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  • 11/25/15--06:00: Mar



  • Por: Marcio Alves

    A melhor imagem, a que eu mais gosto, que mais acho bela em toda existência, que vez por outra vem aos meus pensamentos – seja por que a invoco ou porque ela vem livremente sem eu pedir, me fazendo grata surpresa – é a imagem do mar. Para tentar ser mais exato, a imagem em sua completude e riqueza de detalhes que abarca é a imagem de eu mesmo me vendo a mim mesmo sentado, as vezes caminhando, outras apenas simplesmente parado em pé, na areia da praia, com o sol se pondo e a noite chegando, e o mar em sua vastidão tocando o céu azul, aonde os dois se misturam de tal forma que fica difícil dizer aonde começa um e termina o outro.

    Essa imagem de eu ver a mim mesmo contemplando o mar nos momentos de maior crise em que preciso até deitar na cama é buscada por mim com ardente desejo e alivio, em que as vezes preciso intercalar de com olhos fechados olhar e ver a imagem do mar, com o abrir e ficar olhando simplesmente para o teto, e outras ainda para folhas de uma arvore que fica escondida atrás de um muro de um prédio de frente para minha janela.

    Me permito ser arrebatado em espirito pela encantadora e espantosa imagem de olhar para o mar numa praia deserta ao entardecer. Imagem essa de todas as outras que me vem à lembrança, é a que mais me provoca verdadeiro assombramento e beleza na minha alma, sendo por mim reverenciada e profundamente admirada como aquela que mais expressa o mistério e milagre da existência.

    O mais fantástico de tudo é que essa imagem vem de uma experiência digamos “real” de muitos anos atrás quando tive o prazer, alegria e privilegio de ir a uma praia. Ah como amo as praias com seus mares que parecem ser infinitos! Mas não é todo momento que praias são assim tão encantadoras, pois durante o dia, principalmente no verão, acho elas meio feias e sem graça. Lotadas de pessoas. Cheias de barulho. Se tornam as vezes um inferno de agua e gente.

    Foi bem nesse momento, como vindo de repente, como um raio de inspiração: me veio a ideia, anos atrás, de ir à praia justamente a noite, para vivenciar ela em sua escuridão, tendo apenas como luz a brilhar e a iluminar a lua. Acho que era quase meia noite. Fui sozinho. Nesse momento é que aconteceu uma experiência deslumbrante, marcante, assombrosa...toda e qualquer definição que eu der racionalmente, apenas de longe arranha a superfície do mistério e milagre de ser tomado por toda profundidade das minhas emoções nunca vividas antes – e que sei que nem depois, pois cada experiência é única, e por isso torna essas experiências tão especiais.

    Sinto uma alegria transbordante quando essa imagem me vem em momentos que estou bem, deliciando minha alma, mas também me vem – quando consigo ou quando ela consegue –  como refrigério e alivio quando estou em crises de angustia onde outras imagens, se acham no direito, nesse momento, de invadirem violentando minha mente mesmo apesar e contra o desejo da minha alma.

    Na verdade, é uma verdadeira batalha entre imagens totalmente opostas que invocam significados, sensações, pensamentos, momentos e sentimentos tão diferentes. Uma é aquela que vem do lugar mais tenebroso e escuro da minha alma. Sempre vindas no momento de maior angustia, sofrimento e vulnerabilidade, aumentando o meu desespero. E que imagem é essa tão diferente daquela do mar? Respondo hoje sem constrangimento e medo, porque hoje sei na pele e pela reflexão que faz parte do humano que sou: imagens de eu me vendo perdendo o controle sobre meu corpo e cometendo suicídio. Imagens de suicídios no plural das mais diferentes.

    O lado bom é que cada vez mais, com ajuda do tratamento dos famosos remédios psiquiátricos, da psicoterapia, de uma rede solida e segura de apoio formada por amigos e familiares que muito amo e que me amam, com a minha insistência e teimosia de mesmo com sofrimento dizer "sim" para a vida em todo seu viver, e mais ainda com ajuda do tempo – pois nada melhor do que o tempo para curar as feridas – as imagens do lado mais escuro da minha alma tem cada vez mais, perdido suas forças, espaço e intensidades sobre e dentro de mim.

    Cada vez mais a medida que as imagens de desespero vão perdendo seu controle sobre minha mente, corpo e sentimentos, mais vezes e com maior intensidade me vem a imagem do mar e com ela o ardente desejo de novamente experimentar e viver a sensação de caminhar descalço pelas areias da praia deserta em um belo dia de noite, cheia da ausência das pessoas: Só eu e a companhia solitária e presente do mar.

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    Por: Marcio Alves

    Estar doente de qualquer doença, causa muito sofrimento tanto físico, emocional e psicológico para qualquer pessoa em qualquer idade. Na verdade, sou da sincera opinião de que não há como separar compartimentalizando o humano em partes, como se em uma caixa conceitual fosse posto o corpo, em outra a emoção, outra os sentimentos, ainda em outra a mente e assim por diante, ainda mais acreditando que elas sejam independentes entre elas.

    Posso até entender como forma didática de tentar estudar e explicar o humano em sua complexidade. Árdua tarefa essa, diga-se de passagem, pois o humano em minha visão é o ser mais complexo e diversificado que existe dentro de sua própria espécie, pois cada pessoa é um universo em si mesmo de desejos, pensamentos, emoções e tudo o mais que compõe esse misterioso ser e sua milagrosa e absurda existência de existir.

    Portanto não creio que o ser humano possa ser dividido em partes em sua essência. Como se o que afeta nossa “alma” não afetasse também nossas relações e percepções com o mundo e as pessoas – vice e versa. Penso que somos seres totalizados, no sentido de que, a nível de exemplo, se o corpo sofre, sofre também a mente, as emoções, ou seja, sofre a totalidade desse ser que é humano demasiado humano.

    Fiz esse pequeno percurso – até porque não estou interessado nesse meu texto, em descrever minha visão Sistêmica do humano – para dizer que estou doente, sei disso, reconheço isso, tenho consciência disso. Essa minha doença diagnosticada em partes, colocada na caixa conceitual do “cérebro”, atribuída a minha mente (doente?), faz minha “alma” sofrer tanto quanto ela também faz sofrer o meu corpo, na verdade, meu ser em minha totalidade, afetando, inclusive, todas as áreas da minha vida, seja elas sociais, profissionais, acadêmicas e tudo ao meu arredor e não somente a mim mesmo ou apenas uma dessas áreas.

    Mas como disse acima que estudar numa frágil tentativa de entender e explicar em partes o ser humano pode ser valido dado a profundidade e complexidade desse "objeto" chamado humano, como fica menos impossível de explicar também. Nesse sentido então, quero falar nesse meu texto sobre meu adoecer dos afetos. Adoecer esse que é meu modo de adoecer, ou seja, minha forma singular de viver essa devastadora experiência de ter sido atingido em decorrência da minha doença, os meus afetos.

    Como é para eu estar doente dos afetos? Estar doente dos afetos é ver o outro que tenho vinculo, amizade, carinho e amor como “comida” a ser “devorada”, “engolida” emocionalmente falando. É a absurda sensação e desejo ardente de querer entrar nele ou ele em mim, e sermos apenas um em si mesmo.

    Meu desespero na hora das crises mais agudas de angustia e pânico, que intensifica mais ainda essa fome de afeto é o desespero da fome de possuir e ser possuído pelo outro. Nunca me senti assim: De ver um amigo, esposa, filhos e familiares que amo e de num momento de maior crise de angustia e pânico querer e desejar loucamente o abraçar, de ficar agarrado a eles.

    Mas porque isso seria para mim uma doença que eu chamo de doença dos afetos – afetos da doença? Porque antes de ter mergulhado tão fundo nas aguas do mar da angustia e pânico, me contentava “apenas” com a presença e conversa de meus amigos e familiares, como todas as pessoas saudáveis vivendo uma relação saudável, porém, no momento que atingi o maior pico da doença, sou consumido pelo desejo de aperta nos meus braços aqueles os quais amo.

    De todos os fatores percebo, que o principal deles, que me leva a nomear os meus afetos, no momento de maior desespero da crise, de “doença” é que não é o carinho apenas ou amor que me impulsiona para tal vontade, mas antes uma sensação de vida ou morte, como se realmente fosse morrer e aquele fosse meu último folego no oceano da vida.

