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    A filosofia, ao contrário do que muitos imaginam, não deve ser complicada, ao invés disso, ela deve ser o mais objetiva possível, sem palavras difíceis que muita das vezes estão ali, presentes nos artigos filosóficos apenas para dar um ar de intelectualidade ao autor. Costumo escrever muito sobre morte, o que me rendeu um rótulo de pessimista, mórbido, desiludido ou decepcionado com a vida, ou seja, uma pessoa propensa ao suicídio. Pois bem, que pensem o que quiserem. Não me importo (muito) com esses detalhes. Enquanto vão me tachando de frustrado eu vou vivendo e sorvendo cada minuto da minha existência como se não fosse haver outros mais. 

    Muitos dizem (eu inclusive) que a morte faz parte da vida, o que não soa muito correto se formos ser rigorosos com os termos. Ninguém que ainda esteja vivo, (eu, você que está lendo, todos nós) experimentou de fato o que é morrer. A morte é o fim de um processo orgânico, que ao cessar de pulsar como vida, se acaba, se extingue. Portanto, a morte faz parte do “além-vida”, a morte pertence apenas ao mundo dos mortos. O problema é que o mundo dos mortos faz parte do mundo dos vivos, seja no culto aos mortos, nos cemitérios, nos rituais fúnebres das tantas religiões, na poesia, na literatura, na saudade que fica ao perdermos um ente querido e na “esperança de um dia o encontrarmos novamente na eternidade”. É aqui que entra a Filosofia.

    Se a morte não faz parte da vida, pelo menos ela deve fazer parte do pensamento dos que estão vivos. A consciência que nós “sapiens” temos da morte nos persegue e nos obriga a tomarmos uma posição, mesmo que esta seja fugir de sua lembrança inventando mil desculpas e sublimações. Mas já os que possuem fé, ou acreditam na continuação desta vida, concebem em suas cabeças, um paraíso ou um inferno, um nirvana, um renascer, ou seja, morrer de forma alguma é o fim para essas pessoas. Platão e Sócrates acreditavam nisso, portanto, filosofaram sobre a Vida e a Morte. Já Nietzsche e Sartre não acreditavam, mas também filosofaram. E se para Cícero, “Filosofar é aprender a morrer”, poderíamos reescrever esta frase e dizer: “Filosofar é aprender a viver”.

    Todos os seres vivos morrem. Eu disse Todos! Esta é uma lei natural e universal a que ninguém escapa, logo, o ser humano, como animal, também morre. É certo que os avanços na medicina ou na engenharia genética andam prometendo certa “imortalidade” para em breve. Mas não sabemos quando, nem como e sequer, se atingiremos este sonho. Mas só o homem tem consciência de que vai morrer. E por este motivo, já antes de nossa morte, podemos senti-la, pensá-la, vivê-la, o que não deixa de ser um paradoxo. O fato é que, dessa consciência que temos de que vamos morrer, surge uma gama de possibilidades e consequências históricas, culturais, sociais e filosóficas sobre a significação humana da morte. Daí surgiu as grandes religiões, com a promessa de que o homem não morre para sempre, de que ele sobreviverá à morte física. Sejam eles os Cristãos, os Muçulmanos, os Judeus ou os Budistas.

    Mas embora tantos prometam uma vida após a morte, a ressurreição, o renascer, o reencarnar-se, o nirvana, ainda persiste o problema de que cada ser humano terá que enfrentar sozinhos a “travessia com o barqueiro para o outro lado”. Mesmo com o consolo das crenças e das religiões, o medo de deixar a vida continua assombrando a humanidade, provocando calafrios, fugas, alienações, neuroses e orações. E ainda que as religiões prometam a salvação eterna, muitos de seus fiéis abarrotam as igrejas com seus corpos mortais adoecidos em busca de um milagre, curas físicas ou espirituais, prosperidade financeira, o retorno de um amor perdido, ou seja, a felicidade aqui e agora, o mais longe possível da famigerada morte. Ninguém que morrer, nem tampouco falar da morte... da sua morte. O medo da morte é um dos maiores incentivos para a atividade humana, atividade esta, em boa parte destinada a evitar a chegada da inevitável morte, buscando inutilmente vencê-la, enganando-se com a negação de que ela seja o destino final do homem.

    Se olharmos com atenção para as diversas civilizações e povos da história da humanidade veremos que todos tiveram e têm uma relação ritual e simbólica com a presença da morte, embora, possamos encontrar sociedades que lidem de diferentes formas com a mesma. Desde que se criaram as religiões e os deuses, os rituais criados pelo homem nada mais são do que formas de se relacionarem, de “negociarem” com o sagrado, com o sobrenatural, o mistério divino, tendo como anseio galgarem uma vida que supostamente se estenderia para além desta. Assim o homem buscou, busca e continuará buscando por muito tempo ainda a imortalidade e o eterno. Foi assim que as civilizações antigas inventaram suas crenças absurdas, seus rituais grotescos (a começar pela feitiçaria).

    Certamente os feiticeiros foram os primeiros a tentar controlar, pela magia, as forças, sejam elas do bem ou do mal, em benefício do próprio homem e suas necessidades de sobrevivência histórica ou para além dela. Depois deles vieram os sacerdotes, os profetas, os enviados por  Deus ou pelos deuses, tentando mostrar assim que, mesmo sem experimentar literalmente a morte era possível um prelúdio de como seria o mundo dos espíritos, de como os heróis mitológicos iam e vinham do reino dos mortos, vitoriosos, carregando a cabeça de seus inimigos, ou amarrando as serpentes infernais em cativeiros no submundo. Assim foram os deuses do Egito Antigo, Ísis, Osíris, Néftis, entre tantos outros. A crença da imortalidade da alma, que certamente inspirou a fé judaica, marcou toda a milenar cultura egípcia, cujas pirâmides que até hoje erguem-se imponentes nas areias do deserto do Saara, nada mais são do que túmulos de seus reis, guardando sarcófagos com suas múmias embalsamadas e cheias de tesouros, esperando a volta de suas almas do mundo dos mortos.

    Na Grécia, os cultos a Orfeu e a Dionísio e os mistérios de Átis e de Adônis possuem a mesma essência, a saber, a morte e o renascimento. Por aí podemos avaliar que, enterrando ou cremando seus mortos, a humanidade sempre revelou e continua a revelar essa crença ou, como alguns gostam de chamar, fé, na eternidade da vida para além da morte.
     
    Continua...

