais quisesse ouvir. Ela dizia que ficou tão desesperada no começo das crises que foram as mais intensas, que algumas vezes tentou se suicidar se jogando na frente de carros, precisando do seu marido a impedir.

    Conto essa história real que escutei, porque ajuda a pensarmos melhor antes de nos apressarmos e dizermos: o Transtorno do Pânico não mata! Isso é meia verdade – se é que existe “meia verdade” – ou verdade em partes, pois numa crise muito intensa, com um sofrimento muito grande, a pessoa pode sim naquele momento de maior desespero pensar que sua única e mais rápida solução é se matar.

    Por isso se recomenda para os familiares e amigos de pessoas com esse tipo de Transtorno em estado muito grave, que procure não deixar elas sozinhas ou saírem sozinhas quando estiverem na fase mais aguda, procurando justamente precaver de que ela não cometa nenhuma “loucura”.

    Coloquei entre aspas, porque, antes também pensava que era loucura de uma mente fraca, mas hoje, depois de muito estudar sobre o assunto e de infelizmente viver tal situação dramática e terrível, sei que não é loucura alguma a pessoa mergulhada em tamanho sofrimento, dor e angustia querer acabar a qualquer custo com seu sofrimento – e não com a sua vida em si.

    Essa experiência está me tornando mais humano e sensível a dor do outro, principalmente as dores da alma e da mente, as quais são na minha concepção as que geram maior sofrimento, pois para uma dor física você pode tomar um remédio que imediatamente irá fazer um efeito, mas já para o sofrimento psíquico e do espirito pode ser mais longo, dolorido e cheios de espinhos a trajetória, porque leva tempo até que os remédios junto com a psicoterapia alcancem o resultado esperado.

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  • 11/23/15--07:31: Quatro momentos



  • Por: Marcio Alves

    Diz a sabedoria popular que devemos viver um dia de cada vez. Na expressão criada por Hóracio se diz “carpem diem” que traduzido em latim significa “aproveitar o dia”. Até o próprio Jesus sabiamente disse nos evangelhos que "basta a cada dia o seu mal". No meu caso vivo um momento de cada vez.

    Meu dia na verdade é construído e vivido de vários e diferentes momentos. Tem o primeiro momento que é quando eu acordo, em que acabo de abrir meus olhos, e o que vejo e sinto nesse momento? Momento de profunda depressão. Vontade de parar o tempo da noite em só noite fazendo ele ser eterno.

    Momento esse mais triste do meu dia: Em que tenho que me levantar literalmente da cama e encarar mais um dia de luta. Isso mesmo que você leu! Meu primeiro momento é feito de uma sensação de que não estou vivendo a vida como vivia antes dessas crises, mas sim, que estou apenas sobrevivendo a cada momento.

    Um medo irreal – mas que não deixa de ser “lógico”, devido justamente a essa experiência minha de todos os dias – de sair da cama e viver mais um momento de sofrimento, no entanto, se sentir medo faz parte da existência, então bem vindo medo de viver e sofrer, medo da grande aventura arriscada que é todo dia a vida com seu viver!

    Procuro desconstruir os pensamentos distorcidos que me atacam nesse momento tão vulnerável, refletindo que se viver é correr risco mesmo e que coragem não é ausência de medo, mas justamente o medo usado a seu favor como combustível para ação, então me levanto da cama nesse momento dizendo para mim mesmo que sou um guerreiro e que não vou fugir dessa guerra existencial cometendo suicídio, desistindo de viver, abrindo mão de lutar mais uma vez.

    Segundo momento: É o momento em que passado essa depressão e angustia das primeiras horas em que acordo, vem o segundo momento que pode ser considerado bem breve de alivio, como se no primeiro momento que acordo estivesse me afogando e no segundo momento conseguisse sair debaixo d'água para respirar um pouco de ar. Nesse momento segundo, minha alma sente de maneira leve quase imperceptível, os sintomas de ansiedade e insegurança, mas que dá para levar a vida ainda nesse curto momento sem desespero.

    No terceiro momento do dia que de longe é o mais sofrido, porque surgi de forma inesperada e repentina, o temido ataque do pânico, e isso como uma verdadeira avalanche passando por cima de mim como se fosse com um rolo compressor. Desespero, medo chegando algumas vezes a um nível irreal de pavor, uma angustia que devora minha alma como se fossem labaredas de fogo, precisando nesse momento até ligar ficando na frente de um ventilador para aliviar essa queimação e calor que sinto no peito.

    Dores por todo corpo, sendo mais forte nas panturrilhas. Sensação de estranhamento do corpo. De que vou desmaiar e que até posso morrer. De que minha frágil existência está em risco de vida e morte. Preciso urgentemente quando sou nesse momento duramente atacado pelo pânico ir para meu refúgio, lugar seguro da angustia que é meu quarto, na minha cama.