    Hoje consciente disso, dessa doença dos afetos – claro, que passados meses, hoje ela está mais fraca e eu mais forte, e com isso, tenho maior domínio sobre ela – tento me controlar, trabalhar em mim essas sensações, procurando não sufocar as pessoas que amo e que me amam, manifestando afeto e carinho quando estou bem, porque aí o afeto não é mais doentio, mas um afeto saudável de um ser humano por outro.

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  • 11/29/15--11:33: Renascendo do inferno



  • Por: Marcio Alves

    Após quase três meses, muitas semanas, dias, horas e incontáveis segundos, consegui hoje, finalmente, renascer mais um pouco do inferno. Não, não, não é aquele inferno escatológico da religião cristã que nossos tataravôs nos delegaram como herança, ensinando-nos a ter medo, passando a imagem de um deus sádico, maligno e perverso, que sente verdadeiro prazer de ver eternamente as almas penadas sofrendo queimadas num – segundo a tradição mais ortodoxa (que considero doentia) dessa ala de cristãos – "fogo que não se apaga e o bicho (pessoas) nunca morrem".
     
    O inferno o qual me refiro estar dele renascendo é antes o inferno do mundo das doenças mentais – que já vem sendo por mim descrito nos meus textos desde quando começou as diárias e intensas crises de ansiedade, pânico e depressão, como forma de elaborar e sair simbolicamente.

    Sem dúvida essa é a pior prisão infernal que um ser humano pode passar. Chega a ser desumano viver constantemente o desespero das doenças chamadas de psicopatologias. Mas nesse meu texto especificamente, não vou caminhar novamente por esse caminho de escrever o inferno vivido de “dentro” que são esses transtornos.

    Minha proposta é aqui descrever a incomparável e difícil tarefa de expressar a alegria, prazer, bem-estar e todas as sensações, pensamentos e sentimentos bons que sinto, enquanto escrevo, estando nesse momento, sentado na cadeira, dentro de um ônibus, indo para casa, com gozo de sentir ter superado e renascido – ao menos momentaneamente – o inferno que minha alma mergulhou.

    E de onde estou vindo que despertou em mim as melhores e mais boas sensações que a muito não me visitavam? Da academia. Isso mesmo que você leu! Estou indo para a minha casa depois de ter – após tanto tempo que iniciou esse inferno das crises – conseguindo fazer uma daquelas que era das minhas antigas paixões: Malhar em uma academia!

    O ganho, a vitória, a superação, o renascimento do inferno, está, em meses de tanto sofrimento e tormento nesse inferno – com 15 quilos a menos – retornar a uma das atividades do meu dia a dia. Nisto reside uma das importâncias que a rotina tem para nós, seres humanos: A sensação das coisas organizadas traz à tona o sentimento de continuidade, de que a vida não parou no tempo, não se desorganizou.

    Além é claro dos benefícios saudáveis que os exercícios físicos nos oferecem, tanto físico, mental e tudo o mais. Sem contar que em uma academia você pode se relacionar com as pessoas que frequentam esse mesmo ambiente, tendo objetivos e atividades iguais ou parecidas, o que por si só e uma porta aberta, um convite para o saudável convívio social.

    Acompanhado de tudo isso vem o prazer e bem-estar que os exercícios da musculação produzem, como a tão falada endorfina, química responsável diretamente pelo bem-estar que sentimos.

    Tenho que admitir que senti potência, no sentido de sair do lugar vulnerável, frágil que me encontrava antes, de não conseguir mais frequentar uma academia. Levantar aqueles pesos com a força dos meus braços, me deu uma sensação de poder, sendo que, cada vez que você consegue aumentar a quantidade de peso, te dá o bom sentimento de que você está superando a si mesmo.

    De quebra ainda há o fato de ter conseguido ir sozinho para a academia, o que é um ganho formidável, pois o transtorno do pânico causa medo e insegurança na pessoa que tem essa doença, de tal forma, que ela fica paralisada, não conseguindo sair mais de sua casa, lugar, único lugar, que ela acha ser segura.

    Na verdade, essa espécie de transtorno acaba trazendo consideráveis prejuízos psíquico-sociais e físicos para a vida das pessoas.  A sensação que se tem quando resolve encarar o medo do pânico indo para outro lugar é que você está se "arriscando", colocando-se em um lugar de “perigo”, tornando mais difícil ainda essa missão, se a pessoa com esse transtorno, não tiver uma companhia que lhe de total segurança e confiança.

    No meu caso de agora, resolvi enfrentar sozinho essa situação, indo de ônibus até a academia a qual eu faço, aumentando ainda mais o sabor e gozo dessa minha nova vitória, que sinto como se fosse mais uma etapa, mais um degrau que subi, mais uma missão que consegui concluir, afinal missão dada é missão cumprida como dizem por aí.

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    Por: Marcio Alves

    Só queria ter minha vida de volta outra vez, e...poder voltar a ser o marido da minha esposa, que com muita paciência, compreensão, perseverança, lealdade e amor, foi minha grande guerreira, nunca desistindo de me ajudar, de ao meu lado sempre, passar comigo o inferno inteiro das minhas crises de ansiedade, pânico e depressão.

    Numa situação na qual vivenciei durante um longo e eterno 2 meses, durante a crise mais forte, ela foi meu principal apoio e segurança. Alguns dos meus melhores amigos – hoje tenho a convicção de que realmente são – todos eles, passaram comigo, alguns, algumas vezes, outros mais vezes, mas nenhum ficou comigo do início ao fim da crise o tempo todo, e isso, claro, porque eles não poderiam parar a vida deles como a minha parou.

    Mas minha esposa sim, infelizmente teve que parar a dela, para estar comigo em tempo integral. Os únicos momentos de alivio que minha esposa tinha, era justamente, quando um desses meus amigos mais íntimos e leais, vinha me visitar ficando um bom tempo comigo, muitas vezes até dormindo em casa, para ajudar e auxiliar minha esposa, oferecendo, um pouco de ar para ela respirar e renovar as forças. Só nesse momento é que aceitava e conseguia deixar ela sair de casa.

    Não quero continuar me sentindo igual a um frágil e vulnerável bebê totalmente indefeso, que precisa do colo e proteção da mãe a todo momento! Não! No meu caso, transformando minha esposa em minha mãe. Não! Isso jamais! Ela é minha esposa e eu sou seu marido, e não seu filho e ela minha mãe! O que aconteceu, aconteceu e não dá mais para voltar e impedir que aconteça o que aconteceu, mas, a partir de agora, busco com todas minhas forças ter minha vida de volta, sem essas crises avassaladoras, porque somente assim minha esposa terá o marido dela de volta, e eu, ela.

    Só queria ter minha vida de volta outra vez, e...poder voltar a ser o pai dos meus filhos, e não mais um "filho" que necessita dos cuidados da mãe deles, minha esposa. Queria voltar a minha relação saudável com meus filhos, o que era antes dessas crises, e que acabei perdendo. Quero voltar a poder conseguir sair com eles e eles comigo, sem o medo de ter um ataque do pânico me privando de cuidar deles.

    Isso me dá uma sensação tão grande de impotência e de estar mesmo doente, pois dói muito ao me ver, sem condições psicológicas e emocionais de fazer um simples passeio com meus filhos apenas comigo. Não quero recorrer a um amigo toda vez que planejar um passeio no parque, shopping, cinema e outros lugares. Não quero permanecer mais refém desse medo paralisante que é o transtorno do pânico. Quero minha vida, minha independência, minha autonomia e liberdade de volta.

    Só queria ter minha vida de volta outra vez, e...poder fazer um passeio ou programa que o pai, geralmente faz com seu filho, de poder realmente ter condições psicológicas e emocionais de levar meu filho mais velho de 8 anos Alexandre, e o mais novo, Nicolas, de apenas 2 anos, para qualquer lugar que eles desejarem ir. Só queria, agora que passo a maior parte do meu tempo em casa, pois não tenho condições ainda de voltar ao trabalho, gastar mais tempo brincando com eles.

    Dói-me muito quando estou com um deles, ou, os dois juntos, realizando alguma atividade, e no meio da brincadeira, vem-me bater à porta da minha alma, a desgraçada da crise, forçando-me a largar tudo, deixando eles com minha mãe, tendo que me isolar deles no meu quarto sozinho. E quando ouço risos, brigas e choro dos dois, sem poder ver o que está ocorrendo com eles, tendo que me contentar em somente ouvir de longe, sozinho, trancado em um quarto, seus risos e choros.

    Só queria ter minha vida de volta outra vez, e...poder ser amigo dos meus amigos, no sentido, deles terem um amigo e uma relação de amizade saudável, de igual para igual, e não o que se tornou hoje: Amigos cuidadores. Não que seja ruim ajudar cuidando ou sendo cuidado em momentos muito críticos, como os ataques do pânico grave que vivi, mas antes, porque chega uma hora que cansa, não da ajuda deles, claro, mas da minha dependência doentia deles.