    Edson Moura

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    "NÃO GOSTO DELA, pois ela é muito falsa, mas será quê ela consegue perceber mesmo eu não demonstrando?".
    Precisamos entender de uma vez por todas, que não há possibilidade nenhuma de termos (manifestarmos) um não comportamento. Dito de outra forma: tudo, qualquer ação como não ação, é algum tipo de comportamento.
    Mesmo que eu diga a mim mesmo: "vou ignorar fulano, pois não to afim de interagir com ele hoje", é em si, uma forma de comportamento: o comportamento de ignorar, de rejeitar qualquer interação.
    Nesse sentido, tanto o falar, o dirigir alguma palavra à alguém, o tomar iniciativa, o aceitar interagir são comportamentos, como o não falar, o não se manifestar, o próprio silêncio, ou evitar alguém, são manifestações também de comportamento.
    E todo e qualquer comportamento tem valor de mensagem. O que significa dizer, que o comportamento é uma forma tão clara de "falar" como o próprio ato de falar.
    Nesse sentido, como vivemos em sociedade, com pessoas sempre a nossa volta, em nosso caminho, estamos o tempo todo enviando mensagens, nos comunicando, através de nossos comportamentos - como recebendo também mensagens dos outros.
    O que significa dizer, que estamos em constante interações, sendo que o outro, na impossibilidade de não se comunicar, responde de alguma forma ao nosso comportamento - e vice e versa.
    Exemplo: se sento ao lado de uma pessoa no ônibus, e começo a ler um livro (um dos meus maiores prazeres), estou através de meu comportamento, enviando uma mensagem clara: não estou afim de conversa, quero ler o livro.
    A pessoa que esta ao meu lado, entenderá minha mensagem, e assim, responderá com seu comportamento, seja aceitando que não to afim de conversa, se mantendo em silêncio, olhando pela janela do ônibus, ou, se não tiver "simancou" (bom senso) poderá interromper minha leitura puxando conversa comigo.
    Um ponto importante de se mencionar, é que pode haver, como geralmente há, comportamentos não intencionais e conscientes, o que não anula o comportamento, e nem sua mensagem - seja ela qual for.
    Ou seja: posso ao me sentar ao lado de uma pessoa no ônibus, pegar meu livro e começar a ler, não percebendo que estou sendo indiferente a pessoa do meu lado.
    Portanto, uma forma bacana de tomar cuidado com as mensagens que enviamos através dos nossos comportamentos, é o de começarmos a prestar mais atenção nas mensagens que estamos enviando através de nossos comportamentos.

    Marcio Alves ‪#‎MinhasDivagaçõesReflexivas‬

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  • 08/19/16--03:30: Do que somos feitos?

  • Não sei porque, mas tenho a sensação de que a “matéria prima” da qual somos feitos, – seja por Deus ou mero Acidente – é feita, basicamente de falta, tédio, angústia, solidão, com algumas “pitadas” de medo.
    Falta: a psicanálise (principalmente em Freud e Lacan) nos descreve como seres “faltantes”, que desejamos porque nos falta alguma coisa. Mas a verdade é que sempre nos falta alguma coisa. Mesmo que tenhamos muitas coisas, sempre falta algo a mais.
    Tenho o pressentimento, de que a “falta” encontra-se alojada dentro de nós, como um verdadeiro parasita, que mesmo quando é alimentado, sempre volta a sentir “fome” - esta “fome” é a falta, ou seja, a falta não é de um objeto específico, mas fala de algo em nós: somos seres desejantes porque somos seres faltantes.
    Tédio: é o famoso “trio” denunciado já algum tempo, pelo filósofo Schopenhauer: desejo aquilo que me falta, mas quando sacio o desejo, me satisfazendo com o objeto faltante, me vem de imediato o tédio.
    O que mais próximo chegou, a meu ver, de descrever a sensação do tédio, foi o sábio do livro de Eclesiastes, quando diz que “vaidade por vaidade, tudo é vaidade”, palavra esta, que traduzida no latim significa “nuvem de vazio”, ou seja, tédio é o satisfazer um desejo de uma falta, descobrindo que não passava de uma mera “nuvem de vazio”.
    (Não importa o que façamos, tudo é pura "vaidade": "nuvem de vazio". Estamos condenados a rastejar pelo resto da nossas vidas, em vão, a procura de preenchimento permanente, pois tudo que usamos para nos encher, logo se esvazia, dando lugar ao vazio).
    Angústia: Kierkeegaard e Pascal (ambos filósofos cristãos, e dos grandes) denunciaram a angústia como condição humana inexorável: se somos seres faltantes, que por ter a falta, desejamos, que ao satisfazer o desejo caímos diante do tédio indiferente a nós, se tudo é "vaidade", logo, nos angustiamos, dai, não escaparmos de nossa condição. Para além de qualquer escolha, de qualquer vida “boa” possível, somos seres angustiados.
    (Angustiados, pois nunca conseguimos satisfazer; por sabermos que somos seres finitos; por termos que arrancar sentidos, a força, das coisas; porque temos que sempre fazer escolhas; porque somos atormentados por nossas misérias, desejos, obsessões e traumas; enfim, porque somos humanos).
    Solidão: nossa vida apesar (ou por) ser uma vida social, podemos e sentimos, às vezes, só, em meio a toda gente, porque nossa vida é uma trajetória em meio ao deserto: vivemos muita coisa sozinhos, não conseguimos partilhar tudo de nós e de dentro de nós com o outro, por mais que o outro se disponha a nos entender, seremos entendidos com o entendimento do outro, com a sensações do outro, que por ser outro não pode ser nós mesmos.
    Finalmente, medo: ora, se somos tudo isso, se vivemos tudo isso, se não podemos escapar de nada disso, segue-se o medo da própria existência, que tem como “cereja” em cima do “bolo”, ou seja, por mais que queremos fugir, refugiar em alguma coisa, em algum lugar, não há uma salvação definitiva e absoluta.
    Por isso (tudo) que a visão de mundo que melhor nos descreve, é, de longe, a visão trágica dos gregos. Assim, quando estou diante de qualquer pessoa, sei que estou diante de alguém que mais cedo ou mais tarde foi, é, e será esmagado, engolido vivo, pelo absurdo da vida.
    No fim, tenho que concordar (novamente) com os gregos, de que a maior virtude que podemos ter é a coragem.
    Coragem de lutar; de insistir em viver; de continuar caminhando - mesmo em direção a própria morte, porque viver é isto: cada passo vivido é um passo em direção a morte. Portanto, meu respeito e admiração para com o animal humano - eu, você, e todo o restante da humanidade, demasiados humanos.