    Talvez por isso seja tão difícil sair de casa sozinho, porque você se sente mais protegido em sua casa. Lugar mais seguro do mundo para eu estar quando tenho essas crises mais fortes e violentas é na minha “fortaleza” chamada quarto. Várias foram as vezes nesse momento de maior desespero, de crise mais aguda, que passou na minha cabeça pensamentos suicidas.

    Como são os pensamentos suicidas? São feitos de imagem, de cenas, que passam pela cabeça, de como você tirar sua própria vida, acabando com esse insuportável sofrimento. Uma vez passou na minha cabeça uma imagem de eu me jogando na frente de um ônibus. Pela primeira vez na vida fiquei com medo de mim mesmo: De perder o controle tirando minha vida.

    No quarto momento que é o meu último do dia, que é sempre a noite, dai eu gostar tanto de ver quando o sol vai se pondo no horizonte do céu azul, dando lugar a sua irmã noite. A noite é quando consigo mais relaxar. Consigo ter um pouco mais de alivio e até um certo momentâneo prazer, um verdadeiro refrigério para minha alma.

    Trocaria todos os outros três momentos por esse singelo e tranquilo momento de maior alivio da noite, aliás, faria desse quarto momento se pudesse meu dia inteiro, ai sim poderia falar de viver um dia de cada vez...mas enquanto esse dia não chega, vivo esses quatro momentos.

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    Por: Marcio Alves

    Puxa como faz bem para minha alma tão sofrida e angustiada nessas ultimas semanas, ficar aqui nesse momento, sentado no sofá, nessa hora, ainda de manhã, olhando a tranquilidade, serenidade e paz com que meu filho está dormindo em sua cama. Despreocupado em não ter como nós adultos obrigações, e nem com o que está acontecendo agora no mundo dos adultos. Esse meu filho que vejo dormir agora tem apenas 2 aninhos de idade, até parece um anjo sem assas, com aquela expressão em seu semblante de ar puro e inocente que a criança nessa idade carrega.

    Já reparou que toda criança até essa idade, principalmente os bebezinhos, possui uma beleza tão fascinante e rara? Nunca vi nenhum ser tão belo e puro quanto a criança nessa idade de ouro. Depois que cresce, se torna um adulto perdendo toda essa graça, encantamento e leveza. Talvez seja por isso a admiração e amor de Jesus para com as criancinhas de sua época, chegando até mesmo dizer que para um adulto entrar no reino dos céus precisa se tornar justamente uma dessas pequeninas crianças.

    Nietzsche é outro grande pensador com enorme sensibilidade, que via na criança a metáfora perfeita para a essência da vida. Porque ser criança é viver constantemente o momento presente da vida tendo como principal e único objetivo brincar. Como brincar é sublime! Nós adultos sempre vivemos correndo de um lado para outro, pensando em trabalhar e como ganhar mais e mais dinheiro, enquanto isso nossa vida se vai e com ela sua essência que está justamente na criança que valoriza o máximo a vida.

    Ah! Mas se os religiosos mais fanáticos e espirituais entendessem que o reino dos céus está justamente em voltar a ser criança, no sentido de afirmar a vida mesmo com seu sofrimento, de viver o brincar, o prazer e alegria que muitas vezes estão na simplicidade, talvez parassem de renunciar essa vida corporal aqui por uma vida lá no além fantasmagórica.

    Puxa vida! Que prazer e alegria profunda sinto nesse raro e breve momento que sei que é passageiro, mas por isso mesmo tão mágico, em só ficar nesses pouquinhos minutos olhando admirando meu filho enquanto ele dorme sossegado e inocentemente. Se pudesse pararia o relógio do tempo, mas como não posso, então eternizo esse momento curto, guardando com sete chaves, no fundo do cofre da minha alma.

    Ah! Mas meu filho nem imagina, nem tem a consciência e nem sente o inferno terrível, desumano e desesperador que seu pai passou e ainda está terminando de passar! Ainda bem que ele não faz ideia de que até em suicídio seu pai infelizmente no momento de maior angustia e falta de esperança pensou em cometer. Mas que bom que ele não entende ainda o mundo das preocupações e sofrimentos dos adultos. Seu mundo é outro: é o mundo mágico, encantador, belo, alegre, feliz das crianças!

    Muito embora quando me vem ainda as malditas e sofridas crises, sofro nesse momento duas vezes: uma pela dor das crises advinda da angustia em si, ou seja, da crise em si mesma e a outra por nesse momento que duram horas não poder brincar, se quer conseguir ter os olhos da minha alma voltado com tanto prazer e alegria para ele.

    Não somente a beleza está realmente nos olhos de quem vê e no coração de quem sente, mas também a alegria, paz, serenidade e tudo o mais depende de como estamos por dentro de nossa alma. A minha nesse momento que ele acaba de abrir os olhos sorrindo o mais belo sorriso enquanto termino de escrever esse texto, é de leveza, pura alegria e beleza.

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