    Queria voltar, não somente a receber deles ajudas significativas, mas também poder ter a oferecer-lhes, como numa troca justa de amizade. Desejo poder voltar a me reunir com eles pelo simples e importante prazer de estar na companhia deles e deles de mim. Voltar a ter conversas, até mesmo as mais fúteis, porém, deliciosas, e isto, por horas e horas, numa interação saudável entre duas pessoas que se amam e se respeitam. Não quero mais sentir-me como uma sanguessuga emocional, buscando sugar a todo custo a afetividade de meus amigos.

    Só queria ter minha vida de volta outra vez, e...poder voltar a trabalhar, me sentindo útil, produtivo, competente, oferecendo minha força física e habilidades intelectuais para o trabalho. Agora entendo e concordo com a aquela afirmação bíblica de que o trabalho dignifica o homem, pois o contrário também é verdadeiro: A falta dele (trabalho) humilha, tornando o homem impotente, um verdadeiro inútil, incompetente, dependente dos outros financeiramente.

    Só queria ter minha vida de volta outra vez, e...poder voltar a ter a vida que tinha, com as pessoas que mais amo, e que me amam, pois afinal, elas também torcem pela minha recuperação, querendo minha vida de volta para mim e para eles.

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  • 12/08/15--08:33: De um inferno a outro



  • Por: Marcio Alves

    Escrito em 20/11/2015


    De manhã, ao abrir dos olhos, nos primeiros segundos do meu despertar: tristeza, ansiedade, medo, angustia e depressão. A tarde as mesmas sensações de ansiedade, medo e angustia, só que ao invés da depressão, ataque do pânico. Ambos infernos. Ambos acompanhando sintomas parecidos.

    Só que um é o inferno da depressão em seu estado mais "puro", digamos assim, aquela sensação de não querer conversar com ninguém, de não querer levantar da cama, de não ver a luz do dia. Do outro, inferno também, só que com uma sensação oposta: O querer ver pessoas, o desejar estar em companhia dos amigos, o buscar conversar, estar junto de alguém que eu tenha vinculo. Sensação eletrizante, de que vou explodir de tanta energia acumulada, sendo diferente na depressão, que é a falta justamente de energia, de viver, de lutar.

    Ambas requerem estratégias, formas de buscar refrigero para minha alma queimada pelo fogo dos infernos. Estratégias estas, completamente diferentes uma da outra. A depressão que precisa justamente do contrário do que quer, do que se alimenta, pois se ela quer que eu fique deitado na cama sem fazer nada, mergulhado na ansiedade que vai se transformando em angustia, que vem acompanhada de medo, me forço todos os dias como em uma feroz e desumana batalha de justamente ir na contramão, não escutando as vozes da depressão que me pedem para não fazer nada, simplesmente abrir mão de viver.

    Me forço, e obrigando constantemente a levantar e sair da cama, mesmo com meu corpo e alma dizendo o contrário. Busco desesperadamente por quaisquer atividades, principalmente as que requerem mais ação, movimento, que trabalham mais o corpo, pois como diz aquele ditado popular que “para descansar carreguei pedra”.

    Do outro lado, ao cair da tarde, o inferno dos ataques constantes do pânico, que dispara no meu corpo e cérebro, verdadeiras descargas elétricas, deixando meu corpo incendiado, com vontade de sair correndo, de gritar, de buscar conversar com meus amigos. Ela é desumana e sofrida tanto quanto o inferno da depressão, porque a energia do choque é tão forte que meu corpo e mente não suportam.

    Sinto muita fraqueza, dores, tremores, anestesia e formigamento no corpo. Um cansaço muito intenso, sendo que a arma para combater contra esse demônio no inferno é o oposto da depressão: Preciso correr, buscando um lugar para sentar ou deitar imediatamente, tentando relaxar o máximo possível minha mente e corpo.

    Dois infernos. Dois sofrimentos. Um totalmente diferente do outro, tendo apenas alguns sintomas em comum. Antes era muito pior, porque sai de um inferno para cair imediatamente sem alivio e trégua em outro, agora, atualmente, consigo pelo menos parar no caminho entre um inferno e outro, relaxando, curtindo algumas preciosas horas de descanso, conforto, alivio e até as vezes prazer e alegria, para tornar a ser lançado por algum demônio em um dos dois infernos.

    Agora, céu mesmo, ainda vai demorar mais um pouco, até que eu saia completamente dos infernos da alma para sentir a brisa fresca e deliciosa de uma vida sem tamanho e insuportável sofrimento. Sei que quando sair por completo destes infernos, não vou viver para sempre no céu do sossego e bem-estar, mas pelo menos passar a maior parte do tempo na terra, que é o meio termo, entre inferno e o céu, onde residem a maioria de nós mortais.

    Enquanto a mim, mesmo que vá, de vez em quando, somente fazer uma visitinha no céu da alegria e tranquilidade, ou ainda, mesmo que nem vá dar uma passadinha por lá, só pelo fato de sair do inferno, podendo retornar a terra dos "normais" da maioria geral, já me dou por satisfeito.

    O que não quero é estar para sempre, enquanto viver, condenado e preso ao fogo dos infernos da minha alma, embora, tenha a consciência, de que algum dia possa ser que volte para lá. Sinceramente... quando chegar esse dia, tomara que já não esteja mais aqui vivo para ver isso. (risos)

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    Por: Marcio Alves

    Escrito em 03/12/2015

    Nesse momento, estou dentro de um ônibus, sozinho comigo mesmo. O que há de tão interessante e significativo nisto? Uma ação normal e corriqueira, praticada por milhões de brasileiros, que todos os dias, enfrentam ônibus lotado e muito transito para chegar ao trabalho, e do trabalho de volta para casa. Então porque o fato de estar em um ônibus, neste momento em que escrevo este texto, tem alguma relevância, a tal ponto de se tornar até mesmo um texto?

    Explico: exatamente hoje fazem quase três meses que fui acometido pelo Transtorno de Ansiedade Generalizada e o Transtorno do Pânico. Esse inimigo cruel e implacável, que nunca vinha sozinho, esse covarde, sempre vinha acompanhado de vários outros amigos, como ansiedade, angustia, desespero, depressão, sem falar nos seus "filhos", os sintomas físicos, que eram muitos, tais como taquicardia, boca seca, náusea, sudorese, tremores, dormência, fraqueza, calafrios e dores no corpo.

    Com todo este exército a seu favor, o resultado sinistro foi, que não conseguia sair mais de casa. No começo das crises mais fortes não podia sair de casa mesmo estando acompanhado, pois mal andava, e quando arriscava de levantar da cama para ir ao banheiro, sentia que iria cair no chão.

    Na verdade, precisei quase reaprender a andar. Passava a maior parte do tempo deitado na cama, não apenas em decorrência da depressão e angustia que eram muito fodas, mas principalmente por causa dos terríveis ataques sofridos do Pânico que deixavam meu corpo destruídos.

    Não conseguia e nem podia sair sozinho, pois estava acorrentado na prisão chamada Pânico, que me impedia de ter coragem de sair de casa sozinho, refém do próprio medo de ter um ataque do pânico fora de casa, e, ainda mais estando sozinho.

    O não poder ir sozinho, no início da fase da crise mais aguda, foi uma recomendação dos "especialistas" em Transtorno do Pânico – falam "conhecendo" tão bem, que disfarçam que esse conhecer é por ter decorado os sintomas do Pânico em um manual psiquiátrico – pois, no pico, no auge desta doença, no máximo desespero, pensava pensamentos suicidas, como os verbalizava também.

    Com isso, virei prisioneiro em minha própria casa, ou pior: Prisioneiro de mim mesmo, dos pensamentos de medo e terror que me causava os ataques do pânico. Foi uma verdadeira guerra para conquistar minha vida de volta, e aprendi que ter a vida de volta é muito mais do que só respirar e estar vivo, mas sim a liberdade de ir e vir a hora que quiser, de poder viver uma vida que não nos oferece segurança alguma é verdade, mas que não prende, acorrentando a pessoa numa prisão mental, aonde ela precisa abrir mão de sua liberdade, autonomia e independência, em troca de uma ilusão de estar seguro em sua casa com sua família e amigos.
                      