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    Penso que uma das PIORES COISAS em se compartilhar um acontecimento, seja ele uma coisa boa ou ruim, além de não ser ouvido, é quando a outra pessoa pra quem compartilhamos, conta a experiência dela, que julga similar a nossa, como sendo "melhor" - mesmo que seja o "melhor" do "pior" -, menosprezando assim, indiretamente, nossa dor ou alegria.
    Quando isso acontece, nos sentimos não acolhido, não ouvido, não compreendido, não legitimado e não valorizado em nossas histórias narradas.
    É como se a outra pessoa entrasse numa disputa desnecessária, por quem têm ou viveu algo pior ou melhor.
    Desnecessária e inútil, pois mesmo que algo, coisa ou acontecimento do outro, tenha sido maior do que o nosso - objetivamente falando - o que conta mesmo, é como (subjetivamente) vivemos e não o que apenas vivemos.
    É como se você ralasse o ano todo pra comprar uma bis (moto) que era um sonho teu, e outro, comprasse com a ajuda do pai, um carro que não era ainda o que ele queria, ou seja, tudo que nos acontece, acontece singularmente, de tal forma, que não se pode comparar experiências.
    No fim, podemos compartilhar experiências, acontecimentos, mas não devemos cair no erro de entrarmos numa disputa infantil de ficarmos comparando, nem muito menos ainda de dizer, que a nossa experiência é muito maior, melhor ou pior que a do outro.
    Portanto, é preferível que evitemos compartilhar nossas "pérolas" com "porcos" - para usar uma expressão bíblica - guardando para às pessoas que nos são mais intimas e compreensíveis.

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    Quanto maior conhecimento que a pessoa tiver, mais chance ela tem de ser feliz, certo? E, quanto mais ignorante, mais triste, não é mesmo? Penso que pode ser justamente o contrário!
    Se voltarmos bem atrás no tempo, lá na Grécia antiga, veremos que a origem de tal crença, ganha forças no filósofo Sócrates, que afirmava, que uma vida boa, aquela que valeria a pena ser vivida, era justamente aquela que fosse examinada.
    Essa crença então foi passada de Sócrates a Platão, ganhando enorme proporção no cristianismo, que acreditava que a verdade libertava, chegando até o iluminismo, da sua fé na razão, se mantendo até os nossos dias, como uma crença de que os avanços no conhecimento (verdade) andaria de mãos dadas com o avanço de uma vida boa (a tal neurótica busca por "qualidade de vida").
    Entretanto, a historia esta ai pra nos mostrar, de que a ciência e a tecnologia evoluíram sim (e muito), mas que isso não nos fez melhores, nem mais felizes - é típico da vaidade moderna, achar (autoenganar?) que hoje o ser humano é mais feliz, perfeito, puro, bonito e bondoso do que os nossos antepassados.
    Ou seja: é inegável que avançamos na ciência, na tecnologia, mas isto não prova que a evolução no conhecimento anda lado a lado com o avanço nas outras áreas da vida humana, como a moral, ética, justiça, amor e etc.
    A verdade por trás de todo otimismo moderno na ciência, está a fé na mesma, na humanidade, em nós, de que nós através do conhecimento, da razão, conseguiremos salvar, redimir a nós mesmos. Nada mais risível, enganoso e... (por quê não?) religioso.

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    "como tá DIFÍCIL DECIDIR!". Quem nunca já se sentiu assim. Como se estivesse numa "sinuca de bico", entre a "cruz e a espada", acuado, numa decisão difícil de tomar.
    Mas isso ocorre, não somente em situações ruins, mas também, em boas situações, onde temos que escolher entre opções igualmente boas.
    Dessa forma, penso, que todas nossas escolhas pode se enquadrar, em três grandes tipos de "categorias", por assim dizer. Vem comigo em mais uma reflexão.
    Há momentos em que teremos que optarmos entre uma escolha BOA e RUIM (primeira "categoria" de escolha). Esta, a meu ver, é a decisão mais fácil das que temos que tomar. Por, geralmente, envolver de um lado benefícios e de outro, malefícios, não há muito (ou quase nada) o que escolher.
    Porém, há também decisões que envolve "menor redução de danos" - entre uma opção RUIM e outro RUIM (segunda "categoria" de escolha).
    É a famosa frase de que entre perder os dedos e os anéis, optamos por perder os anéis. Esta, se não é a mais complicada, é de longe a situação mais desagradável - o tal do "você prefere morrer de tiro ou de faca?".
    Entretanto, é na última "categoria" de escolha, que reside a maior complexidade: a de ter que escolher entre um BOA e BOA (terceira "categoria").
    Talvez você diga "essa também é moleza, afinal, escolher entre duas coisas boas é maravilha". Temo que não seja tão fácil e simples assim.
    Toda escolha pressupõe ganho e perda. O problema reside na perda: o que estamos perdendo quando escolhemos?
    Outro ponto a se considerar - que não vou aprofundar, por não "caber" aqui - é a questão de escolher entre um BEM e outro BEM, entrando assim numa verdadeira "areia movediça".
    Lembrei agora do filme "As pontes de Madison", onde uma mulher casada, e com filhos, se apaixona por um homem que decide ir para outro país, e agora, ela tem que escolher entre seu casamento (e família), e seu amante (de ir embora com ele).
    Enfim, escolha fácil mesmo é a chamada de "escolha falsa", onde você pensa que escolheu, mas no fundo você não escolheu, de alguma forma você foi "obrigado" por algo maior que você a "escolher".
    Há também a escolha de não escolher, de deixar (esperando) que as coisas tome o rumo e decidam por si próprias, mas até isso é uma escolha: a escolha de não escolher.

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  • 08/19/16--03:36: Pra que serve o mito?

  • O MITO perde sua riqueza de significado e elegância, todas às vezes, em que deixa de ser mito passando a ser entendido no “formato” literal – de “forma”, de “limites”, de definição, daí a pobreza do mito ser “reduzido” a uma forma de literalidade.
    Ou seja: a crença no mito enquanto logos (razão, literalidade) perde toda sua riqueza interpretativa e representativa, no sentido de ser um espelho que reflete a natureza humana mergulhada em conflitos, que padece em agonias.
    O mito como expressão – para além do mero e falível racionalismo – da experiência humana, que nunca pode ser totalmente enquadrada em nenhuma forma (de “fôrma”) teórica, pois sempre “desliza”, escorrega, é uma força avassaladora de sentidos e significados – a experiência humana está para a racionalização, como o oceano está para uma caixa d’água, daí o mito ser, a meu ver, a “linguagem” que melhor “fala” a linguagem da experiência humana.
    Por isso que hoje, depois de ter mergulhado fundo na racionalização, pude perceber o quanto a razão não dá conta – mesmo que tente (em vão) sistematizar, definindo (a ideia de definir algo pressupõe em si, colocar “limites”) o ser humano – e que o mito, como também as metáforas, são as que melhores expressam a experiência humana.