    Ilusão porque independente do lugar que eu estivesse, o ataque do Pânico poderia vir, como tem vindo e vai vir ainda por um bom tempo. Mesmo as pessoas que não possuem tal transtorno, não estão protegidas 100%, pelo simples fato de estarem em casa, apartamento ou qualquer outro lugar, pois nenhum lugar é e nunca será uma fortaleza de aço que te protegerá das incertezas e risco que envolve o viver a vida.

    Passei então, a questionar e desafiar o pensamento de que, o único lugar que estaria a salvo dos ataques – até mesmo de os prevenir – quando ocorrerem, seria minha casa, pois isto era uma ilusão criada pela minha mente, que me fazia prisioneiro dela mesma. O que me ajudou a sair desta situação, além é claro, de todo apoio familiar e de amigos, como também o tratamento clássico medicamentoso e psicoterapêutico, foi questionar com o meu pensamento os meus próprios pensamentos.

    É como se para enfrentar os medos irreais que minha mente criava e queria que eu acreditasse neles, precisei criar uma mente contraria, como se dentro de mim vivessem dois "Marcios": O que tentava me colocar medo e o que justamente enfrentava questionando esses medos.

    Mais do que isso: a importante atitude de ter aceitado que tinha o Transtorno do Pânico, de que os ataques viriam, mas que não precisava temer por experiência própria, que por pior que fossem os ataques, por mais devastadores, eles não me mataram!

    Não me matou como nunca deixou sequelas físicas e mentais. Então foram todas essas coisas juntas que me ajudaram – e, estão me ajudando – a superar o Transtorno do Pânico e ter de volta, aos poucos, a preciosa liberdade, de poder agora, neste exato momento, estar escrevendo este texto dentro de um ônibus, sozinho!

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    Por: Marcio Alves

    Escrito em 04/12/2015

    Finalmente chegou ao fim todo sofrimento, tormento e desespero que passei ao longo de três meses. Sonhava com este momento mágico, empolgante e feliz. Na verdade, está foi a minha esperança e desejo, que alimentava e renovava minhas forças todos os dias, para novamente reerguer e lutar contra o transtorno do pânico.  

    Mas, será mesmo? Será que estou livre de uma vez por todas, do transtorno do pânico, transtorno da ansiedade e depressão? Ou será apenas transitório a minha melhora? Um breve momento de alivio? Ainda não sei, mas sinto que vou descobrir. Não posso afirmar, até porque, hoje completam, exatamente quatro dias, apenas quatro dias, que o demônio do pânico e seus escravos, tais como, a ansiedade, o medo, angustia, acompanhada do outro demônio chamado depressão, não dão as caras na porta de entrada da minha alma.

    A verdade é que não sei ainda, se já posso comemorar, ou, se é melhor manter cautela, esperando mais uns dias, para ter a certeza de que, realmente estou livre da gaiola do desespero e das correntes da angustia que me prendiam, fazendo sofrer um grande e desumano tormento.

    Livre igual a um pássaro, para poder finalmente alçar voo. O problema é que quando o pássaro, passa muito tempo sem voar, preso na gaiola, seu voo fica prejudicado. Ele poderá até consegui voltar um dia a voar, mas terá um longo e árduo caminho a percorrer até esse momento.

    Sinto-me hoje, como este pássaro fora da gaiola... na verdade, um pouco pior, pois não somente fui jogado pela vida na gaiola dos transtornos mentais, como também, para ter a certeza de que, nunca conseguiria fugir voando, cortaram as assas da minha existência.

    Apesar de não poder alçar voos pelos horizontes da vida, estou livre, capengando, caindo e tropeçando, é verdade, mas ainda assim, continuo seguindo sempre em frente, nunca desistindo ou parando no meio do caminho.

    Tenho plena consciência de que não é fácil, voltar para a floresta da vida, sem minhas assas, pois, mesmo que esteja livre das amarras das doenças mentais, sinto ainda um pouco de insegurança e incerteza.

    Mesmo assim é muito melhor correr o risco que é o viver a vida, do que se entregar e desistir de continuar vivendo livre da gaiola. Penso que, por ter sido muito traumático o sofrimento pelo que passei, é até esperado que eu esteja com um pé atrás, levemente desconfiado que estou livre mesmo.

    Tento em vão, não pensar os pensamentos de um pássaro engaiolado, acorrentado e sem assas. Queria nesse momento só ter pensamentos de pássaros que voam nas alturas. Pena que não é possível não pensar os pensamentos que querem fisgar minha atenção e foco. Pensamentos são livres, ainda mais os traumáticos, não há como evitar de pensa-los, então, uso a meu favor.

    Explico: se a vida fora da gaiola do desespero e agonia do pânico, aonde como pássaro, podia antes, voar livremente, foi, infinitamente melhor do que a vida que vivenciei dentro da gaiola, a de agora, mesmo com todas as dificuldades e insegurança, é muito melhor do que a que eu vivi preso e torturado pela angustia do sofrimento.
                          
    O que preciso neste momento, já que estou, aparentemente liberto, mesmo sem minhas assas, é voltar a caminhar o caminho, mesmo perdido, sem saber qual rumo tomar, em que estrada dentre tantas seguir, ou, se tento voltar para o antigo caminho, mantendo a rota antes das crises. Isto não importa tanto, pois o fundamental é estar livre para escolher que caminhos andar, refazendo minha vida, de agora em diante, não mais voando, mas caminhando.

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    Por: Marcio Alves


    Escrito em 05/12/2015

    Já fazia uns quatro dias que os ataques do pânico não apareciam. Inclusive, em um momento de muita alegria, cheguei a expressar o sonho que parecia ter tornado realidade, de que estava totalmente seguro e tranquilo, livre do pânico com seus ataques. Na verdade, agora percebo o quanto estava mentindo para mim mesmo, dizendo que pânico não me atacaria mais, como se estas palavras, fossem mágicas, uma espécie de mantra espiritual.

    Pela minha experiência que se prolonga por uns três meses, onde tentei de tudo – ou quase tudo, já que não apelei ao mundo "espiritual", embora existissem muitos interessados que eu buscasse este tipo de ajuda – que quando você sofre do transtorno do pânico, com crises muito intensas, que perduram diariamente, não tem uma solução rápida, como se dormisse com tal transtorno e acordasse sem nada!

    O jeito é na verdade, continuar fazendo as coisas do dia a dia, sem que eu tenha o medo de que venha o medo, mas já sabendo que, em algum momento ele vai aparecer, que eu não tenho o controle sobre ele, no sentido de decidir, se ele vai atacar ou não, e, em que momento, o que é pior, porque acabo ficando em estado de alerta, às vezes, apenas torcendo para que ele não venha.

    Mas se vier, posso, mesmo assim ter escolha e poder de decisão, no sentido do como vou reagir emocionalmente, e que atitudes vou tomar. Com isso, posso, com minha reação, contribuir ainda mais para a intensidade relacionado ao aumento e como diminuição das sensações corporais, no sentido de que tenho sempre a escolha de como vou reagir aos ataques do pânico, se com mais pânico e medo – alimentos prediletos deste transtorno – fugindo e correndo para um lugar seguro – que no meu caso é a minha casa – ou ter a consciência e conhecimento prático, de que embora as sensações se deem no corpo, a verdadeira batalha está na mente.

    Partindo das – no plural – experiências vividas do transtorno do pânico, posso afirmar com segurança e propriedade, de que o tentar fugir de um ataque torna-o ainda mais forte. Digo tentar, porque se a batalha está em nossa cabeça – de quem sofre deste transtorno – não adianta fugir para lua, porque até lá, longe da terra, você ainda terá o ataque.

    Demorou um pouco para entender isso na prática – no sentido, de colocar tal pensamento e postura em prática antes e durante o momento do ataque do pânico – que tentar fugir não resolve, que era pura ilusão achar que em um lugar o ataque seria menor e que em outro seria maior. Minha mente é que estava criando tudo isso.

    Na verdade, comparo o pânico como se ele fosse um "Deus" da Bíblia, no sentido de estar em todos os lugares que eu, pois se ele se dá na minha mente, então segue-se, que não importa para onde vá, na vã tentativa de escapar de um ataque do pânico, pois mesmo no lugar mais seguro para mim que era meu lar, ele pode, como apareceu inúmeras vezes.

    Isso para mim foi libertador, no sentido, de a partir daí, começar a questionar os pensamentos de medo e ansiedade que alimentavam o pânico. Hoje já não fujo mais, tanto é que, ontem, sábado, fui para academia – essas foi uma das muitas vitórias que conquistei, o fato de retornar para academia – e no meio do caminho, iniciou em mim pensamentos e a sensação de ansiedade. Não desisti, e convidei meu "velho amigo" que fazia tempo que não vinha me visitar, para ir comigo.

    Fui até a entrada da academia, esperei um pouco e, logo depois, entrei. Porque não entrei logo? No meu caso, os constantes ataques de pânico, provocam sensações corporais muito fortes, ao ponto, às vezes, de ter que deitar, porque meu corpo fica todo tremendo, doendo e anestesiado. Imagina então, treinar com essas condições.

    O treino na academia, por si só, já causa sensações parecidas com a do pânico, também por isso, resolvi voltar para academia – pois os exercícios, levam o corpo a experimentar as sensações parecidas com a do pânico – com o propósito de começar a sentir o meu próprio corpo, tendo controle, tanto por ter procurado, como manter essas sensações com as atividades físicas, perdendo aos poucos, o medo de ter um ataque do pânico – sem contar que tenho prazer em treinar.

    Na verdade, não há o que temer mesmo. Sei que causa muito sofrimento os ataques de pânico, mas sei também por experiência de ter tido, durante três meses, todos os dias, tal ataque, que por mais extremo que seja o ataque, ele não mata, não deixa sequelas permanentes no corpo, e nem me fez nesse tempo todo, ficar louco.

    Esse conhecimento vivido na prática, de verdade, não sei se é bom ou ruim, porque, pelo menos eu, cheguei a tamanho sofrimento, tanto na intensidade como na duração (umas quatro horas) que desejei, embora não tivesse coragem, de que meu coração parasse de bater, dando fim ao meu sofrimento desumano.

    Agora, a experiência, de treinar musculação na academia, sofrendo do ataque do pânico, foi positiva no sentido de ter tido a crise, e mesmo assim ainda permanecido até o final do treino...o ruim foi treinar – como dizem na academia – como “frango”, levantando quase nada de peso. Da próxima vez, vou combinar com ele (pânico) de ter o ataque num lugar mais confortável. (Risos)




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  • 12/11/15--10:41: O bom filho a casa retornar



  • Por: Marcio Alves

    Escrito em 09/12/2015

    Como é bom o simples fato de não estar tendo mais os ataques do pânico diariamente. Poder sentir aos poucos o retornar da leveza da vida, sem aquele peso insuportável da angustia. Perceber que devagar, as coisas vão retornando ao seu lugar, a sua rotina. Como um simples gesto, o de caminhar na rua, se transforma numa façanha incrível. Não tem preço, poder sair de casa para qualquer lugar, sem aquele verdadeiro terror, de que a qualquer momento o pânico iria me pegar.

    Não que já esteja totalmente livre dos ataques do pânico, nem completamente liberto da angustia devastadora que diariamente corroía minha alma. Porém, agora, os episódios de crises do pânico, lentamente vão perdendo cada vez mais força sobre mim. Não passo mais horas sem os ataques como antigamente, porque agora são dias! Isso mesmo!

    Com o decorrer do tempo e a eficácia do tratamento, como também do meu próprio controle sobre minha mente, questionando e desconstruindo os pensamentos irreais de medo e ansiedade, que insistiam em morar na minha mente, as crises passaram a ficar mais espaçadas entre uma e outra, como reduziu a intensidade significativamente. Com isso, chegará o dia em que ela será desfeita como areias lançadas ao vento.

    Ainda bem que não cometi a loucura do suicídio – tudo bem que nesse momento, estou partindo da referência do “Marcio” de hoje, e não do “Marcio” das crises mais agudas passadas. Suicídio que só não cometi, por causa da ajuda dos familiares e amigos, que faziam revezamento para cuidar de mim, não me deixando nem por um momento sozinho.

    Hoje, depois da longa e cansativa batalha que enfrentei, do longo tratamento psiquiátrico e psicoterapêutico, das horas a fio que meus amigos e familiares passaram comigo, estou podendo enfim, triunfar e voltar aos poucos a viver a minha vida, e não a vida me viver, no sentido de não mais apenas sobreviver ao pânico, ansiedade, depressão e angustia, deixando eles me dominar.

    Não posso esquecer do sr. tempo, pois como dizem por aí, que o tempo é o melhor remédio. No meu caso, o tempo ajudou a suportar, pois conforme o tempo passava, passava também as tempestades das crises, sendo que em momentos de grande desespero, meu grande alivio era saber de antemão, pela vivencia, de que em algumas horas estaria melhor. Meu corpo não aguentava tanta crise, e de exaustão, ele, uma hora relaxava.

    Sei que, precisarei ainda por um bom tempo continuar tomando os remédios psiquiátricos, que os mesmos devem ser retirados gradativa e vagarosamente, seguindo sempre a orientação do meu psiquiatra. O importante, além de reduzir significativamente os sintomas, cuidando na prevenção de novas recaídas agudas, é o fato que aprendi a sobreviver um dia, literalmente, após outro. 

    Com essas crises diárias, pensar o amanhã, só pioravam minha ansiedade e angustia. Quantas e quantas vezes, perdi o sono e tive crises de madrugada, por ficar pensando e tentando controlar o dia seguinte, fazendo planos de como evitar ou fugir dos ataques do pânico. Tais pensamentos de ansiedade do amanhã, me impediam de viver o hoje, me causando mais ansiedade ainda, pois não conseguia dar conta nem do dia que estava vivendo, imagina dois.

    Mas hoje, sem a angustia, o pânico e depressão, quero finamente retornar aos poucos... aos poucos estou retornando a minha rotina, tais, como: o ir para faculdade, aonde hoje já estou formado; ir para academia; poder e conseguir sair de casa sozinho; cuidar dos meus filhos estando a sós com eles; sair e se divertir com os amigos.

    Quero mais e mais da vida! Como próximo passo, em uma escada que estou subindo de degrau em degrau, pisar no degrau "trabalho". Estar a tanto tempo em casa, sem trabalhar (cerca de três meses) enlouquece qualquer pessoa. Mas não é somente o trabalho que quero retornar: preciso ainda retomar minha vida de forma geral, que parou, estacionando no tempo, por causa do transtorno do pânico, valorizando as pequenas coisas da vida, pois é mais destas que a vida é feita.

    Enfim, voltei para a vida, para viver ela e não apenas sobreviver a ela. Voltei, mas voltei transformado por passar pelo fogo do sofrimento. Não sou mais o mesmo Marcio que era antes, pois o passar e viver as experiências que eu vivi, me levaram a me tornar que eu sou hoje e quem serei no futuro, pois elas vão continuar fazendo eco dentro da minha alma para sempre até a minha morte.

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    Por: Marcio Alves




    Escrito em 10/12/2015

    Já estava algum tempo sem ter os episódios das crises do transtorno do pânico. Para ser exato, quatro dias, porém, estava a muito tempo sentindo uma sensação estranha, de que estavam me pressionando a não ter mais as crises, de que precisava melhorar a qualquer custo, isto, indiretamente e com muita boa intenção.  

    Na verdade, a pressão de não ter mais os ataques do pânico, vinham de dois lugares. Um era a cobrança feita por mim mesmo, de maneira constante, não somente para não ter mais as crises, mas também para voltar a realizar todas as atividades que fazia antes das crises. A segunda, externa, que viam justamente das pessoas que me amavam, que viam, acompanhado meu sofrimento e procurado ajudar.

    A primeira, vinda de mim, era a cobrança de que preciso e que tenho que melhorar totalmente, tendo como último grande objetivo a ser alcançado, o voltar a trabalhar, a ter uma vida ativa e organizada, a não depender tanto das pessoas, inclusive, financeiramente. Não que seja de todo ruim a dependência, pois somos seres sociais, e como tais, precisamos do outro, mas no sentido de ter adoecido e necessitar, não parcialmente de um amparo, mas completamente.

    Em relação ao trabalho ser o último objetivo, não é porque não seja prioridade, de forma alguma, mas, por experiência própria e também por estudar sobre o assunto, se mede a gravidade de um transtorno pelo quanto de intensidade e duração, como de prejuízo que traz para a vida da pessoa. Sendo assim, vivo na pele, que de todos retornos a minha rotina que tenho feito, o maior desafio deles é justamente poder ter plenas condições psíquicas e emocionais de voltar ao trabalho.

    Já a outra, a segunda, tem vindo das pessoas que me amam, e que, por justamente me amarem, e por terem me ajudado muito, se dedicando, muitas vezes até se sacrificando, para que viesse sair logo desta situação. Talvez por esse fato, de terem se dedicado durante tanto tempo e com tamanho esforço, elas agora querem ver o “resultado”, digamos, final que é minha melhora por completo.