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    “VIVEMOS ESPERANDO DIAS MELHORES...” diz a música – muito bonita – do Jota Quest. O problema de esperarmos por “dias melhores”, é que, nem a vida e nem o tempo esperam por nossa espera, pois a vida é isso ai que acontece contigo agora, enquanto você lê, por exemplo, esse meu texto.
    A vida não “dá um tempo”. Não para pra você planejar, pensar, escolher e decidir. A vida é o que acontece enquanto eu e você fazemos planos para ela – planos de “dias melhores”, “dias que não deixaremos para trás”.
    O relógio da vida, do tempo, não pode ser parado, nem – o que pode ser pior – ser retrocedido: não podemos voltar no tempo e mudar o que nos “aconteceu”, nesse sentido, o passado é mera ilusão, lembrança do que já foi e não voltará mais, “respirando” por um pouquinho mais de tempo, com a ajuda de “aparelhos” frágeis e efêmeros demais: nossas memórias.
    O tal do “vivemos esperando dias melhores” é uma idealização da vida, que raramente acontece, e quando acontece, não acontece do jeito que pensamos, ou seja, o futuro, assim como o passado, escapa de nossas mãos.
    Claro que não estou dizendo aqui, para se viver com irresponsabilidade – embora esteja dizendo um pouco –, pois necessitamos de um mínimo de organização, de planos e objetivos, mas daí querer fazer da vida que é o que acontece no presente, uma tão somente ponte para o futuro, pode ser mais irresponsabilidade ainda: não temos garantia de um futuro, no estrito sentido, o futuro também não existe, e pode nunca vir acontecer, pelo simples fato de podermos morrer “agora”.
    Mas o que é a espera e planejamento do futuro, se não um postergar, de certa forma, a vida no presente? Nesse sentido, podemos ou viver na realidade “dada” na vida – aquilo que está nesse momento em curso, acontecendo – ou vivermos a ilusão de uma espera por um futuro melhor – mesmo que não saibamos ao certo, que “futuro melhor” é este.

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    Uma das piores modas hoje em dia, é a de dizer que se acredita em si mesmo, que tem fé em si, que só confia em si mesmo. Por trás dessa “modinha” – que é estimulada e vendida (literalmente) pelos canalhas da autoajuda – está fundamentadamente, o humanismo niilista, que destruiu “Deus”, colocando em seu lugar o homem. Agora, deuses são os humanos, que passam acreditar serem autossuficientes.
    Nada mais patético do que acreditar em si mesmo. Chesterton (1874 – 1936) pensador cristão, faz uma interessante analogia do homem moderno, que acredita em si, com o louco: segundo ele, o lugar que mais teria pessoas que não acreditam em nada, só em si mesmos, seria o manicômio, ou seja, para estas, se há alguma coisa de errada é o mundo, e não elas mesmas.
    Dostoievski (1821 – 1881), outro peso “pesado” dos grandes pensadores, em suas obras, demostra o quanto alguns de seus personagens acabam caindo no ridículo de proclamarem a razão, como salvadora do homem. Segundo o que percebo em suas obras, o homem sábio é aquele que se vê (reconhece) perdido em si mesmo, pois entende a dimensão do que é deixar, negando os valores verticais (transcendentais) passando a se orientar, acreditar e esperar, nos valores niilistas horizontais.
    O que quero dizer, claramente, é que o homem não tem salvação a partir do momento em que passa a acreditar em si, na razão, na humanidade, na ciência, pois, a humanidade é um projeto moderno em decadência que já deu errado, basta olhar a nossa história (nunca se fez o mal tão eficazmente, como, com a ajuda da tecnologia e ciência). Agora sem Deus, sem uma referência Absoluta, estamos entregues a nossa insuficiente e frágil razão, onde é cada um por si e a "Razão" por todos.

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    Penso que se tem uma coisa que não combina, é “liberdade” e “autoconhecimento”. No autoconhecimento está embutida a ideia de determinismo: só podemos conhecer aquilo que é passível de ser conhecido, e só é passível de ser conhecido aquilo que pode ser considerado como determinante ou determinismo. Ou seja, para nós dizermos que podemos chegar a nos autoconhecer, é que existem em nós, causas determinantes, que por serem determinantes, são fixas, imutáveis, incontroláveis – nesse aspecto, faz sentido as ciências sociais (antropologia, sociologia, psicologia e etc) dizerem que o bandido é “vitima” da sociedade, da situação, do contexto.
    Ora, sendo assim, só podemos nos autoconhecer se admitirmos que não somos livres, que a liberdade inexiste, de que não passa de uma mera ilusão. Porque entendo que ser livre, implica em não ter causas determinantes que atuem em nós ou por nós, decidindo a todo o momento quais passos vamos dar sem escolhermos se queremos ou não dar. Nesse sentido, ser livre é ser indeterminado, e ser indeterminado, significa que não há o que autoconhecer, prever, porque tudo pode mudar em nós – aqui, o controlar seria uma forma de podermos, no humano, antecipar seus possíveis passos, ações e comportamento no mundo.
    Continue acompanhando meu raciocínio: se somos um constante “processo” inacabado, um não “resultado final”, definitivo, pronto, fechado, se há sempre um constante fluxo que pode ou não ir por um caminho e não por outro, segue-se que não há em nós algo como um “eu” imutável, e por isso, podendo ser chegar a se autoconhecer.
    Enfim, autoconhecimento ou é uma forma de conhecer aquilo, que para além do que nos move, nos determina, nos causa, ou, é pura vaidade de tentar deter o fluxo de uma “cachoeira” em curso que é a nossa própria vida, achando que o ser humano pode se autoconhecer – o humano não é uma linha reta, linear, logica e coerente, que caminha em alguma direção, pois há sempre muitas curvas, bifurcações, círculos, diversos outros caminhos e até descaminhos, sendo ele um poço sem fundo, pura contradição de si mesmo, lugar nenhum a se chegar.