    Nisto é que se reside, porque tal cobrança, vindo externamente das pessoas, se tornou um fardo, pois sinto que elas têm total direito de cobrarem melhoras minhas. Cobrança esta que se dá pelo perguntar diariamente “Marcio como você está? Está bem hoje?”, sendo que, em alguns momentos, chego a ouvir diversas vezes no mesmo dia estas perguntas.

    Como também, nos últimos episódios recentes da crise, pronunciarem palavras de autoajuda, mas com uma ênfase de cobrança no tom de voz, “isso não é nada”, “daqui a pouco passa”, “você já melhorou, isto não vai acontecer mais” e assim por diante. Outro tipo de ajuda que me deixa pressionado, é quererem me tirar de casa de qualquer jeito, me levando para lugares que eu não estou afim de ir. Tudo isso, com a boa intenção de que eu melhore.

    Mas entre a cobrança de "fora" e a minha de "dentro", a minha acabou se tornando mais constante e dura, até porque, dela, não tenho como escapar, pois ela se dá dentro de mim, através dos pensamentos que nunca se calam. Na verdade, se há alguém mais interessado e cansado ao mesmo tempo, com todo este sofrimento, esse alguém sou eu.

    Tenho a consciência de que, a cobrança daqueles que me ama, é também, por não suportarem mais, ver alguém de quem eles gostam tanto, sofrendo desse jeito. Tais cobranças, as que vem de "dentro" e as que vem de "fora", me fizeram preferir a crise. Isso mesmo que você leu! O não ter crise, no sentido de dominar e controlar, impedindo que elas apareçam, se tornou mais pesado do que ter propriamente as crises.

    Chegou a se tornar uma verdadeira obsessão minha, de não ter mais nenhuma crise. Cheguei varias vezes a contar os dias sem as crises, buscando sempre estar com minha mente ocupada, com distrações de todo tipo, não permitindo espaço para as crises virem. Com isto, acabei não permitindo o total relaxamento, não desfrutando por inteiro os bons momentos que vivia.

    Reconheço que não foi fácil, tanto para mim, como para as pessoas que me ajudaram. Na verdade, todos nós estamos cansados e exaustos: eu por viver diretamente as crises no meu corpo, e os pensamentos de medo e ansiedade na mente, e as pessoas por me verem no estado que cheguei e que estou quase saindo.

    Agora quero uma vida sem as crises e a pressão de não ter mais crises. Desejo o dia que tudo isso será passado, e que minha mente não tenha mais os pensamentos de medo e ansiedade que alimentam o pânico, pois só assim, voltarei a viver minha vida tranquila e naturalmente, sem me forçar a nada, com medo das crises, mas pelo prazer e desejo de fazer as coisas que eu gosto.

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  • 12/17/15--10:22: Mudanças



  • Por: Marcio Alves

    Tudo muda sempre. A vida é em si mesma, sinônimo de mudança. Sempre um constante movimento. Nunca se tornando estática e imutável. Não importa o esforço que empregamos para permanecer imóvel no mesmo lugar: A vida vem e te empurra e desloca, tirando do lugar.

    No meu caso, toda mudança que se deu na minha vida depois das crises constantes de ataques do pânico, foi profunda e significativa, como se a vida tivesse me virado do avesso, totalmente ao contrário. Após três meses da mais avassaladora crise, passado a tempestade, não tinha como não mudar, de ver e viver a vida de forma totalmente diferente do que era antes dela (crise).

    O que aconteceu de fato comigo, foi que as crises do pânico se tornaram um “divisor de aguas” na minha vida. Não sou mais o mesmo Marcio de outrora. Agora sou o Marcio com a experiência devastadora, de ter vivido na própria pele o transtorno do pânico, no grau mais grave dessa doença psicopatológica.

    Depois de tanto ter sofrido horrendamente, em consequência do transtorno do pânico, mudei meus valores e perspectivas relacionados à vida. Deixei de ser a única pessoa mais importante para eu mesmo: Agora, às pessoas que amo, são também importantes. Não sou mais autossuficiente como acreditava que fosse. Não penso mais que não precisamos da ajuda das pessoas.

    A bem da verdade, reconheço hoje que não suportaria viver numa ilha aonde minha única companhia fosse eu mesmo. Nessa crise, pude perceber o quanto ter amigos que verdadeiramente te amam é fundamental para sair de qualquer situação adversa. Que é bom ter amigos que eu possa confiar e contar. Como suas presenças traziam alivio e certo prazer por simplesmente estarem ao meu lado.

    Tenho a consciência que a partir de agora, pós os ataques de pânico, estou construído novos valores, que pretendo cultivar para o resto da minha vida. Um deles, certamente, é o precioso valor de uma amizade sólida que exige tempo, cumplicidade, lealdade, carinho e intensidade de passar horas e horas conversando.

    Se antes era arrogante, egoísta e individualista, onde tinha a ilusão de acreditar que o universo girava entorno de mim, amadureci tanto, talvez mais nestes três meses de crise do que no ano inteiro, que estou em um processo de mudança, tanto de postura, como de caráter: Assim como foi determinante para minha recuperação ter amigos que se sacrificaram para me ajudar, estou mais flexível a pensar no outro que sofre e que precise de ajuda, abrindo mão um pouco de meus interesses se necessário for.

    Somente agora vejo, o quanto minha esposa é especial. O quanto ela foi guerreira o tempo todo, sempre ao meu lado, fazendo todo esse longo e árduo caminho, do início ao fim, ajudando-me a superar essas crises terríveis. De não perder a esperança nos momentos mais difíceis, sempre trazendo a minha memória, de que no dia anterior, as crises tinham passado, podendo depois relaxar e descansar um pouco, e que, não seria diferente em todas crises que tivesse.

    Mudei em relação aos meus filhos, estando agora muito mais presente em suas vidas. Quanto não sofri durante todo o período que fiquei em casa confinado, igual um prisioneiro, só que na própria casa, sem sair à lugar algum, tendo que contentar-me apenas a olhar ou ouvir meus filhos brincarem alegres, sem poder participar.

    Agora tendo passado as crises, dando continuidade no tratamento para manter sobre controle o transtorno do pânico, dedico-me muito mais à estar com meus filhos, de gastar meu tempo com eles, estando eu inteiro, no sentido de não deixar levar meus pensamentos para outro lugar que não seja o momento que estou vivido com eles.

    Mudei meus pré-conceitos em relação ao adoecer. O humano, seja ele quem for, está sujeito ao adoecimento, inclusive, não somente do corpo, mas também da mente – se é que podemos fazer essa divisão, pois quando o corpo sofre a mente padece junto, ou seja, é o “eu”, no sentido do “todo” da pessoa que adoece e não apenas “parte” dela. Sou psicólogo sim, mas isso não impediu que tivesse o transtorno do pânico, pois antes de tudo sou humano como qualquer outro ser humano, suscetível a quaisquer doenças.

    Mudei, estou mais sensível com o sofrimento dos outros. Não consigo mais passar por um mendigo, drogado e doente, sem ponderar que eu podia estar ali. Meus olhos, mais do que nunca, estão “abertos”, prestando atenção nas pessoas ao meu redor. As pessoas marginalizadas não são mais “invisíveis” para mim.

    Agora, depois de sentir-me que estava entre a vida e a morte, em decorrência do sofrimento advindo dos transtornos, consigo, sem demagogia e falsa modéstia, colocar-me no lugar do outro que padece – principalmente daqueles que estão passando por crises parecidas com a minha. Sinto que isso está sendo possível, dado ao tamanho do sofrimento que vivi, permitindo-me ser mais solidário e humano para com aqueles que sofrem.

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  • 01/17/16--07:27: Oração de um ateu

  • Obrigado Senhor Deus, por estar sempre exatamente no lugar onde eu não estou. Obrigado por nunca ter atendido a nenhum de meus pedidos, certamente eles não me edificariam, afinal de contas eram pedidos absurdos como: ter uma família, ser feliz, não passar necessidades. Agradeço também por aquela vez em que pedi, aliás, implorei, para que meu pai não morresse daquela maneira tão triste.

    Obrigado Senhor Deus, por ter colaborado de forma ímpar para que eu passasse em 5 concursos públicos, e só ter pedido para que eu fizesse a minha parte, que consistia apenas em estudar 10 horas por dia durante 1 ano inteiro e ter que largar o trabalho, negligenciar a família e os amigos. “Faça tua parte e eu te ajudarei”. Valeu mesmo!!