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  • 08/19/16--03:41: O sabor de um ato generoso

  • Pode até ser que não exista BONDADE pura, sem interesse, como próprio fim em si mesma, bondade pela bondade, mas cá pra nós: quando praticada com intenção de agradar, de ajudar, mesmo que no fundo seja pelo prazer e bem-estar que o ato de bondade consciente, desejado, buscando, trás, é muito “gostoso”.
    Faz um bem danado pra alma. Redime um pouco nossa alma manchada pelo pecado, pelo mau moral, pelo individualismo, egocentrismo.
    Quando digo “ato consciente e intencional de bondade”, me refiro a bondade praticada não por constrangimento – como quando você está distraído, e um mendigo vem, e te pede uma esmola, e você acaba dando pra ele não encher o seu “saco” – ou por coerção – quando fazemos porque sentimos na “obrigação”, seja espiritual (“Deus quem mandou”), ou familiar (“ele é meu parente”) – mas antes, quando você deseja mesmo ajudar, quando parte de você, do seu intimo, querer praticar o bem.
    No fim, a pessoa que é mais ajudada concretamente em um ato de bondade, pode ser quem a recebe, mas a principal beneficiada na alma é de quem parte o ato bondoso.

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    "Se eu FIZER TUDO CERTO, às coisas só poderão DAR CERTO, certo?". Nem sempre. Às vezes o contrário pode ocorrer. Quanto mais queremos fazer tudo certinho para dar tudo exatamente certinho, vem alguma coisa e muda nossos planos, atrapalha nosso objetivo, desfaz nossos sonhos, nos leva por outros caminhos.
    Isto acontece, porque a vida não é um “aparelho eletrodoméstico”, das que vem com “manual de fabrica”, pronta para ser “operada”, onde, se apertamos o botão “x”, terá como efeito “x” ou, apertarmos o botão “y”, termos como resultado “y”.
    A vida é pura contingência: tudo que é, poderia não ser e nem acontecer. Ou seja: não há necessidade alguma do que ocorreu, de ocorrer, somos nós é que vemos e damos necessidade para os acontecimentos fortuitos e aleatórios da vida.
    A vida também imprevisível: não podemos prever qual será o efeito das nossas ações no mundo, pois no mundo, ocorrem, um sem número de variáveis paralelamente as nossas ações, as vezes, até contrárias.
    A vida é Incontrolável: não temos a nossa própria vida em nossas mãos, porque ela sempre escapa, como areia que é assoprada pelo vento: podemos tentar reter, mas sempre o vento irá assoprar fazendo com que a areia escape por entre nossos dedos.
    O que temos é algumas escolhas limitadas na vida, pelo contexto social, econômico, circunstancial, moral e geográfico. Controlamos em parte algumas ações, não os seus desdobramentos, que por sempre envolver diversas variáveis, escapa de nós o resultado final.
    Portanto, fuja dos livros de autoajuda que prometem serem verdadeiros “manuais” existenciais, de como se dar bem na vida, de como ser feliz, pois não existe na vida “formula mágica”, pronta, infalível, quem diz ter, o diz para vender uma imagem ilusória de guru, especialista em como viver bem, pois não há uma regra universal, um único padrão que seja absoluto, que contemple todas as necessidades e características pessoais e singulares.

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  • 08/19/16--03:43: O problema do feminismo

  • Ah, como satisfaz uma MULHER sentir que é DESEJADA, pois na mulher, o desejo pode se tornar o próprio fim - é o desejo de ser desejada.
    Enquanto para o homem, o desejo pela mulher é um caminho para a própria mulher, somente podendo se consumir na própria mulher, para a mulher, o simples fato de perceber que é olhada com cobiça, com desejo, mesmo que se não consuma o desejo, já é em si uma forma de gozo.
    Somente as feias, ressentidas e invejosas da beleza de sua concorrente éque se ofende em ouvir (dizer de outras) que a mulher é para o homem um objeto de desejo - e, que a mulher adora, não somente ser objeto de desejo, mas, de ser o principal desejo no homem.
    Objeto este sagrado, que os homens em todos os tempos veneram, como aquilo que há de mais precioso no universo.
    Somente as feias, ressentidas e invejosas (novamente elas, sempre elas) é que dizem que a beleza exterior do corpo não vale muito, que a mais importante é a beleza interior.
    Com isso - com esse discurso totalitário, pois ai de uma mulher confessar que adora ser desejada - conseguem nivelar a cruel e desumana disputa com as mais belas, gostosas e desejadas - somente assim para conseguirem "empatar" com as mais belas.
    O mal é que elas estão formando um exercito, onde querem convencer as mais belas, de que ser chamada de gostosa na rua é uma forma de opressão, de preconceito e até de discriminação – só se for a opressão delas (das feias) serem rejeitadas, e verem outras, muito mais bonitas do que elas, adoradas pelos homens.
    Inclusive, nada melhora mais o ambiente de uma empresa, e o humor dos funcionários, do que ter mulheres bonitas trabalhando ali - até a segunda-feira perde um pouco sua cara cinzenta de segunda-feira.
    Não há pior coisa para a mulher, sentir não ser desejada, perceber que o homem não a deseja - que deseja sua amiga, mas ela não - que daria e faria tudo por ela.
    E, é justamente isso que as mais feias querem arrancar das mais belas, se possível ainda, convencer os próprios homens, através do constrangimento, do seu discurso "anti-homem", que é errado, que é machismo, que é preconceituoso, desejar sexualmente uma mulher, cantando ela, fazendo tudo por ela.
    No fim o mundo acabará não com um Apocalipse cataclísmico, mas pela proibição de homens desejarem as mulheres como objetos de desejo, e as mulheres de se permitirem, desejarem serem desejadas pelos homens, culminando assim, no celibato dos homens, e as mulheres, ressentidas, ficarem pra "titinha".