    Obrigado Deus por ter enviado aqueles 2 ladrões que roubaram o Tablet que eu comprei por R$ 1.200,00, obviamente com sua ajuda, e também por ter permitido que ladrões entrassem na minha casa enquanto eu estava trabalhando e furtassem meu Notebook com 95% do livro que provavelmente já estaria publicado. O senhor sabia que não era a hora certa de eu ter essas coisas supérfluas que só me faziam estudar e apurar minha escrita. Tu sabes de tudo!

    Sou-lhe eternamente grato por, em 2 meses, fazer com que um pico de energia queimasse a placa-mãe do meu PC 2 vezes me fazendo gastar mais R$ 900,00. Isso, é claro, hoje eu entendo, que era a sua maneira de me mostrar que devo ser humilde e pedir dinheiro emprestado para os amigos para efetivamente não parar de estudar. Só lembrando, ainda estou devendo ao amigo.

    Agradeço também por colocar pessoas delicadas e compreensivas em meu caminho, que ao saberem que fui aprovado em tantos concursos, me lembrarem que foi graças ao senhor essas vitórias, até porque vem do senhor esta força de vontade de me manter com a cara nos livros durante 10, 12 horas ininterruptas. Ah, esqueci de mencionar que essas pessoas me chamaram de louco, ou que eu ficaria louco de tanto estudar. Dá um toque pra elas aí, que foi tudo propósito do senhor.

    Aproveita Senhor, e diz pra elas que o normal é ficar sentado numa cadeira confortável de igreja, ouvindo um de seus ministros falar que tem “anjos sobrevoando neste lugar, em cima do povo e descendo do altar”, que o Diabo (com D maiúsculo mesmo, pois é nome próprio) está procurando a quem destruir, e que o sangue de seu filho Jesus tem um preço, mas pode ser pago com cartão de crédito, se for o caso. Não, isso não é loucura!

    Agradeço por ter enviado tantos profetas para dizer que eu ficaria doido por ler a Bíblia tantas vezes (oito no total), que estudar tanto me deixaria doido, que ser ateu me deixaria doido. Enfim, pelo visto loucura é a tônica dos argumentos da maioria dos seus fiéis. Tem gente explodindo seus corpos e metralhando franceses em seu nome Deus. Avisa aí que entenderam errado! E sim, eles são os normais.

    Nem sei como agradecer ao Senhor ao ver que minha dispensa só tem meio quilo de feijão e duas gelatinas. Minha conta de energia, internet, e pensão das crianças estão atrasadas e este semestre não vou à faculdade por não ter dinheiro pra rematrícula. Brigadão Mesmo!

    Tudo isso pai, me fez ver o quão importante és pra mim. Vi também que a sua apatia é motivada. Vejo como o senhor interfere no mundo para salvar as crianças que morrem aos montes no chifre da África, no Sudão do Sul, no Oriente Médio, em Mariana, no Bataclan, nas torres gêmeas. Se o senhor não descruzou os braços para agir diante de tanta injustiça, há um propósito. Sei que escreves certo por linhas tortas, mas não esqueça que o povo não sabe ler direito, aliás, ler demais deixa doido.

    Não vejo a hora de chegar aí em cima, pro dia do julgamento. Falando em julgamento pai, se Judas ainda não foi julgado, gostaria de defendê-lo no tribunal, até lá já serei advogado formado (graças a ti, lógico). Creio que ouve um equívoco e estão falando por aqui que Judas já está condenado, pois traiu seu filho com um beijo. Olha, analisando os fatos, segundo relatos Bíblicos, sabe aquele livro que fala do seu amor, então, o coitado do Judas não teve muita opção, uma vez que foi escolhido pelo Senhor para ser “vaso de desonra”, e além do mais o próprio Jesus disse pra ele fazer depressa o que tinha que fazer. Vele também que ele se arrependeu posteriormente e devolveu a grana da propina e até se matou. Bom, mas vamos esperar um pouco até eu chegar por aí.

    Pra terminar Senhor, agradeço pelos nossos políticos aqui no Brasil, estão fazendo um trabalho excelente por aqui, quase tão bom quanto o dos ministros das inúmeras igrejas Tuas. Tá uma festa só.

    Olha pai, se minha oração parece um pouco incrédula, é só impressão. Nem sei o que seria do mundo se o senhor não gerenciasse nossas vidas, não acabasse com mal, não curasse as dores de cabeça e de ouvido, mas se me permite dizer algo, acho que o senhor deveria também atuar em outras áreas, tipo Oncologia, Cardiologia e Psiquiatria, pois o que tá tendo de doido por aqui...não tá no gibi.

    Agradeço senhor em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo. Mande um salve aí pros outros dois que tão meio sumidos. Fui!!

    Edson Moura

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    Por Edson Moura

    "De que vale o eterno criar, se a criação em nada terminar? Se perderão num imenso nada e, mesmo depois de ficarem famosos por suas teorias, cairão num mar de esquecimento, pois entenderão que não passam de “produtos de suas épocas”, saberão que não são eternos como eu."“Sede fecundos e multiplicai-vos”, foi o que eu disse. Mas, sinto uma necessidade urgente de rever meus cálculos. O homem, minha criação magnífica, aparentemente conseguiu cumprir uma de minhas ordens finalmente, entretanto, talvez esta seja a única das ordenanças que eles deveriam ter ignorado. Mea culpa!

    A população Mundial explodiu de forma descontrolada, passando de um para dois bilhões de pessoas entre 1850 e 1925, um intervalo de apenas 75 anos. Passou de dois para três bilhões de pessoas entre 1925 e 1962, 37 anos. Continuou a se multiplicar e chegou a quatro bilhões de pessoas de 1962 a 1975 - 13 anos. De quatro para cinco bilhões de pessoas entre 1975 e 1985 - 10 anos. Continuou sua reprodução e alcançou o numero alarmante de 5 a 6 bilhões de pessoas entre 1985 a 1994 - 9 anos. E por fim, me causa espanto o que observo hoje. A humanidade passou de seis para sete bilhões de pessoas entre 1994 a 2011 - 17 anos. Não é preciso ser Deus para saber que a matemática não mudará sua lógica. 

    Se a natureza não encontrar uma maneira de “se purificar”, acredito que nem eu poderei impedir a extinção desta espécie. Ao longo dos séculos, tentei impedir que o fim chegasse. Mandei dilúvio, incitei batalhas sangrentas, criei líderes megalomaníacos que, sem saber, trabalhavam para mim, com o intuito de diminuir a quantidade de pessoas. Mandei a Peste Negra, terremotos, maremotos, causei vazamentos em usinas nucleares, desenvolvi em meu tanque de experiências, doenças incuráveis, doenças, me matavam rápido, outras que aniquilavam aos poucos. Nada funcionou. A capacidade de procriação de minha criação é absurdamente rápida. Perdi o controle.

    Como ratos no porão de um navio, comendo e se procriando desordenadamente até sue número ser tão grande que o único alimento que terão será o próprio navio, ou uns aos outros, assim vejo o triste fim do homem. Sei que a “pequena esfera azul não suportará vinte bilhões de homens, mulheres e crianças... muitas crianças. Será uma cena “Dantesca”, corpos amontoados uns sobre os outros, apodrecendo, matando, roubando, infectando. Interessante eu pensar no homem como um rato. Talvez seja porque fora com esses animaizinhos que eu consegui exterminar um terço da população europeia, cerca de setenta e cinco milhões de humanos, logo depois de matar dois terços da população chinesa. Na época, foi um sucesso. A Europa enfim soergueu-se, tendo uma explosão intelectual, artística e principalmente, no campo das ciências médicas. 

    Os que sobreviveram, começaram a traçar novas metas para seu futuro. Vacinas foram criadas, curas encontradas, a higiene deu um salto enorme, evitando assim a maioria das doenças que realmente matavam rápido. Mas, mesmo depois dessa diminuição drástica e da riqueza que conseguiram com a sobra de terras, alimentos e ar puro, o homem iniciou novamente seu crescimento. Enterraram a cabeça na areia como avestruzes, ignorando o perigo a sua volta, um mecanismo de defesa que certamente a natureza lhes deu á medida que iam evoluindo. A negação.