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  • 08/19/16--03:43: A força da religião

  • PENSO QUE A RELIGIÃO – não com seus dogmas, crenças e códigos de conduta moral – com sua espiritualidade, transcendência, é o final da linha para a humanidade, de que fora dela não há salvação, não há solução, nem cura e nem esperança.
    O que há, são apenas frágeis "paliativos" para lidar com o terrível drama humano. Nesse sentido, as ciências, as politicas, o governo, a Razão, tecnologia, são como um barco afundando em meio ao oceano da nossa trágica existência, onde estamos apenas tentando tirar a água do nosso barco com uma canequinha furada.
    Peguei pesado agora né? Mas talvez, essa seja a única forma mais “pedagógica”, por assim dizer, de expressar a imensidão e complexidade da existência, com seu absurdo e falta de sentido último, e das inúmeras ilusões criadas por nós, para suportamos a vida, finita, insignificante, sofrida e miserável.
    Compartilho do pensamento de grandes pensadores, como Nelson Rodrigues, para o qual, se tirar do homem sua imortalidade, ele cai de quatro – referindo a animalidade humana, de sua importância. Como também, com Dostoiévski, de que se alma humana não é imortal, e se Deus não existe, tudo é permitido.
    Ou seja: para Dostoiévski não há saída para a humanidade, quando retirada dela, sua espiritualidade e transcendência, ficando apenas com a natureza e razão, ou seja, com a materialidade e a tecnicidade.
    Podemos ter “evoluídos” na tecnologia, avançados na ciência como nunca antes, desenvolvidos diversas ciências sociais para lidar com os problemas sociais, psicológicos, econômicos e relacionais, mas, por outro lado, não damos conta de lidar com o buraco existencial humano.
    No fim, estamos apenas andando em círculos, como cachorros correndo atrás do próprio rabo. E o que é pior: não há mais para onde ir. Tudo que se imaginava e sonhava nos séculos passados, principalmente do iluminismo, de certa forma já foi alcançado – temos como nunca uma tecnologia e ciência sem precedentes nunca antes na história – e por isso, talvez, o desespero e angústia do animal humano seja muito maior.
    Como dizia o Chapolim Colorado: “e agora, quem poderá nos defender?”. Nós “matamos” Deus, e agora, não há esperança para nós mortais, sem alma, sem céu, sem salvação, sem deus. Somos como animais, só que eles, tem melhor “sorte” do que nós, porque não tem (assim especulamos) a consciência da miséria existencial que é ser apenas de “carne e osso”.

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    Acredito que você, alguma vez já se perguntou “QUEM SOU EU?”. Claro que sabemos que a resposta a pergunta “quem sou eu?”, está, grandemente ligada, em parte, a nossa identidade.
    Mas qual é a base da nossa identidade? Pois se a vida é uma constante mudança, ou como diz Raul Seixas em uma das suas canções, que ele preferia ser “uma Metamorfose ambulante”, como podemos acreditar que temos uma identidade? – uma vez que identidade pressupõe algo “fixo”, “identificável”, que é "permanente".
    O filósofo Heráclito já dizia que não podemos atravessar o mesmo rio duas vezes, pois nem nós somos o mesmo de antes (que atravessou), e nem às águas do rio são as mesmas (atravessadas por nós).
    De fato, vivemos sempre sendo transformados: seja fisicamente – internamente às nossas células vão se renovando diariamente, como externamente, nosso corpo vai envelhecendo; seja psicológica e emocionalmente – somos afetados por um mundo repleto de acontecimentos, como vamos amadurecendo ao longo da vida; seja relacionalmente – vamos sempre ser influenciados pela fala (carregada de valores, significados) das pessoas ao nosso redor; seja tecnologicamente – através das redes sociais, da televisão, internet; seja por livros – nosso repertório verbal (incluindo crenças) e intelectual depende (e muito) do que lemos; enfim, de uma infinidade de coisas.
    Sendo assim, como podemos ter certeza de sermos nós mesmos e não uma mera ilusão de que somos nós mesmos? Tenho alguns “palpites” para compartilhar.
    Primeiro, graças à nossa memória, de podermos revisitar a qualquer momento nossa história. Ou seja, podemos acessar, recorrendo sempre a nossa própria história de vida, como um testemunho “verdadeiro” de nós – nosso passado “fala” por nós.
    Segundo, graças às narrativas: as que contamos de nós - às histórias da nossa vida que compartilhamos; as que contam de nós - aquelas histórias que as pessoas falam de nós para os outros; por nós - como somos apresentados; e pra nós - as coisas que falavam (e falam) de nós pra nós.
    Explico melhor: a narrativa é um recurso que dispomos, para dar coesão a nossa história, pois através dela, podemos dar uma linearidade a nossa vida, organizando a mesma através de histórias narradas. E isto, não só relatadas por nós, mas também pelas pessoas que nos são mais próximas.
    Elas dão testemunho, contando eventos que são, às vezes, coerente com nossa própria narrativa, outras vezes, contraditório. Ou seja, as pessoas podem tanto validarem nossas histórias, como contradizer.
    Talvez por isso, Jesus tenha nos evangelhos perguntado aos seus discípulos “o que dizem (o que falam, contam) quem eu sou?”, pois o que contamos uns dos outros é em parte, definidor de nós mesmos.
    Terceiro, às relações sociais, nas quais estamos inseridos, que fazemos parte, são de certa forma, definidoras de nossa identidade – por isso diz sabiamente o ditado popular “diga com quem tu andas, e eu direi quem tu és”.
    Em quarto, a uma fidelidade que assumimos diante de um compromisso passado. O que estou dizendo aqui, é que assumimos para nós, uma identidade que esta ligada a algo realizado no passado.
    Que graças a essa nossa fidelidade a um acontecimento passado, nos vemos no dever de manter, de continuar, é que criamos e mantemos uma identidade.
    Como exemplo, um homem que se torna pai: ele assume o compromisso – não somente, mas inclusive, jurídico – que biologicamente ele é o pai de uma determinada criança, podendo vir assumir uma relação afetiva, de pai pra filho, vivenciando assim, uma identidade.
    Concluindo, penso que temos uma identidade, mas que dentro dessa identidade, estamos constantemente numa espécie de jogo de nós para com o outro, aonde o outro, complementa (e vice-versa). Exemplo: sou pai, mas sou pai de “alguém” que é meu filho.
    Nesse sentido, sempre somos e estamos em relação com outro "alguém". Por isso, que às relações são tão importantes na construção de nossa identidade, ainda que esta nunca esteja definitiva, fechada e acabada, mas que a base dela será fundamentada nas relações familiares, com a comunidade, cultura e sociedade, onde estamos inseridos.

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    Busco ser extremamente criterioso nas minha leituras. Não leio de qualquer jeito, qualquer coisa. Sou bastante seletivo, pois sei que não disponho de todo o tempo que gostaria que tivesse, por isso, meu rigor na hora de escolher um livro para ler.
    Leio seguindo alguns princípios que pra mim são "sagrados" e fazem toda diferença, "pesando" no momento da escolha, pois para cada livro escolhido, milhares de outras leituras são descartadas.
    Primeiro, minha regra de "ouro": somente leio o que me toca, o que me interessa, o que aguça minha curiosidade, o que me desperta o tesão de ler.
    Segundo, e não menos importante: leio buscando prazer na própria leitura e/ou conhecimento, seja por me proporcionar prazer e alegria direta e imediatamente, como uma leitura com fim em si mesmo, e/ou por gerar conhecimento.
    Abro um "parênteses" aqui: toda leitura de um livro, pra que eu disponha-me a ler, tem que, ou me gerar grande alegria por sua leitura com ou sem conhecimento, ou me gerar conhecimento com ou sem "prazer".
    Terceiro, uso um simples, mas fundamental critério: tento ler - já faz um bom tempo - ao menos um grande clássico de cada autor.
    Se caso gostar muito da escrita e do conteúdo de um determinado autor, procuro ler outros diversos livros do mesmo autor - foi assim que acabei lendo cinco livros na sequência de Shakespeare, sete livros do meu filosofo favorito Nietzsche.
    Quarto, para não correr o risco de cansar-me, alterno entre uma leitura de literatura com uma mais reflexiva, no sentido de filosófica e/ou psicológica - atualmente, tenho lido dois livros paralelamente, sendo, sempre, um de literatura (romance) e outro, mais reflexivo, acadêmico, mais teórico por assim dizer.
    Assim, tenho maior possibilidade de desfrutar e absolver dois livros ao mesmo tempo, pois ambos são de diferentes estilos, objetivos, formas, gêneros, linguagem e saberes.
    Talvez, se optasse por ler dois livros com a mesma "essência", poderia causar algum tipo de confusão, canseira ou pouco conhecimento, pois imagine ler, Kant e Lacan juntos: ambos "osso" duro de roer.
    Enfim, como gasto em média, de três à quatro horas por dia, em leituras - "pouco" tempo, diria, pra alguém (eu) que tem uma fila incalculável de livros para ler - não me dou o luxo (não mesmo) de desperdiçar meu tempo - que só "vale" minha vida, só isso, porque a vida é feita de tempo - lendo qualquer coisa que vejo pela frente.

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    Desconfio de que aqueles que MAIS FALAM SOBRE DEUS, que mais estudam sobre Deus, que mais pensam sobre Deus, são os que menos acreditam em Deus, os que menos “experimentam” Deus, os que menos “sentem” Deus.
    Daí a necessidade de falar tanto sobre Deus, de pensar tanto sobre Deus, de estudar tanto sobre Deus: no fim, são como asmáticos que menos dispõem de Ar para respirar, e que, por isso, são os que se ocupam (gastam) grande parte do tempo, da vida, racionalizando sobre Deus.
    Nesse sentido, é preferível para qualquer religioso ouvir os poetas do que os pastores, teólogos, padres, pois tenho a nítida sensação, de que os que mais “experimentam” Deus, são os que menos consegue explicar, sistematizar, teologizar sobre Deus.
    O Deus dos poetas, ao contrário dos teólogos e religiosos, não cabe em caixa “conceituais”, definidoras e limitadoras do “objeto” de estudo e culto chamado “Deus”.
    Os poetas, eles sim é que são sábios, pois sabem que Deus não pode ser capturado por nossas “correntes” de palavras. Não, o Deus dos poetas, dos místicos transcende qualquer abstração, racionalização.
    Grande parte da “morte” de Deus, passa pelos próprios religiosos: ao tentar racionalizar a experiência “irracionalizável”, teologizar o mistério, compreender o absurdo - em outras palavras, capturar o “vento” - caíram na armadilha moderna, pós iluminista, de eleger a razão, o novo senhor e rei absoluto da vida humana, agora também, da religiosa.
    Pobres dos religiosos que acabaram “matando” e “enterrando” “Deus”: agora, não passa de um mero “objeto” de museu, de um mero “objeto” decorativo, totalmente desnecessário, pois nivelou “Deus” a categoria de passivo a racionalização humana, esquecendo, que os humanos modernos, não precisam mais Deus, pois eles agora tem como “senhor e salvador” de suas vidas, a Razão, colocando ela acima até do próprio Deus.

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    Não relacionamos com nenhuma pessoa por “ela mesma”, mas antes com “crenças” que temos sobre ela - como se às crenças fosse "óculos" pelos quais usamos para enxergar, não somente o mundo, a vida, mas às pessoas próximas a nós.
    Quando digo que relacionamos com “crenças” que temos sobre às pessoas, refiro às “ideias” que temos sobre elas, às que mais percebemos (focamos) em seus gestos, atitudes e comportamentos.
    Isto significa, que a depender da “crença” que temos sobre determinada pessoa, assim será nossa interpretação dela e tudo que ela fizer, e mais do que isso: agiremos em conformidade com essa interpretação sobre o outro.
    Vou dar um exemplo para tornar mais claro o que estou dizendo. Pense em alguém que você acredita (crença) que seja ("é") egoísta. No dia em que ela fizer algo que contradiga essa sua percepção (interpretação) de que ela é egoísta, você não irá acreditar (crença) de que ela fez por generosidade.
    Por isso é que Jesus nos evangelhos, manda perguntar "o que os homens dizem ser ele (Jesus)", pois o mestre da galileia, sabia que nossas crenças sobre as pessoas são importantes: elas refletem como nos relacionamos com o outro.
    Mas qual o problema nisso? Talvez, você me pergunte. E eu respondo: “problema” nas crenças serem interpretações, não há nenhuma, mas… há sempre um “mas” na história… se às ideias que tivermos sobre o outro, forem “negativas”, “más”, passaremos agir com desconfiança, com certa “agressividade”, rejeitando e até evitando o outro.
    Ou seja, tal qual às crenças que temos sobre o outro, tal qual será nossa relação para com o outro. Por isso, devemos cuidar, sempre questionando nossas crenças, pois afinal, elas não passam disto: crenças, suposições, na maioria das vezes baseadas numa avaliação nem sempre “objetivamente” fundada (apenas) na realidade, mas antes, em nossa percepção, e por isso, subjetividade.