    Como crianças que escondem o rosto, acreditando que não podem ser vistas, assim são os adultos. Não pensam em sua extinção, não pensam que a explosão demográfica será o seu fim, não o Apocalipse narrado por João na ilha da Patmos. Até certo ponto, os que acreditam na minha existência estão certos ao dizerem que o fim está próximo, com suas profecias escatológicas eles predizem algo que no fundo não sabem como se dará, mas sabem que acontecerá. Chegará e não tardará o dia em que eles terão que escolher entre caminhar entre corpos em putrefação ou cometer um suicídio altruísta, dando a chance dos mais novos viverem. É isso, ou uma esterilização em massa dos povos mais pobres, da escória que contamina o mundo se reproduzindo como um vírus replicante até que seu número destrua o hospedeiro, e o hospedeiro desta vez não é um organismo vivo, mas sim, a própria Terra.

    A crença na criação já é obsoleta, a Seleção Natural é coisa do passado, o que vejo agora é a Seleção Artificial. O homem já manipula seu código genético, já elimina doenças hereditárias, já desenvolve seres mais fortes e que viverão muito mais do que eu imaginei para eles. A criatura se rebelou mais uma vez contra seu criador, não aceitando o maior presente que lhes dei, a saber, a finitude. Quando não mais morrerem, eu me tornarei obsoleto também. Desnecessário. E por fim, jamais acreditarão que eu os criei. E tudo parecerá como um castigo. Sua extinção será desencadeada justamente no momento em que pensarem que não mais precisam de mim. Um final poético até.

    Para um Ser perfeito como eu, nada se encaixaria melhor nesta tragédia que criei, do que a morte para todos que não creram em mim. Se algum dia, uma nova raça vier a povoar a pequena esfera azul, e encontrar o livro onde sábios homens falaram de mim, é bem possível que eu mesmo seja ressuscitado e volte a habitar o coração dos povos, e volte a ser o maior e mais poderoso Ser de todo o universo. E serei lembrado eternamente como o “Deus que aniquilou toda a humanidade pecadora”. E nunca saberão, na limitação de seus intelectos, se eu fiz tudo isso, ou se fizeram a si mesmos.

    Ass, Deus

    Uma analogia a teoria Malthuziana da explosão demográfica

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    Deus está com seus dias contados, é o que penso. Um dos poucos esconderijos que ele ainda possui é justamente aquele que tornou-se alvo do exame científico. Os mistérios atribuídos a Deus pela falácia da complexidade irredutível, ou seja, se uma coisa é por demais complexa para que a entendamos, logo, fora projetada por Deus. 

    Ao longo dos anos muitos se calaram, pois soavam absurdas demais suas teorias sobre a evolução dos organismos. Se existe algo que esses propagadores da teoria do "design inteligente" deveriam fazer é apelar, com lágrimas nos olhos, aos cientistas menos preocupados com a explicação do inexplicável dizendo assim: 

     _Se vocês não entendem como as coisas funcionam, não há problemas, simplesmente esqueçam tudo e digam que Deus as criou. Vocês não fazem a menor ideia de como um impulso nervoso funciona? Tudo bem! Não entendem como as lembranças se fixam em nossos cérebros? Excelente! A fotossíntese é um fenômeno absurdamente complexo? Maravilha! Por favor, não saiam trabalhando em cima do problema, apenas desistam e apelem a Deus. Caro cientista, não estudem seus mistérios. Tragam seus mistérios à nós, pois podemos usá-los. Não desperdicem suas ignorâncias pesquisando por aí. Precisamos dessas preciosas lacunas para usarmos como último refúgio de Deus". 

    Santo Agostinho disse de forma bem clara: "Existe outra forma de tentação, ainda mais perigosa. É a doença da curiosidade. É ela que nos leva a tentar descobrir os segredos da natureza, segredos estes que estão além de nossa capacidade de compreensão, que nada nos podem dar e que nenhum homem deveria tentar descobrir" 
     Noreda Somu Tossan

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  • 10/26/13--20:52: Não existem provas...ainda.
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    Adicionar legenda


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  • 11/03/13--14:33: Alguns aforismos do Noreda









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  • 11/03/13--15:09: Quero comprar um amigo

  • Quero comprar um amigo
    Não importa o preço, eu pago
    Quero comprar um amigo
    Se for para sempre não acharei caro.

    Me vende um amigo seu?
    Vejo que você tem vários.
    Me vende um amigo seu?
    Amigos já estão raros.

    Pode ser um fingido
    Que me engane quando me abraça
    Pode ser um fingido
    Que contente iludido me faça.

    Mas me venda um amigo solteiro
    Que não me troque por uma mulher
    Só quero daqueles livres
    Que me visite quando quiser.

    Não sei se terei dinheiro
    Mas tudo que tenho darei
    E quando me perguntarem
    Comprei-o é o que direi.

    Fiquei pobre e miserável
    Vivendo como um mendigo
    E ao meu lado quando olharem
    Sempre o verão comigo...

    Quero comprar um amigo.

    Edson Moura

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  • 11/05/13--17:25: O Provocador


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  • 11/17/13--13:16: Fé re-condocionada

  • Por Edson Moura
    Longe de mim querer elucidar as grandes questões existencialistas que povoa a mente de muitos de nós, mas pelo menos às minhas luto em encontrar respostas. Em algum comentário a um amigo em outro artigo, disse que ele não pensa o que acha que pensa, mas na verdade, todos nós acreditamos que estamos pensando o que queremos, o que não passa de auto engano.

    Sempre fomos condicionados a ouvir o que os nosso cuidadores nos dizem, coisas do tipo, Não atravesse a rua sem olhar para os dois lados, não pule da beirada de um prédio, não enfie o dedo na tomada, não se aproxime de um cão que late ferozmente e tantas outras coisas. Tendemos a repassar esses cuidados a nossos descendentes. Com a religião não foi diferente.

    Não acho ser tarefa fácil deixar de acreditar em algo que por tantos anos nos foi passado de geração a geração. Cremos mesmo quando não queremos crer. Evoluímos mas não deixamos de repetir aquilo que nos foi ensinado. Alguém disse uma vez: "De me uma criança e lhes devolverei um homem", isso não mudou. Boa parte de nossas crenças vem de berço. Da ingenuidade de nossos pais ao pedir que agradeçamos ao papai do céu pelo alimento, à desculpa que nos deram quando diziam que nosso cachorrinho morto ou nossa mãe falecida está morando no céu com Deus. Tudo fica firmemente arraigado na mente da criança. E depois que cresce, ela tenderá a ensinar os seus com as mesmas técnicas.

    Nem toda evolução é boa. Temos o exemplo do vírus da gripe que não me deixa mentir (sozinho). Da maneira como venho criando meus filhos, é bem possível que meus bisnetos pensem bem diferente com respeito à religião. Crio-os como ateus, mostro-lhes que a religião foi importante, mas que nada é factual. Talvez seja um desserviço à sociedade (como muitos dizem), mas continuo agindo da maneira que considero achar mais saudável para suas mentes ainda em formação.

    Outro amigo certa vez disse que todas as nossas conversas descambam para a religião, não poderia ser diferente, a religião está entronizada em nosso meio assim como a capacidade de se apaixonar e acreditar que aquela pessoa é a mais bela, e mais carinhosa e a mais perfeita entre todos as outras disponíveis. Toda crença é cega (crença religiosa), somos como insetos navegando sem bússola rumo à luz de uma vela. Esses insetos acreditam estarem fazendo a coisa certa, pois qualquer ponto luminoso fixo serve-lhes como farol, sejam a lua ou as estrelas, ou a chama de uma lamparina. Eles agem “errados e certos”, “certos mas errados”, pois seguem seus instintos mais primitivos, mas não calculam o efeito colateral, que é o suicídio acidental.

    Com a religião é da mesma forma. Todos querem usar as narrativas religiosas como bússola para sua vidas, e não contam o efeito colateral que é a anulação de sua razão. Crer é algo perfeitamente natural e deriva da evolução, mas chega um tempo em que devemos questionar até mesmo aquilo que julgamos ser a verdade de nosso sábios pais, nosso pastores e nosso livros milenares.

    Lutero disse algumas coisas que me deixam estarrecido, não só pela ousadia pretensiosa de sugeri-las, mas pela lógica racional com que desenvolveu tais pensamentos.

    "A razão é o maior inimigo que a fé possui, ela nunca aparece para contribuir com as coisas espirituais, mas com frequência entra em confronto com a palavra divina, tratando com desdém tudo que emana de Deus" Lutero

    "Quem quiser ser cristão, deve arrancar os olhos da razão" Lutero

    " A razão deve ser destruída em todos os cristãos" Lutero

    "Todos são pensamentos inteligentemente projetados para fazer com que os mais despreparados intelectualmente fossem os maiores propagadores da fé, e funcionou, e hoje é visto como motivo de orgulho, a fé ter sido mantida e disseminada por grupos de analfabetos." Edson Moura

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