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    Penso que exista dois níveis de discórdia: um, se dando no campo da razão, e, outro, desenrolando-se no campo da emoção. O primeiro, simples de resolver, fácil de se entrar em acordo, o segundo, muito delicado e extremamente problemático, de difícil concordância.
    No primeiro, o desentendimento é de nível lógico: caminhamos por estradas racionais, lógicas e coerentes, com pouco ou nenhuma emoção. Um exemplo disso, são as contas que fazemos de quanto temos que pagar - afinal, não precisa de emoção para se chegar ao resultado de uma operação matemática ou para executar um serviço braçal.
    Já na segunda, as contendas emocionais, são vivenciadas no campo dos sentimentos, envolvendo sensações e emoções, com razão ou pouco razão. Exemplo disso, são as discussões, em sua maioria, de casais, brigas de amigos e etc.
    Embora ambos envolvam tanto razão como a emoção, há mais razão nas discussões de cunho estritamente lógicos, e, emoções nas discussões emotivas.
    Isto se dá, por conta dos diferentes fatores envolvidos (e usados) nos debates: os pautados na razão, podem ou não, conter algum grau de emoção, a depender das pessoas envolvidas, das circunstancias e das motivações.
    Já as que são baseadas muito mais nas emoções, está envolvido, não apenas aspectos (secundários) racionais, mas, principalmente, questões ligadas as emoções, como crenças, valores, sentimentos e sentidos.
    Ou seja, no segundo nível, o sujeito vive a discordância com o outro, como se fosse a própria vida que estive em "cheque", sendo "ameaçada", e não apenas os argumentos utilizados para justificar e defender essas mesmas emoções.
    Portanto, nas próximas vezes em que estiver debatendo com outras pessoas, pergunte antes de continuar, se o que elas estão defendendo são apenas ideias mesmos, assuntos dos quais se pode discordar, ou se são crenças, valores e sentidos pessoais, diria até íntimos, vividos como fazendo parte da própria existência.
    Em caso afirmativo, não vale a pena o desgaste todo envolvido, para no final perceber, que foi também inútil, pois no domínio das emoções, qualquer argumento é mera "desculpa" para justificar (e aprofundar) crenças vividas no emocionar.

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    “Os fins justificam os meios”, você com certeza deve ter escutado ou dita alguma vez essa frase, no sentido de, ou por justificarem a você, por causa de uma determinada ação, ou, você mesmo deve ter usado para justificar a si mesmo a tua ação.
    Ou seja, pelo resultado final, vale tudo: trapacear no jogo; esconder a verdade; mentir; ser desonesto; enganar; trair; sacanear os outros; passar a perna; falsificar; trair e uma porção de outros "meios" para se alcançar um determinado "fim"– dai a expressão “os meios” (quaisquer) como justificativa para o "fim".
    Saiba que essa frase é tida (e conhecida) como uma ideia “maquiavélica” - "faço" ("topo") qualquer coisa pelo meu objetivo. Mas, tanto a frase quanto o pensamento de Maquiavél (autor da frase e do livro “O príncipe”) foram distorcidas, sendo atualmente usado como uma expressão de uma pessoa “maquiavélica”.
    Isto é: pessoas que usam de todos os tipos de artificios, sejam legais como ilegais, visando somente, alcançar uma meta. Dai a expressão “maquiavélica” estar sendo tomada (injustamente) no estrito sentido pejorativo.
    Na verdade, o que ocorreu com a frase e o pensamento de Maquiavel, foi ter sido tirado do seu contexto, pois o livro que ele escreveu, (o qual eu li) foi muito mais uma análise das suas observações (da sua época) do que propriamente ideais a se seguir.
    Ou seja: era como ele via a busca (e manutenção) do poder dos príncipes e reis da sua época, contexto e realidade, do que uma idealização, de que como deveriam (ou devemos) nos comportar.
    Diante disso tudo, temos dois caminhos a seguir. Um, seria o de planejamos um objetivo, construindo uma meta, procurando atingir, custe o que custar, o alvo, mesmo que para isso, tenhamos que utilizar de meios desonestos e até impensados (pois o que vale é conquistar o objetivo final).
    O outro, é o de fazemos dos próprios meios, nosso grande objetivo, focando assim não mais nos resultados, mas no "processo", colhendo resultados até mesmo imprevistos.
    A primeira opção, é chamada de pensamento (pessoas) “utilitarista” ou “maquiavélico” - como bem foi explicado lá em cima. Inclusive, o utilitarismo se tornou uma corrente filosófica, bastante popular e difundida atualmente, mesmo para aqueles que nunca ouviram falar, acabam por praticar a tal filosofia.
    Fazemos tudo (e mais um pouco) por aquilo que desejamos obter, não medindo esforços ou meios para alcançar nossos objetivos. Tal pensamento, é muito forte. Diria até, que é, o pensamento mais dominante.
    Podemos encontrar nos livros de autoajuda, nas propagandas de marketing, nos banners das empresas (“foco no resultado”), nos programas escolares, nas reuniões de empresas, nos cultos, crenças e pregações dos crentes (“venha buscar o teu milagre”), e até mesmo, nos bate papos informais das rodas de amigos e amigas. Ou seja, tornou-se febre em nosso meio.
    O outro caminho que temos como possibilidade, é o de buscarmos os meios pelos próprios meios. Isto é: fazermos coisas por elas mesmas, no sentido, de o “fim” ser o próprio “meio”!
    Uma coisa, por exemplo, que não canso de falar, principalmente quando alguém vem querer dar uma de “especialista” em como criar meus filhos, é de viver o ser pai nas minhas relações com eles, como próprio fim, ou seja, brinco com eles, converso com eles, saio com eles, estou com eles, pelo prazer, sentido e afeto que tenho de estar com eles sempre no sentido presente.
    Nesse sentido, não uso minha relação para com eles, pensando em resultados finais, desde “educar para a vida” - a maior educação que dou a eles, é meu exemplo, portanto, “preocupo” “apenas” em estar com eles, e amar eles, e me relacionar com eles – e até, pensando de que quando ficar velho, eles cuidem de mim – faço o que faço pelo que faço, por amar a eles e ponto, não quero, como não acho, que eles tem uma “divida” comigo, pois eles não são responsáveis pela minha escolha, responsabilidade e dedicação, como também, gratidão não deve (ou não deveria) “amarrar” ninguém a ninguém.
    Nietzsche falava coisa parecida. Segundo o filósofo, uma ação, escolha e atitude deviam valer a pena por si mesma, até porque, não temos controle sobre o resultado final, pois há inúmeras causas atuando no mundo, para além da nossa intervenção.
    Portanto, nossas escolhas, de "meios para os fins" ou de "fins nos próprios meios", esta diretamente ligada a nossa postura e crença no mundo: busco agir por prazer e alegria no próprio agir, sendo o resultado, algo secundário e como consequência, ou, o interesse pelo objetivo final é que deve orientar meu agir no mundo, prevalecendo sempre sobre a ética e valores, e assim, foda-se as pessoas, as relações e a ética?
    Você decide, pois afinal, sua "cabeça, seu guia, sua sentença". Tal crenças e valores, tais objetivos e métodos. Dito de outra forma: você age no mundo e nas relações conforme suas crenças e valores.

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